Mevo capta R$ 95 milhões da Prosus e Matrix para dominar mercado de receita digital no Brasil

A startup brasileira de prescrição digital Mevo anunciou uma nova rodada de investimentos de R$ 95 milhões, liderada pela gigante holandesa Prosus e pela gestora americana Matrix Partners. O aporte, classificado como uma extensão da Série B, ocorre 18 meses após a captação inicial de R$ 110 milhões e reforça a confiança de grandes players internacionais no modelo de negócio da empresa.

Estratégia de crescimento acelerado com aporte de investidores de peso

A rodada foi conduzida pela Prosus, holding de tecnologia que controla o iFood e possui valor de mercado de US$ 208 bilhões, e pela Matrix Partners, gestora com histórico de investimentos em empresas como Apple e FedEx. O general partner da Matrix responsável pela operação é TJ Parker, fundador da PillPack, vendida à Amazon por US$ 750 milhões em 2018. O movimento solidifica a Prosus e a Matrix como investidores de referência da Mevo, que já acumula R$ 340 milhões captados em oito exercícios financeiros.

Expansão da base médica e domínio do mercado hospitalar

Fundada em 2018, a Mevo atua principalmente no segmento B2B, com foco na digitalização de prescrições médicas. A empresa está presente em aproximadamente 1.100 unidades hospitalares, incluindo redes de destaque como Rede D’Or, Hospital Sírio-Libanês e Beneficência Portuguesa. Apenas em 2026, a expectativa é que hospitais e clínicas gerem 50 milhões de prescrições pela plataforma, um aumento significativo em relação aos 35 milhões do ano anterior.

Aquisição estratégica e ampliação do público médico

Após a Série B, a Mevo intensificou a expansão de sua base de médicos fora das redes hospitalares. A estratégia incluiu a aquisição da concorrente Receita Digital em 2025, operação que dobrou o número de profissionais na plataforma. Atualmente, a startup conta com 100 mil médicos ativos, o que representa cerca de 15% dos profissionais atuantes no Brasil. Somando todos os canais, a empresa estima alcançar 15 milhões de pacientes.

Novas frentes de monetização com receitas controladas

O timing da captação coincide com um marco regulatório importante. A Anvisa editou norma em dezembro que permite a prescrição digital de medicamentos controlados, incluindo psicotrópicos e inibidores de apetite. A medida, em fase de transição, deve vigorar plenamente no segundo semestre de 2026. Pedro Dias, cofundador e CEO da Mevo, estima que 5% das prescrições no país envolvem esses remédios, abrindo uma nova frente de monetização para o negócio.

Modelo de negócio focado no pós-prescrição e relacionamento com a indústria

A Mevo não cobra pelo ato da prescrição em si. Sua receita é gerada a partir do que ocorre após a consulta médica. A empresa estabeleceu relacionamento direto com a indústria farmacêutica, onde 20 laboratórios já pagam pela exposição de suas marcas na plataforma, com outros 40 em negociação. “Somos um complemento à propaganda médica, uma extensão da comunicação entre a indústria e o médico”, explicou Pedro Dias.

Mevo Shop como principal canal de receita e integração com farmácias

O principal canal de monetização é a Mevo Shop, uma plataforma de relacionamento com farmácias. Ao receber uma prescrição digital, o paciente pode optar por encomendar o medicamento neste marketplace, que conta com redes como Panvel e Venâncio, além da farmácia própria Mevo Farma. No total, são 1.600 pontos de venda conectados à plataforma, criando um ecossistema integrado desde a consulta até a dispensação do remédio.

Recursos destinados à contratação e preparação para Série C

Com os novos recursos, a companhia planeja contratar mais 100 funcionários e acelerar o desenvolvimento de suas diferentes verticais. O CEO adiantou que uma Série C deve acontecer nos próximos 18 meses, tipicamente envolvendo cerca de US$ 40 milhões. A rodada atual teve diluição baixa e preço superior ao da captação de 2024, embora a empresa não divulgue seu valuation.

A digitalização da saúde no Brasil avança em ritmo acelerado, e a Mevo se posiciona como protagonista nessa transformação. Com um ecossistema que conecta hospitais, médicos, indústria farmacêutica e farmácias, a startup demonstra que a tecnologia pode otimizar processos críticos do setor, melhorando a experiência do paciente e criando novas oportunidades de negócio em uma das áreas mais tradicionais da economia.

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