MADKID revela bastidores das músicas de Shield Hero e orgulho japonês

Em entrevista exclusiva, o grupo japonês MADKID detalha o processo criativo das aberturas de The Rising of the Shield Hero.

MADKID realizou primeiro show em Portugal no Iberanima Santarém 2026 e falou sobre carreira e orgulho japonês.
Destaques
  • MADKID combina dance music, rock, K-pop e referências a Michael Jackson em seu som único.
  • A composição de Mad Pulse, abertura de Digimon Beatbreak, exigiu três tentativas até ficar pronta.
  • Grupo planeja grande turnê no Japão em 2026 para celebrar 12 anos de carreira.

Durante a edição de 2026 do Iberanime Santarém, em Portugal, o grupo MADKID realizou seu primeiro show ao vivo em território português, marcando a estreia europeia da banda. Conhecidos por interpretar as cinco aberturas de The Rising of the Shield Hero, os cinco integrantes participaram de uma sessão de perguntas e respostas, encontraram fãs e encerraram o segundo dia da convenção com uma apresentação elétrica. Entre um compromisso e outro, a banda conversou sobre os bastidores da criação das músicas do anime, o orgulho de levar a cultura japonesa para o exterior e os planos para 2026, ano em que celebram 12 anos de carreira.

A trajetória do MADKID e o som que conquistou o mundo

Formado por YOU-TA, SHIN e KAƵUKI nos vocais, e LIN e YUKI no rap, o MADKID construiu uma identidade sonora própria ao longo de mais de uma década. O grupo combina elementos de dance music, rock, influências do K-pop, referências a Michael Jackson e música eletrônica, tudo temperado com coreografias precisas e letras que mesclam inglês e japonês. Essa fusão resultou em um estilo que o público brasileiro de anisong já reconhece: batidas energéticas, refrãos grudentes e uma presença de palco que transforma qualquer apresentação em um espetáculo participativo.

O que torna o MADKID sound único?

A resposta está na forma como a banda uniu referências diversas em torno de um marco: a primeira abertura de The Rising of the Shield Hero. Foi ali que o MADKID encontrou sua assinatura. Cada membro trouxe sua bagagem musical individual, e o resultado é um som que transita entre o pop eletrônico e o rock com fluidez, sempre com espaço para o rap característico de LIN e YUKI. Para quem acompanha anisong, é difícil não reconhecer a assinatura do grupo em segundos de audição.

Os bastidores das músicas de Shield Hero e a criação do MADKID sound

Quando perguntados sobre os momentos favoritos dentro do anime que os projetou internacionalmente, as respostas dos membros revelam conexões pessoais com a narrativa. KAƵUKI destacou Erhard, o ferreiro excêntrico que ajuda Naofumi no início da jornada. LIN preferiu a cena em que Naofumi forma sua equipe pela primeira vez, destacando o fortalecimento dos laços entre os personagens. Já SHIN elegeu Raphtalia como personagem favorita, e a declaração dela de que será sempre a espada de Naofumi como o momento mais marcante.

O processo criativo das músicas, no entanto, nem sempre é linear. A composição de Mad Pulse, abertura de Digimon Beatbreak, exigiu pelo menos três tentativas até que a letra e o título ficassem prontos. A banda revelou que, diferentemente de outras faixas que saem de primeira, Mad Pulse demandou longas discussões com a equipe do anime. O resultado final, porém, manteve a energia característica do MADKID, e o grupo já sinalizou que deseja continuar colaborando com a franquia Digimon no futuro.

O desafio de compor para Digimon Beatbreak

Um dos pontos mais interessantes da entrevista foi a explicação sobre a dificuldade de trabalhar com letras bilíngues. Incorporar inglês e japonês em uma mesma música não é simples, porque as duas línguas têm cadências e fluxos naturais muito diferentes. O grupo explicou que acertar as entonações específicas do inglês — que não existem no japonês — é um trabalho minucioso. Isso ajuda a entender por que o som do MADKID soa tão polido: cada sílaba é pensada para encaixar na batida e na melodia sem perder a naturalidade.

Turnê internacional: aprendendo com o público estrangeiro

Após a turnê norte-americana ao lado da cantora NANO em 2025, a banda percebeu uma diferença marcante no comportamento do público fora do Japão. Fãs estrangeiros cantam junto, algo que o MADKID quer levar de volta para os shows em território japonês. A experiência em Portugal reforçou essa percepção. O grupo ficou surpreso com a quantidade de fãs locais que apareceram no Iberanime — incluindo alguns que viajaram especialmente do Japão para o evento. Cada cidade visitada trouxe uma energia única, e a presença de NANO ajudou a tornar a turnê mais confortável, funcionando como uma espécie de anfitriã para a banda.

Orgulho japonês e conselhos para artistas que querem atuar no exterior

Quando questionados sobre o que diriam a outros artistas japoneses que desejam se apresentar fora do país, a resposta foi direta: manter o orgulho japonês. O conselho reflete a convicção de que a força da música está na emoção transmitida, e não apenas nas palavras. Como grande parte do público estrangeiro não entende as letras em japonês, cabe ao intérprete fazer com que a emoção da canção atravesse a barreira do idioma. Para o MADKID, essa é a chave para conquistar plateias ao redor do mundo.

Mensagem para os fãs e planos para 2026

O ano de 2026 marca o 12º aniversário da banda, e os planos incluem uma grande turnê no Japão e a vontade de continuar produzindo músicas para animes. Em relação aos fãs portugueses, o grupo espera que eles assistam aos animes que abriram com suas canções e curtam cada faixa com a mesma intensidade vivida no Iberanime. A mensagem final para os AXCEL — nome oficial do fandom — foi de gratidão e surpresa pelo carinho recebido fora do Japão. A experiência em Portugal serviu como combustível para seguir fazendo shows internacionais e reencontrar os fãs sempre que possível.

Com uma trajetória que já inclui cinco aberturas de The Rising of the Shield Hero, passagens pela América do Norte e agora a estreia europeia, o MADKID demonstra que o anisong japonês tem potencial para conectar culturas muito além das fronteiras do país. E, se depender da energia da banda e do apoio dos fãs, essa ponte entre o Japão e o mundo só tende a se fortalecer.

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