A economia colombiana cresceu 2,3% no quarto trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, fechando o ano com expansão de 2,6%, impulsionada principalmente pelo setor de comércio atacadista e varejista, segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE). O desempenho ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam crescimento mais robusto para o período, refletindo os desafios enfrentados pela quarta maior economia da América Latina.
Contexto Econômico e Significado do Resultado
O crescimento de 2,6% em 2025 representa uma desaceleração em relação aos anos anteriores e ocorre em um momento crucial para a economia colombiana. Após enfrentar turbulências políticas e ajustes fiscais, o país busca estabilidade em meio a um cenário global ainda marcado por incertezas. O desempenho abaixo do esperado sugere que a recuperação pós-pandemia segue em ritmo mais lento do que o projetado inicialmente.
O setor de comércio atacadista e varejista emergiu como o principal motor do crescimento, respondendo por parte significativa da expansão econômica. Este destaque reflete tanto a recuperação do consumo interno quanto a adaptação das empresas aos novos padrões de compra dos consumidores colombianos. No entanto, outros setores tradicionais da economia, como mineração e indústria, apresentaram desempenho mais moderado.
Fatores que Influenciaram o Desempenho Trimestral
O crescimento de 2,3% no quarto trimestre específico foi impactado por uma combinação de fatores internos e externos. Internamente, as políticas monetárias restritivas do Banco da República, que manteve taxas de juros elevadas para conter a inflação, limitaram o crédito e o investimento. Externamente, a desaceleração da economia global, especialmente em parceiros comerciais importantes, afetou as exportações colombianas.
Segundo analistas do setor financeiro, o resultado trimestral reflete também os efeitos residuais das reformas tributárias implementadas em 2024, que inicialmente geraram incerteza entre investidores. Apesar disso, o crescimento positivo consecutivo mostra resiliência da economia frente a esses desafios.
Análise Detalhada por Setores Econômicos
Comércio como Principal Impulsionador
O setor de comércio atacadista e varejista expandiu significativamente em 2025, com crescimento de 4,8% no ano, superando a média geral da economia. Este desempenho foi impulsionado pelo aumento do consumo das famílias, que representou aproximadamente 70% do PIB colombiano. A recuperação do poder de compra, combinada com a queda gradual da inflação, permitiu que os consumidores retomassem gastos não essenciais.
Dados do DANE mostram que o varejo online continuou sua trajetória ascendente, representando agora 18% do total das vendas do comércio varejista. Grandes redes varejistas reportaram crescimento de vendas entre 5% e 8% no último trimestre, com destaque para eletrônicos, vestuário e alimentos processados.
Desempenho dos Setores Tradicionais
Em contraste com o vigor do comércio, setores tradicionais como mineração e petróleo cresceram apenas 1,2% em 2025. A produção de petróleo, que representa cerca de 30% das exportações colombianas, enfrentou desafios operacionais e de investimento. A produção média diária ficou em 780.000 barris, abaixo da capacidade instalada de 850.000 barris.
O setor industrial apresentou crescimento moderado de 2,1%, beneficiando-se da recuperação da demanda interna, mas ainda enfrentando competição com produtos importados. A indústria de alimentos e bebidas foi a mais dinâmica, com expansão de 3,5%, enquanto a manufatura tradicional cresceu apenas 1,8%.
Serviços e Construção
O setor de serviços, que inclui atividades como transporte, hospedagem e serviços profissionais, cresceu 3,2% em 2025. O turismo internacional mostrou recuperação significativa, com aumento de 15% na chegada de visitantes estrangeiros comparado a 2024. A construção civil, por sua vez, expandiu 2,8%, impulsionada por programas habitacionais do governo e investimento em infraestrutura.
Perspectivas e Desafios para 2026
Expectativas de Crescimento
Para 2026, analistas projetam crescimento entre 2,8% e 3,2%, dependendo da evolução de fatores-chave. O Banco da República mantém sua projeção conservadora de 2,9%, enquanto instituições financeiras internacionais como o FMI esperam expansão de 3,1%. O cumprimento dessas metas dependerá da capacidade do país em atrair investimentos e manter a estabilidade macroeconômica.
Um fator positivo é a inflação, que deve fechar 2026 em torno de 4,5%, dentro da meta do banco central. Isso permitiria flexibilização gradual da política monetária, estimulando o crédito e o investimento privado.
Riscos e Oportunidades
Entre os principais riscos para 2026 está a volatilidade dos preços das commodities, especialmente petróleo, que responde por parte significativa das receitas fiscais. Uma queda sustentada abaixo de US$ 70 o barril poderia impactar negativamente as contas públicas e o investimento em exploração.
Por outro lado, a implementação bem-sucedida dos acordos de paz e a maior segurança em regiões rurais representam oportunidades para diversificação econômica. O agronegócio, em particular, tem potencial para crescer acima da média nacional, aproveitando acesso a mercados internacionais.
Impacto nas Políticas Públicas
O crescimento moderado de 2025 deve influenciar as decisões de política econômica para 2026. O governo enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de consolidação fiscal com medidas de estímulo ao crescimento. Reformas estruturais, especialmente no sistema de pensões e no mercado de trabalho, estão na agenda legislativa para o primeiro semestre de 2026.
Programas de investimento em infraestrutura, como rodovias, portos e energia, receberão atenção renovada, com orçamento previsto de COP 15 trilhões para 2026. A conectividade digital rural também será prioridade, visando reduzir desigualdades regionais.
Comparativo Regional e Posicionamento Internacional
No contexto latino-americano, o crescimento colombiano de 2,6% em 2025 situa-se próximo da média regional, que deve ficar em 2,4% segundo a CEPAL. O desempenho é superior ao de economias como Chile (1,8%) e Argentina (1,5%), mas abaixo do México (3,2%) e Brasil (2,9%).
A posição relativa da Colômbia reflete sua diversificação econômica moderada e relativa estabilidade institucional. No ranking de facilidade para fazer negócios do Banco Mundial, o país subiu duas posições em 2025, alcançando o 65° lugar entre 190 economias.
Os números de 2025 confirmam que a economia colombiana mantém trajetória de crescimento consistente, embora em ritmo mais cauteloso do que o desejável. A diversificação em curso, combinada com políticas macroeconômicas sólidas, oferece base para expansão mais robusta nos próximos anos, desde que os desafios estruturais sejam adequadamente enfrentados. O caminho à frente exigirá equilíbrio entre estímulo ao crescimento e manutenção da estabilidade, numa dança delicada que definirá o futuro econômico do país na segunda metade da década.

