Link School of Business capta R$ 55 milhões para expansão internacional de campi

A Link School of Business, universidade brasileira focada na formação de empreendedores, aprovou em assembleia uma nova captação de R$ 55 milhões. A operação avalia a empresa em R$ 550 milhões após o investimento e tem como objetivo principal financiar uma expansão agressiva de sua presença física no exterior.

Estrutura acionária e histórico de investimentos

Esta é a segunda rodada de investimento desde a fundação da Link há seis anos. A primeira, de R$ 7,5 milhões, contou com 43 investidores pessoas físicas, incluindo nomes como Edison Ticle, CFO da Minerva, e o treinador de vôlei Bernardinho. Esse grupo detém 20% do capital. O fundador e CEO Alvaro Schocair possui 65%, sua sócia Luísa Azevedo tem 10%, e nove executivos da companhia dividem os 5% restantes. Na nova captação, a participação de Alvaro será diluída, mas ele manterá o controle da empresa.

Metodologia baseada em quatro pilares fundamentais

A metodologia educacional da Link é estruturada em quatro eixos principais. O primeiro são as aulas de negócios tradicionais, como finanças, marketing e tecnologia, mas com um método de ensino baseado em projetos reais e casos de mercado, ministrados exclusivamente por profissionais atuantes no setor.

Desenvolvimento de habilidades pessoais e acesso a venture capital

O segundo pilar é o desenvolvimento de people skills, com programas de autoconhecimento, gestão pessoal, oratória e criatividade. O terceiro é o acesso ao capital de risco: a escola opera uma aceleradora com um fundo de VC próprio, que já investiu em 20 das mais de 200 startups criadas por seus alunos, incluindo casos de sucesso como a Caveo.

Expansão internacional como estratégia central

O quarto e mais estratégico pilar é a internacionalização. Atualmente, a Link mantém três campi no exterior – em Boston, no Vale do Silício e em Madrid – que funcionam como bases para programas de imersão de dois meses. Com os novos recursos, a meta é chegar a 15 campi internacionais nos próximos três anos.

Novos mercados e modelo operacional dos campi

Para 2026, estão planejadas aberturas nos Estados Unidos e na Ásia, provavelmente em Xangai. Esses espaços servem como dormitórios e centros de atividades, onde os alunos estudam em universidades parceiras de elite, como Stanford, Harvard e Babson College – esta última foi uma das inspirações para a criação da Link. Os programas não geram receita imediata, mas, segundo o fundador, proporcionam acesso a conhecimento global, mercados internacionais e capital estrangeiro para os alunos.

Modelo de negócio e projeções de receita

Atualmente, 95% da receita da Link, que foi de R$ 130 milhões no ano passado com um EBITDA de R$ 50 milhões, provém das mensalidades dos alunos, fixadas em R$ 13,5 mil mensais. O restante vem dos retornos dos investimentos em venture capital. A escola possui 1.200 alunos matriculados em graduação e MBA, com 320 vagas de graduação aprovadas pelo MEC.

A estratégia de escala da empresa não passa pelo aumento do número de alunos, dado o modelo individualizado, mas pelo sucesso das startups criadas por eles. A projeção é de que, dentro de 10 a 20 anos, com um portfólio de 50 a 60 investimentos, a receita do braço de venture capital supere a das mensalidades, tornando-se a principal fonte de renda do negócio.

O plano de expansão financiado por esta captação reforça o posicionamento da Link não apenas como uma instituição de ensino, mas como uma plataforma global de fomento ao empreendedorismo, conectando talentos brasileiros a ecossistemas de inovação e capital ao redor do mundo. A movimentação sinaliza uma crescente sofisticação e ambição do setor de educação premium no Brasil, que busca competir em escala internacional.

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