Batalha da IA: CEO da AZ Quest aponta EUA como favorito contra a China

Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, Walter Maciel destaca a vantagem americana na guerra tecnológica contra a China.

CEO da AZ Quest aponta modelo de competição privada como diferencial dos EUA na corrida de IA.
Destaques
  • Walter Maciel afirma que a competição privada acelera a inovação em IA nos EUA.
  • O bloqueio de microchips e memória HBM à China é apontado como estratégia americana.
  • Investidores brasileiros devem monitorar o impacto da guerra de IA em commodities e juros.

Na disputa global pela liderança em inteligência artificial (IA), os Estados Unidos levam vantagem sobre a China, na avaliação de Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest. Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, do portal Seu Dinheiro, o executivo argumenta que o modelo de desenvolvimento americano, baseado na competição aberta entre empresas privadas, é o principal diferencial em uma guerra tecnológica que promete redefinir o equilíbrio econômico mundial. Para o investidor brasileiro, entender quem sai na frente nessa corrida é crucial, pois os desdobramentos afetam desde o desempenho de ações de tecnologia na bolsa até as cadeias globais de suprimento que influenciam a inflação e os juros no Brasil.

O modelo de competição privada como vantagem estratégica

Segundo Maciel, a essência da vantagem norte-americana reside no que ele chama de “destruição Schumpeteriana” — conceito econômico que descreve a inovação gerada pela competição e substituição de tecnologias obsoletas por novas. “A IA, na China, é comandada pelo Estado e, nos Estados Unidos, é destruição Schumpeteriana, com empresas competindo. Olha o que o Elon Musk está fazendo, olha a Amazon, olha a Google”, afirmou o CEO da AZ Quest. Para ele, a pluralidade de atores privados, cada um buscando soluções próprias e financiamento no mercado de capitais, acelera o ritmo da inovação de forma mais eficiente do que o planejamento estatal centralizado chinês.

O executivo não poupou críticas ao modelo intervencionista, traçando um paralelo direto com a experiência brasileira. “Eu sou brasileiro. Tenho obrigação de saber que o Estado, onde meter a mão, vai dar ruim. Em qualquer lugar”, disse Maciel, reforçando a crença de que ambientes regulados e controlados pelo governo tendem a gerar menos eficiência e inovação no longo prazo.

Brasil no mapa: o bloqueio tecnológico dos EUA à China

Além do ambiente competitivo interno, os Estados Unidos vêm adotando uma estratégia geopolítica agressiva para consolidar a liderança. Maciel destaca que Washington está restringindo ativamente o acesso da China a componentes considerados críticos para o desenvolvimento de IA de última geração. “Eles estão bloqueando os microchips de última geração”, afirmou. A estratégia foi ampliada para incluir a memória High Bandwidth Memory (HBM), um componente essencial para aplicações avançadas de IA que exigem alto processamento de dados.

Essa ofensiva tecnológica visa criar um gargalo artificial no desenvolvimento chinês, obrigando o país a competir com recursos limitados. O movimento não é irrelevante para o Brasil: a cadeia global de semicondutores impacta diretamente a oferta de eletrônicos e veículos, influenciando a inflação local. Uma eventual escalada nas restrições pode reforçar a pressão sobre o câmbio e os custos de importação para o mercado brasileiro.

A fragilidade econômica da China como limitador

Na visão do CEO da AZ Quest, os desafios estruturais domésticos da China reduzem ainda mais sua capacidade de disputar a liderança tecnológica. Ele enumera uma série de problemas que tornam a “batalha da IA” especialmente difícil para o gigante asiático: “É um país com uma crise fiscal gigante, com uma população que está encolhendo”, disse Maciel.

A combinação de envelhecimento populacional, crise no setor imobiliário e crescente dependência das exportações cria um cenário de fragilidade. Para o executivo, a saída encontrada pelo governo chinês foi tentar escoar a produção para o mercado externo, mas essa janela está se fechando. “O país agora só tem uma saída: empurrar produto para exportar. Só que os Estados Unidos fecharam a porta”, concluiu.

Essa dinâmica é acompanhada de perto por investidores brasileiros que alocam recursos em fundos de ações ou em ativos ligados a commodities. A desaceleração chinesa tende a reduzir a demanda por minério de ferro e petróleo, impactando diretamente a receita de empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que têm peso relevante no Ibovespa.

O Que o Investidor Brasileiro Deve Monitorar

A análise de Walter Maciel sugere que a liderança americana em IA deve se consolidar no curto e médio prazo, puxada pela inovação do setor privado e pelo bloqueio estratégico de insumos críticos. Para o investidor brasileiro, o principal ponto de atenção devem ser os próximos passos dessa guerra tecnológica. É recomendável acompanhar:

  • A evolução das restrições a semicondutores: Novos bloqueios podem impactar a oferta global de chips e pressionar a inflação, influenciando a política de juros do Banco Central.
  • O desempenho do setor imobiliário chinês: Uma piora acentuada na China pode reduzir ainda mais a demanda por commodities brasileiras, afetando ações de empresas exportadoras.
  • As políticas de estímulo nos EUA: Subsídios e investimentos americanos em IA podem gerar oportunidades indiretas para empresas brasileiras que atuam como fornecedoras de serviços ou componentes para o setor.

Por fim, a avaliação do executivo reforça que, em cenários de competição tecnológica intensa, mercados abertos e regimes de inovação privada tendem a se adaptar mais rapidamente aos choques. Para quem investe, a recomendação é manter o radar ligado nas fronteiras da geopolítica, que cada vez mais definem os rumos dos mercados financeiros globais e, por consequência, dos investimentos no Brasil.

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