A Nintendo confirmou oficialmente que o Switch 2 ganhará uma versão com bateria removível para atender às novas exigências da União Europeia. A informação, antes restrita a rumores de março, agora consta na página de conformidade legal da Nintendo of Europe, que detalha as adaptações necessárias para o mercado do bloco europeu. A mudança não afeta apenas os consumidores da UE: o desenho final do console pode influenciar diretamente os modelos vendidos no Brasil e no resto do mundo.
O que a página oficial da Nintendo diz sobre a bateria do Switch 2
A página de conformidade da Nintendo of Europe foi atualizada para refletir o plano de adequação ao Regulamento de Baterias da União Europeia (Regulation EU 2023/1542). A partir de 18 de fevereiro de 2027, todos os dispositivos vendidos no bloco que contenham baterias portáteis devem permitir que o usuário final faça a troca do componente sem ferramentas especializadas ou conhecimento técnico avançado.
A Nintendo afirma que está preparando produtos para cumprir esse requisito. No caso do Switch 2 atual, identificado por números de modelo iniciados por “BEE”, a versão compatível com a nova regra receberá uma numeração diferente e trará o código adicional “OSM” na embalagem. Do ponto de vista regulatório, será tratado como um produto distinto do atual. Ainda não há detalhes sobre as alterações no projeto interno, mas rumores de março indicam que tanto o console principal quanto os controles Joy-Con 2 terão baterias de lítio substituíveis.
Switch 2 atual: nota baixa em reparabilidade e bateria colada com adesivo
A decisão da Nintendo não ocorre por acaso. O site iFixit, referência mundial em reparo de eletrônicos, submeteu o Switch 2 a uma análise completa de desmontagem em junho de 2025 e deu ao console uma nota 3 de 10 em facilidade de reparo — pior que a do Switch original, que chegou a 4 pontos após revisões.
O problema central está na bateria. Embora o conector seja de fácil acesso, a célula é fixada ao chassi com um adesivo extremamente resistente. Para removê-la sem danificar o componente, é necessário aplicar álcool isopropílico e fazer força considerável, um processo que o usuário comum dificilmente executará em casa. Além disso, as duas portas USB-C e o leitor de cartuchos são soldados diretamente na placa-mãe, o que obriga a substituição de toda a placa em caso de falha. A Nintendo também não comercializa peças de reposição originais para o público.
Na prática, o Switch 2 atual foi projetado para que o reparo da bateria seja feito exclusivamente pela assistência técnica da fabricante. A versão para a UE obrigará a repensar esse modelo de fixação.
O que é a regra europeia de baterias e como ela funciona
O Regulamento de Baterias da UE (Regulation EU 2023/1542) é uma lei abrangente que cobre todo o ciclo de vida das baterias, da extração de materiais ao descarte. O ponto que afeta diretamente o Switch 2 é o artigo que trata da “portabilidade e substituição por parte do usuário final”.
A partir de 18 de fevereiro de 2027, todo produto vendido na UE que contenha uma bateria portátil deve ser projetado de forma que um consumidor adulto, sem treinamento específico, consiga remover e trocar a bateria usando apenas ferramentas comuns disponíveis no mercado. Se o fabricante exigir uma ferramenta especial, esta deve ser fornecida gratuitamente. O manual de substituição precisa acompanhar o produto, e as baterias de reposição devem ser oferecidas por um preço razoável durante um período mínimo.
Existe uma exceção para dispositivos com classificação IP67 ou superior de proteção contra água e poeira, desde que a bateria mantenha pelo menos 80% da capacidade original após mil ciclos de carga. O Switch 2 não possui certificação de resistência à água, portanto não se enquadra na exceção.
Como Apple e Samsung se preparam para a mesma regra
A Nintendo não está sozinha. A regra de 2027 atinge todos os fabricantes de eletrônicos que vendem na Europa: smartphones, tablets, fones de ouvido sem fio, notebooks, câmeras e consoles de videogame.
A Apple já se adiantou. No iPhone 16 (modelos padrão e Plus), lançado em 2024, a empresa adotou um adesivo eletricamente destacável: ao aplicar uma baixa voltagem nos contatos da bateria, a cola perde aderência e o componente pode ser retirado sem esforço. A linha iPhone 16 Pro, porém, ainda usa o método tradicional. A Apple também conta com certificação IP68, que pode ajudá-la a usar a exceção da regra se a bateria atender aos requisitos de durabilidade.
Já a Samsung ainda não apresentou uma solução pública. Seus smartphones da linha Galaxy continuam usando adesivo convencional para fixar a bateria, o que exigirá uma revisão de projeto até 2027. A empresa também possui selo IP68, mas dependerá das mesmas condições de exceção.
| Nintendo | Apple | Samsung | |
|---|---|---|---|
| Fixacão da bateria | Adesivo | Adesivo com liberação elétrica | Adesivo |
| Status frente à regra da UE | Preparando novo modelo | Já compatível (iPhone 16) | Ainda não compatível |
| Proteção contra água | Não possui | IP68 | IP68 |
O histórico recente mostra que as regras da UE tendem a se tornar padrão global. Quando o bloco exigiu o conector USB-C para carregadores, a Apple acabou eliminando o Lightning de todos os iPhones, inclusive nos países onde a exigência não se aplicava. O mesmo pode ocorrer com a bateria removível.
O que muda para o consumidor brasileiro
A Nintendo ainda não declarou se a versão com bateria substituível será vendida fora da Europa. No Japão, por exemplo, o Switch 2 é comercializado em duas variantes: uma exclusivamente em japonês por ¥59.980 (cerca de R$ 2.200 em conversão direta, sem impostos) e uma versão multilíngue por ¥69.980. Separar a produção de uma variante apenas para a UE é viável, mas encarece a logística.
O mais provável é que a próxima revisão de hardware do Switch 2 unifique o projeto para todas as regiões. A Nintendo tem histórico de revisões frequentes: o Switch original recebeu diversas alterações ao longo de sete anos, incluindo mudanças na bateria, tela e chipset. Adotar o design com bateria de fácil acesso em escala global seria a decisão mais racional do ponto de vista de custos de fabricação.
Para o jogador brasileiro, a possibilidade de trocar a bateria por conta própria significa maior vida útil do console. Baterias de lítio perdem capacidade após dois a três anos de uso intenso. Poder substituir o componente sem enviar o aparelho para a assistência técnica reduz o custo total de propriedade e evita o descarte prematuro de um produto que custa mais de R$ 5.000 com impostos no Brasil. A regra europeia, indiretamente, pode beneficiar também quem compra o Switch 2 por aqui.
Aguardamos os próximos anúncios da Nintendo para confirmar se a mudança será global e se as baterias dos Joy-Con 2 também seguirão o mesmo princípio.

