Krafton paga bônus de US$ 250 milhões e CEO da Unknown Worlds renuncia

A Krafton encerra a disputa judicial com a Unknown Worlds, pagando o bônus de US$ 250 milhões e aceitando a saída do CEO Ted Gill.

A Krafton pagará US$ 250 milhões em bônus para a equipe da Unknown Worlds, encerrando uma batalha judicial de mais de um ano.
Destaques
  • A Krafton concordou em pagar o bônus de US$ 250 milhões após uma longa disputa judicial com os fundadores da Unknown Worlds.
  • O CEO Ted Gill renunciou como parte do acordo, afirmando que uma nova liderança era o melhor caminho para o estúdio.
  • O bônus será pago em três parcelas para toda a equipe da Unknown Worlds, incluindo novos contratados.

A Krafton encerrou a disputa judicial com a antiga liderança da Unknown Worlds, estúdio responsável por Subnautica 2, e concordou em pagar o bônus de US$ 250 milhões que havia sido contestado. O acordo também resultou na renúncia do CEO Ted Gill, que afirmou que a saída foi mútua e que uma nova liderança é o melhor caminho para o estúdio. O desfecho põe fim a uma novela que se arrastou por mais de um ano, envolvendo acusações de má-fé, pressão para atrasar o lançamento do jogo e até mesmo a cópia de arquivos corporativos.

O embate judicial entre Krafton e os fundadores da Unknown Worlds

Em meados de 2025, os detalhes de uma ação movida pelos ex-líderes da Unknown Worlds contra a Krafton vieram a público. O centro da discórdia era um bônus de US$ 250 milhões atrelado a metas de receita do lançamento em Early Access de Subnautica 2, previsto para 2025. Os antigos acionistas do estúdio, representados pela Fortis Advisors LLC, alegavam que a Krafton tentou evitar o pagamento adotando “táticas de pressão” para adiar o lançamento do jogo. A Krafton, por sua vez, rebateu acusando os três executivos — Max McGuire, Ted Gill e Charlie Cleveland — de ameaçarem publicar Subnautica 2 por conta própria, sem o respaldo da publicadora. Segundo a defesa da Krafton, isso a deixou “sem escolha a não ser rescindir os contratos”.

Em uma reviravolta, a Justiça determinou que a Krafton reintegrasse Ted Gill ao cargo de CEO após a demissão, devolvendo-lhe a autoridade sobre o estúdio. A reintegração, no entanto, não foi suficiente para restaurar a confiança entre as partes. Os fundadores negaram veementemente as acusações de apropriação de arquivos e e-mails, e chegaram a afirmar que a Krafton “mudou sua versão dos fatos no meio do processo”. A trama jurídica se arrastou até que, no início de julho de 2026, a Krafton cedeu e concordou em pagar o bônus — não apenas aos antigos controladores, mas a toda a equipe da Unknown Worlds.

Acordo prevê pagamento em três parcelas para toda a equipe

O novo acordo, revelado pela Bloomberg, estabelece que o bônus de US$ 250 milhões será pago em três parcelas. O valor será distribuído entre todos os desenvolvedores do estúdio, incluindo os recém-contratados, o que significa que a equipe será “compensada de forma significativamente maior” do que estipulado no contrato original. Para a Krafton, a decisão de estender o bônus para toda a equipe pode ser interpretada como uma tentativa de conter os danos à reputação e demonstrar boa-fé após meses de litígio público.

A saída de Ted Gill é uma das condições do acordo. Em comunicado, Gill afirmou: “Nós mutuamente concordamos em nos separar. Uma nova liderança é o melhor caminho para o estúdio seguir adiante.” Gill também expressou entusiasmo com o futuro de Subnautica 2 e seu “tremendo sucesso”. A Krafton já sinalizou que pretende nomear um CEO externo para comandar a Unknown Worlds, o que sugere que a empresa quer profissionalizar a gestão do estúdio e evitar novos conflitos com a equipe criativa.

O que motivou a ação judicial entre Krafton e Unknown Worlds?

A raiz da disputa foi o bônus de US$ 250 milhões prometido aos acionistas originais da Unknown Worlds, condicionado ao cumprimento de metas de receita de Subnautica 2. Os ex-líderes acusaram a Krafton de deliberadamente atrasar o lançamento do jogo para não atingir essas metas e, assim, não precisar pagar o bônus. A Krafton, por outro lado, alegou que os fundadores planejavam autopublicar o jogo, o que teria motivado a demissão. O acordo põe fim às acusações, mas levanta questões sobre a governança de estúdios adquiridos por grandes conglomerados de games.

Impacto no futuro de Subnautica 2 e na relação publisher-desenvolvedora

Subnautica 2 está em desenvolvimento para Early Access e a expectativa é que o jogo mantenha o alto padrão da franquia. O desfecho do litígio remove uma nuvem de incerteza jurídica que pairava sobre o projeto, mas a saída dos fundadores — figuras centrais na criação da série Subnautica — pode afetar a direção criativa do estúdio. Por outro lado, a Krafton ganha a chance de implantar uma gestão corporativa mais alinhada com seus interesses de longo prazo. O pagamento do bônus, por mais elevado que seja, pode ser um investimento barato para preservar o valor da franquia e evitar que o caso se transforme em um precedente negativo para outras aquisições no setor.

Para o mercado brasileiro, a notícia ressalta a complexidade das relações entre publishers globais e estúdios independentes adquiridos. Embora Subnautica 2 ainda não tenha data de lançamento confirmada, o desfecho positivo do caso deve acelerar o cronograma de produção e garantir que o jogo chegue ao mercado sem novos sobressaltos legais. Resta saber se a Krafton conseguirá equilibrar o lado criativo com as metas financeiras, ou se este será apenas o primeiro capítulo de uma relação conturbada com a nova liderança da Unknown Worlds.

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