Dois dias após uma sessão tumultuada na Câmara Municipal de Niterói, a cantora Ludmilla usou suas redes sociais para se manifestar sobre o episódio e expressar apoio à vereadora Benny Briolly (PT). A parlamentar foi autora do projeto que concedeu à artista o título de cidadã niteroiense, homenagem que gerou acalorados debates e confrontos verbais entre os vereadores durante a votação.
Manifestação de apoio nas redes sociais
Em publicação na quinta-feira (5), Ludmilla direcionou sua solidariedade especificamente à vereadora Benny Briolly, mencionando os ataques sofridos pela parlamentar durante a sessão legislativa. A cantora escreveu: “Hoje meu agradecimento e solidariedade vai para a @bennybriolly, que mais uma vez foi atacada e quase agredida por defender e destacar a cultura do povo preto. O que deveria ser um momento para comemorarmos, virou mais um episódio de indignação. Você não está sozinha. Pra cima Benny!”. A mensagem rapidamente viralizou, acumulando milhares de interações e compartilhamentos.
Resposta da vereadora Benny Briolly
A parlamentar também se pronunciou sobre a repercussão do caso, enfatizando em suas redes sociais que a defesa da homenagem está intrinsecamente ligada ao reconhecimento da cultura negra e periférica. “Quando a gente defende a cultura preta e periférica, não é por oportunismo: é por compromisso”, afirmou Benny Briolly. Ela destacou ainda que Ludmilla representa uma nova geração de artistas e serve como inspiração para a juventude periférica e negra, que passou a se sentir mais valorizada e representada através de seu trabalho.
O confronto durante a sessão legislativa
A tensão explodiu na noite de terça-feira (3), após a aprovação do projeto que concedia o título de cidadã honorária à cantora. O texto, apresentado por Benny Briolly – que à época estava no PSOL e atualmente integra o PT – foi aprovado por oito votos a seis, resultado que dividiu claramente a casa legislativa.
Troca de acusações entre vereadoras
O clima ficou especialmente carregado no final da sessão, quando a vereadora Fernanda Louback (PL), que havia solicitado a palavra, afirmou ter sido interrompida enquanto Benny Briolly gravava um vídeo para redes sociais comemorando a aprovação do projeto. Segundo Louback, a atitude foi interpretada como provocação, especialmente após a petista declarar que alguns vereadores “não sabem perder”. A declaração levou a parlamentar do PL a pedir respeito ao microfone e criticar publicamente a postura da colega.
Declaração que acirrou os ânimos
Benny Briolly, por sua vez, justificou sua reação afirmando que ouviu Fernanda Louback declarar que “parece que é crime ser branco no Brasil”. Diante da escalada do conflito verbal entre as parlamentares, o presidente da Câmara, vereador Milton Cal (União Brasil), decidiu encerrar a sessão antes do previsto para evitar maiores desdobramentos.
Divisão política na votação
A análise dos votos revela uma clara divisão partidária em torno da homenagem à cantora. Votaram a favor do projeto os vereadores Anderson Pipico e Sylvio Mauricio (PT), Binho (PDT), Professor Túlio (PSOL), Luiz Carlos Gallo (Cidadania), Emanuel Rocha (Avante), Leonardo Giordano (PCdoB) e a própria autora da proposta, Benny Briolly (PT).
Os votos contrários à concessão do título
Do lado oposto, posicionaram-se contra a homenagem os vereadores Douglas Gomes, Fernanda Louback, Daniel Marques e Allan Lyra (todos do PL), Michel Saad (Podemos) e Leandro Portugal (MDB). A polarização reflete debates mais amplos sobre representatividade, cultura e política que transcendem o caso específico.
Conexão anterior de Ludmilla com Niterói
Meses antes da polêmica na Câmara, Ludmilla já havia marcado presença em outro momento significativo para a cidade. A cantora foi a principal atração do Réveillon de Niterói, comandando o show que encerrou a virada de ano na Praia de Icaraí, na Zona Sul do município. O evento reuniu aproximadamente 700 mil pessoas segundo a organização, transformando o calçadão em uma grande pista de dança durante a apresentação.
O episódio na Câmara de Niterói transcende a simples concessão de um título honorário, revelando tensões profundas sobre representatividade, reconhecimento cultural e disputas políticas locais. A solidariedade pública de Ludmilla à vereadora Benny Briolly não apenas reforça os laços entre artistas e causas sociais, mas também joga luz sobre os desafios enfrentados por aqueles que defendem a valorização da cultura negra e periférica em espaços institucionais. A reação da cantora demonstra como figuras públicas podem usar sua influência para amplificar vozes políticas alinhadas a suas convicções, criando pontes entre o entretenimento e o ativismo social.

