NANO sonha com turnê mundial para celebrar 15 anos de carreira

Em entrevista na DoKomi, a cantora NANO revela planos ambiciosos para os 15 anos de carreira em 2027.

A cantora NANO sonha com turnê mundial para celebrar 15 anos de carreira, revelou durante a convenção DoKomi.
Destaques
  • NANO planeja uma turnê mundial em 2027 para comemorar seus 15 anos de carreira.
  • A cantora acredita que convenções como a DoKomi foram essenciais para sua carreira internacional.
  • NANO cita Detective Conan e Fullmetal Alchemist como principais inspirações musicais.

A cantora e compositora NANO, conhecida por sua voz marcante e por hits que atravessaram gerações de fãs de anime e rock, deixou claro durante sua passagem pela convenção alemã DoKomi que os planos para o futuro envolvem algo ambicioso: uma turnê mundial para celebrar os 15 anos de carreira, que se completam em 2027. Em entrevista exclusiva, a artista de raízes americano-japonesas refletiu sobre sua trajetória internacional, os desafios de levar a música japonesa para fora do país e a relação multifacetada com o universo dos animes.

Identidade multicultural e a música como ponte

NANO, que nasceu fora do Japão e carrega uma bagagem cultural híbrida, enxerga a diversidade como um trunfo. Para ela, o palco anula qualquer barreira. “Quando estou no palco, esqueço qual é a cultura do público. Somos apenas eu e a multidão, não importa a raça ou o país — estamos ali para rockar”, afirmou. A artista ressalta que, no fim das contas, as diferenças de idioma e costumes perdem relevância quando a música entra em cena. “Se eu consigo fazer um bom show, isso é tudo que importa. Garantir que as pessoas estejam se divertindo ao máximo”, completou.

Por que artistas japoneses demoraram a conquistar o exterior?

Questionada sobre o que aconselharia a artistas japoneses que desejam alcançar o público internacional, NANO foi franca: essa ainda é uma pergunta sem resposta definitiva para ela mesma. “Ainda não atingi meu objetivo. Não acho que fiz o suficiente para dizer ‘faça isso para ser bem-sucedido no exterior'”, ponderou. Para a cantora, o Japão chegou tarde ao movimento de internacionalização da música pop, diferentemente do K-pop, que se expandiu cedo e de forma estruturada. “O Japão sempre fez as coisas do seu próprio jeito, principalmente para si mesmo. Simplesmente não sabíamos como alcançar pessoas de fora”, explicou.

Ela observa que o sucesso global do anime e da cultura japonesa não foi planejado. “O mundo precisava daquilo. Não foi uma estratégia de venda. Agora, os artistas japoneses estão começando a fazer shows no exterior e a visitar convenções, mas ainda é um passo assustador para muitos, porque não sabem se serão aceitos.”

O papel pioneiro das convenções na carreira internacional

NANO se considera uma das “primeiras penguins” a sair do Japão para se apresentar em convenções estrangeiras. Ela relembra que, há 13 anos, sua própria gravadora e equipe nunca tinham trabalhado com shows fora do país. “Se eu não tivesse vindo para a DoKomi naquela época, provavelmente não estaria fazendo tantos shows internacionais agora”, disse. A experiência inicial mostrou que havia uma base de fãs ávida por música japonesa ao vivo, e isso convenceu sua empresa a apostar em um mercado maior. “Foi um processo lento, mas estou feliz que as coisas estão mudando aos poucos”, acrescentou.

Ela destaca que o exemplo de artistas como ela mesma inspirou grupos como o MADKID, com quem fez turnê conjunta na América do Norte. “Eles me disseram que me ver viajando pelo mundo deu a eles confiança para tentar também. Isso me mostrou que fazer shows internacionais não é inútil para a comunidade japonesa.”

Anisong, rock e a liberdade de ser uma camaleoa

Um dos debates recorrentes no meio musical japonês é o rótulo de “cantor de anisong”. Para NANO, a resposta é simples: ela não se limita a uma definição. “Sou uma roqueira. Amo música em geral. Mas quando vou a uma convenção, sei que as pessoas estão lá para ouvir minhas músicas de anime. Tenho orgulho disso. Sou uma cantora de anime quando estou em convenções. Fora delas, sou uma roqueira. Posso ser o que for — sou uma cantora camaleoa”, definiu.

A artista reconhece que, no Japão, participar de uma trilha de anime pode ser a chave para conquistar um público maior, mas isso não deve ser uma camisa de força. “Muitos artistas sonham em cantar para anime, mas outros querem ser músicos em geral. O anime foi o trampolim, não o destino final.”

Sonho de turnê mundial e inspiração nos animes clássicos

Olhando para o futuro, NANO revelou que 2027 marca seu 15º aniversário de carreira. “Mal posso acreditar que estou cantando há tanto tempo. Meu sonho é fazer uma pequena turnê mundial, mas não posso prometer nada. Se acontecer, a Espanha também estará no roteiro”, disse, em resposta ao desejo dos fãs espanhóis. A turnê ideal, segundo ela, passaria por países onde ainda não se apresentou, incluindo novas regiões da Europa.

No campo das inspirações, a cantora revelou que seu primeiro contato com a música de anime foi através de Detective Conan. “As músicas eram muito rock and roll, com artistas como B’z. Aquilo despertou minha paixão por cantar na sala de casa”, relembrou. Outra influência central foi Fullmetal Alchemist — especialmente a versão original de 2003. “Assisti os 51 episódios de uma vez. A música era tão boa que foi difícil aceitar um novo anime. ‘Rewrite’ é minha favorita, e já fiz um cover dela”, contou.

NANO encerrou deixando um recado direto aos fãs brasileiros e de todo o mundo: “Estou sempre procurando novas convenções para visitar. Sei que há países que ainda não conheci, e mal posso esperar para rockar com vocês. Fiquem de olho no que vem por aí.”

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