Claro compra controle da Desktop em negócio de R$ 4 bilhões para fortalecer banda larga

A Claro, uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, anunciou a aquisição do controle acionário da Desktop, importante provedor de internet do interior de São Paulo. O acordo estabelece um enterprise value (valor total da empresa) de R$ 4 bilhões para a Desktop, marcando uma das principais movimentações no setor de banda larga regional.

Detalhes financeiros e estrutura da transação

A Claro vai adquirir 73% das ações da Desktop, pertencentes ao fundo de private equity HIG Capital e aos fundadores da empresa, pelo preço de R$ 20,82 por ação. Isso representa um prêmio de 45% sobre o último preço negociado antes do anúncio. O pagamento será feito integralmente em dinheiro no momento do fechamento do negócio, com ajustes relacionados à dívida líquida. Uma parcela de aproximadamente R$ 175 milhões ficará retida em uma conta escrow, sendo liberada gradualmente durante cinco anos para cobrir eventuais contingências. Considerando uma dívida líquida de R$ 1,6 bilhão, o equity value (valor do capital próprio) da operação chega a R$ 2,4 bilhões.

Processo regulatório e próximos passos

A transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Além disso, será necessário convocar uma assembleia de acionistas da Desktop para alterar o estatuto social da companhia. Após a conclusão da compra do controle, a Claro terá obrigação de realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para adquirir os 27% restantes das ações que estão em circulação no mercado.

Múltiplo de valuation e impacto no mercado

A avaliação da Desktop no negócio implica um múltiplo de 6,2 vezes o EBITDA da empresa, um valor significativamente acima dos 4,5 vezes em que suas ações eram negociadas antes da notícia. Esse novo benchmark pode servir como referência para reavaliação de outras operadoras regionais de banda larga, potencialmente elevando os preços de ativos similares no setor. A ação da Desktop já acumula uma alta de 77% nos últimos doze meses, movimento que se intensificou após os primeiros rumores sobre a negociação com a Claro.

Histórico da Desktop e trajetória de crescimento

A Desktop foi fundada em 1996 por Denio Alves Lindo, um ex-funcionário da IBM que vislumbrou o potencial de expandir o acesso à internet fora dos grandes centros urbanos. A empresa se tornou o maior ISP (Provedor de Serviços de Internet) do interior de São Paulo, atendendo mais de 200 municípios. Em 2025, seu faturamento atingiu R$ 1,2 bilhão, registrando um crescimento de 8% em relação ao ano anterior.

Expansão acelerada após entrada do HIG Capital

O crescimento da Desktop ganhou velocidade em 2020 com a entrada do HIG Capital como investidor. A base de clientes saltou de aproximadamente 100 mil para 1,2 milhão, combinando expansão orgânica com uma série de aquisições estratégicas. Em 2021, aproveitando um ciclo favorável de IPOs, a Desktop foi listada na bolsa de valores, com sua ação iniciando as negociações a R$ 23,50 – um valor superior ao preço pagado pela Claro na atual operação. Mesmo assim, o HIG Capital obtém um retorno de cerca de seis vezes o capital investido originalmente.

Interesse competitivo e contexto da negociação

Fontes próximas ao processo indicaram que o tempo necessário para concretizar o acordo refletiu, em parte, a falta de urgência dos vendedores – tanto do HIG quanto dos fundadores – para deixar o negócio. Além da Claro, outros players do mercado demonstraram interesse no ativo, incluindo a Vivo. A assessoria financeira da Desktop foi conduzida pelo Bank of America, com apoio jurídico do escritório Pinheiro Neto. A Claro não utilizou assessores financeiros, contando apenas com a assessoria jurídica do escritório Veirano Advogados.

A aquisição da Desktop pela Claro representa um passo significativo na consolidação do mercado brasileiro de banda larga fixa. Grandes operadoras nacionales estão ampliando sua presença através da absorção de ISPs regionais que, como a Desktop, construíram escala e capilaridade em áreas fora das grandes metrópoles. Essa estratégia busca fortalecer a competitividade e a oferta de serviços em regiões com crescente demanda por conectividade de qualidade, reforçando a posição das telecomunicações como infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico e social em todo o país.

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