OneCoin: vítimas têm até 30 de junho para pedir devolução de perdas

Governo dos EUA abre prazo final para vítimas da maior fraude com criptomoedas da história solicitarem reembolso.

Programa de compensação do DOJ para vítimas da OneCoin aceita pedidos até 30 de junho.
Destaques
  • O DOJ e o FBI coordenam o processo de devolução para vítimas da OneCoin que comprovarem perdas entre 2014 e 2019.
  • Ruja Ignatova, a 'Criptoqueen', segue foragida e tem recompensa de US$ 5 milhões por sua captura.
  • Estima-se que o prejuízo total do esquema OneCoin ultrapasse US$ 4 bilhões, afetando investidores globais.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu um programa de compensação financeira para vítimas do esquema bilionário da OneCoin, uma das maiores fraudes com criptomoedas da história. As solicitações de reembolso podem ser enviadas até o dia 30 de junho, conforme comunicado oficial divulgado na quinta-feira (25). O Escritório Federal de Investigação (FBI) coordena o processo e incentiva a participação de todos os investidores que comprovem prejuízos entre 2014 e 2019.

Como funciona o processo de devolução para vítimas da OneCoin

O governo americano ativou um site oficial no dia 13 de abril para centralizar os pedidos. O endereço é onecoinremission.com e aceita formulários digitais e envios por correio físico. Podem solicitar indivíduos que registraram compras de pacotes ou moedas OneCoin no período de 2014 a 2019.

O preenchimento do formulário não garante automaticamente o ressarcimento. Agentes federais analisam cada caso individualmente para atestar a perda real de capital. O diretor assistente James Barnacle destacou o compromisso do DOJ em devolver os recursos roubados aos legítimos donos, lembrando que muitas famílias esvaziaram poupanças inteiras atraídas por promessas falsas de valorização.

Quem tem direito ao ressarcimento? Qualquer pessoa que tenha investido na OneCoin entre 2014 e 2019 e possa comprovar a perda por meio de registros de transações, extratos bancários ou comprovantes de compra. O programa cobre vítimas de qualquer nacionalidade, desde que apresentem a documentação exigida no portal oficial.

O esquema bilionário de criptomoedas criado na Bulgária

A OneCoin foi fundada em 2014 por Ruja Ignatova e Karl Sebastian Greenwood, na Bulgária. A dupla vendeu a ideia de uma moeda digital que superaria o Bitcoin, combinando um sistema de marketing multinível com promessas de valorização constante. Ruja, conhecida como “Criptoqueen”, aproveitou o entusiasmo global pelo mercado de ativos digitais para atrair investidores em conferências pelo mundo.

Os fundadores estruturaram uma tática de comissões: investidores antigos recebiam bônus ao vender pacotes de adesão para amigos e parentes. As pessoas compravam as promessas na esperança de minerar novas moedas, mas a OneCoin nunca teve uma blockchain verdadeira. Estima-se que o prejuízo total ultrapasse US$ 4 bilhões, tornando o caso um dos maiores golpes financeiros da história.

O agente especial Ronald Shimko investigou a organização por quase dez anos e explicou que os golpistas garantiam um aumento constante no valor da fração fictícia, sem qualquer lastro real.

A situação dos líderes: prisão, fuga e recompensa

Karl Greenwood foi preso em uma ilha na Tailândia em julho de 2018, extraditado para os Estados Unidos e condenado a 20 anos de prisão. Ruja Ignatova, por sua vez, continua foragida e é procurada por diversas agências de segurança internacionais. O governo americano oferece uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levem à sua captura.

O supervisor Jonathan Luca afirmou que Ruja mantém conexões com organizações criminosas e destacou a importância da cooperação global para localizá-la. As autoridades pedem que vítimas de golpes semelhantes não enviem mais dinheiro aos estelionatários e denunciem o crime por canais oficiais.

O que o investidor brasileiro deve acompanhar

Para brasileiros que investiram na OneCoin, o caminho é acessar o site onecoinremission.com antes de 30 de junho e seguir as instruções de submissão de documentos. É fundamental manter sigilo sobre o caso para não atrapalhar as investigações em andamento. O FBI também mantém um centro online para receber denúncias sobre fraudes semelhantes com criptomoedas. Acompanhe os comunicados oficiais do DOJ e evite qualquer contato direto com pessoas que se apresentem como representantes do esquema — elas podem estar tentando aplicar um novo golpe.

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