Em meio a um período turbulento marcado por uma megaaquisição bilionária, a Electronic Arts (EA) anunciou uma nova onda de demissões que atinge setores estratégicos da empresa, incluindo recrutamento, suporte ao cliente e segurança digital. A informação foi confirmada por fontes anônimas e postagens públicas, trazendo à tona mais um capítulo de reestruturação interna que já resultou em cortes significativos em 2025.
Demissões na EA atingem áreas de recrutamento e suporte ao consumidor
Segundo relatos, a EA está promovendo cortes em departamentos como recrutamento, TI, suporte ao cliente e na divisão de “confiança e segurança”, responsável por moderar interações entre jogadores e streamers. Entre os nomes confirmados está o de Diana Cornejo, ex-recrutadora sênior, que anunciou publicamente no LinkedIn sua saída após quase oito anos na companhia, como parte da mais recente rodada de demissões.
Os cortes incluem posições remotas nos Estados Unidos e funcionários experientes no escritório de Hyderabad, na Índia. Um e-mail interno enviado em 18 de junho, obtido pelo site Kotaku, revela que a liderança do time de Fan Care (atendimento aos fãs) está propondo mudanças em cargos, realocação de equipes e transferência de trabalho para diferentes parceiros de serviço como parte de uma estratégia para “se adaptar às necessidades em evolução dos fãs”.
Cortes seguem duas grandes rodadas de demissões em 2025
<pEsta nova leva de demissões não ocorre de forma isolada. Em fevereiro, a EA já havia realizado cortes na equipe de desenvolvimento de Skate, no estúdio Full Circle. Em março, foi a vez do time de Battlefield 6, um dos títulos mais aguardados e que, ironicamente, figura entre os jogos mais vendidos de 2025.
O que está por trás da reestruturação?
O momento é particularmente delicado para a EA. A empresa está no centro de um processo de aquisição liderado por um consórcio que inclui o fundo soberano de investimentos da Arábia Saudita, apoiado por um empréstimo de US$ 20 bilhões. Relatórios do ano passado indicam que os novos controladores esperam usar inteligência artificial generativa para cortar drasticamente os custos operacionais da EA e ajudar a pagar essa dívida.
Essa aposta na IA gerativa, no entanto, levanta questionamentos. Grandes empresas do setor, como a OpenAI, registram prejuízos bilionários anuais, o que coloca em dúvida a viabilidade financeira de usar a tecnologia como solução central para reduzir despesas em larga escala.
Críticas à aquisição e ao futuro da EA
A aquisição da EA já atraiu forte oposição. Sindicatos de trabalhadores classificaram o movimento como uma tentativa de “encher os bolsos dos investidores”, enquanto senadores dos EUA expressaram preocupações com o histórico de violações de direitos humanos da Arábia Saudita e com a influência que o país poderia exercer sobre narrativas culturais e históricas americanas por meio de seu braço de investimentos.
A EA, procurada pelo Kotaku, não se pronunciou oficialmente sobre as demissões. A expectativa é de que mais detalhes sobre o impacto da reestruturação e, principalmente, sobre como a empresa planeja equilibrar sua dívida bilionária sem comprometer a qualidade dos serviços e jogos, sejam revelados nos próximos meses.

