Looksmaxxing: os riscos da trend estética masculina para a saúde

A trend looksmaxxing promete a transformação estética masculina, mas esconde sérios riscos à saúde física e mental dos jovens.

Especialistas alertam para os perigos do looksmaxxing, que incluem uso de anabolizantes e procedimentos sem comprovação científica.
Destaques
  • O looksmaxxing incentiva a busca por um padrão de beleza irreal através de métodos perigosos como o uso de anabolizantes.
  • Práticas como o bone smashing, que consiste em golpear o rosto para remodelar a mandíbula, não têm comprovação científica.
  • Especialistas recomendam diálogo aberto e busca de ajuda profissional para jovens obcecados pela aparência.

Uma nova tendência estética, impulsionada por comunidades digitais e prometendo a “maximização visual” masculina, tem atraído a atenção de jovens e gerado preocupação entre especialistas em saúde. Conhecida como looksmaxxing, a prática incentiva a busca por um padrão de beleza irreal, frequentemente através de métodos perigosos que podem causar sérios danos à saúde física e mental, incluindo o uso de substâncias anabolizantes e procedimentos sem comprovação científica. Compreender os riscos dessa trend é fundamental, especialmente para pais e responsáveis que desejam proteger adolescentes e jovens adultos desse ambiente de pressão estética e comportamento obsessivo.

O que é o looksmaxxing e por que ele preocupa?

O looksmaxxing é um movimento que prega a transformação radical da aparência masculina, tendo como meta músculos definidos, mandíbula marcada e baixíssimo percentual de gordura corporal. O que diferencia essa busca estética de um cuidado comum com o corpo é a maneira como ela é conduzida. A lógica por trás do movimento, frequentemente disseminada por influenciadores da chamada “machosfera”, parte do princípio de que a aparência é o único fator determinante para o sucesso social, profissional e amoroso de um homem. Essa visão simplista e extremista cria um ambiente tóxico, onde a insatisfação corporal é constantemente alimentada.

Pesquisas indicam que, nesses fóruns e comunidades, o apoio é substituído por críticas severas e até sugestões de autolesão. Em vez de incentivar um estilo de vida saudável, os participantes são bombardeados por insultos e discursos que naturalizam o uso indiscriminado de hormônios e outros procedimentos de risco, como analisou um estudo de 2025 na revista Sociology Health & Illness.

Métodos perigosos e a romantização de riscos

Dentro do universo do looksmaxxing, algumas “dicas” comuns envolvem a adoção de hábitos que, em si, não são prejudiciais, como a musculação e os cuidados com a pele. O problema reside na intensidade e frequência exageradas, que podem levar ao desgaste físico e à compulsão. No entanto, as recomendações mais alarmantes incluem:

  • Uso de anabolizantes e hormônios: A busca por um “corpo perfeito” leva muitos jovens a fazer uso de esteroides anabolizantes, hormônio do crescimento e insulina sem qualquer acompanhamento médico. Vale lembrar que não existe dose segura dessas substâncias para fins estéticos. Elas são indicadas apenas para casos específicos de deficiência hormonal. Os riscos são graves e incluem cardiomiopatia (aumento do coração), aumento do “colesterol ruim” e redução do “bom”, infarto, AVC, atrofia testicular, infertilidade, danos ao fígado e dependência química.
  • Procedimentos sem evidência científica: Práticas como o bone smashing (que consiste em golpear repetidamente os ossos do rosto para remodelar a mandíbula) são um grave exemplo. Os adeptos acreditam, sem qualquer amparo científico, que as microfraturas causadas tornarão os ossos mais salientes. Na prática, a pessoa está deliberadamente se causando lesões, o que pode gerar dores, deformidades e complicações sérias.
  • Cirurgias invasivas e arriscadas: A busca por características específicas, como a altura ideal, leva alguns a considerar procedimentos altamente invasivos, como o alongamento cirúrgico das pernas, um processo doloroso e repleto de riscos.

Saúde mental em jogo: dismorfia corporal e auto-objetificação

Os danos não se limitam ao corpo. A exposição contínua a imagens idealizadas e inatingíveis, somada à pressão social exacerbada pelas redes, eleva significativamente o risco de desenvolvimento de transtornos psicológicos. A comparação social constante, antes limitada ao círculo de convivência, agora é feita com milhares de perfis cuidadosamente editados. Isso pode levar à dismorfia corporal, uma condição em que a pessoa tem uma percepção distorcida de sua própria aparência, focando obsessivamente em defeitos imaginários ou mínimos.

Surge também o fenômeno da auto-objetificação, onde o indivíduo deixa de se enxergar como uma pessoa completa e passa a se ver apenas como um objeto a ser avaliado. Essa vigilância constante sobre o peso, a alimentação e a validação digital (curtidas e seguidores) fragiliza a autoestima e pode desencadear quadros graves de ansiedade, depressão, isolamento social e transtornos alimentares, como anorexia e bulimia.

Como identificar os sinais e proteger os jovens

Pais e responsáveis devem ficar atentos a mudanças de comportamento que podem indicar o envolvimento com o looksmaxxing. Os primeiros sinais geralmente aparecem na relação do jovem com a própria aparência. É importante observar se ele demonstra:

  • Dietas extremamente restritivas e prática compulsiva de exercícios físicos, em intensidade incompatível com sua rotina.
  • Interesse repentino e excessivo por procedimentos estéticos e mudanças corporais drásticas.
  • Isolamento social e abandono de atividades que antes lhe davam prazer.
  • Consumo excessivo de conteúdos da “machosfera” e discursos que colocam a aparência como o centro de tudo.
  • Sinais de sofrimento intenso, como vergonha persistente, ansiedade e a crença de que só será feliz ou aceito após mudar fisicamente.

A recomendação de especialistas é fortalecer canais de diálogo abertos e sem julgamento. Conversar sobre os conteúdos consumidos nas redes, os algoritmos e a irrealidade dos padrões apresentados é um passo essencial. Estimular a prática de atividades que gerem bem-estar e prazer, para além da estética, e fortalecer os vínculos familiares e sociais ajuda a construir uma autoestima sólida e menos dependente da aparência.

Se o sofrimento relacionado à aparência já está comprometendo a vida social, escolar e a rotina do jovem, causando isolamento ou comportamentos compulsivos, a orientação é buscar ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras são os profissionais capacitados para oferecer o suporte necessário.

Em um mundo onde a pressão estética é cada vez mais intensa, a principal ferramenta de proteção continua sendo o diálogo. Oferecer apoio e informações dentro de casa é a melhor forma de garantir que os jovens não busquem orientação e acolhimento em comunidades que promovem a autodestruição em nome de um ideal impossível.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.