Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética do Brasil, vende 200 mil unidades em julho

Ozivy, da EMS, é a primeira caneta de semaglutida sintética do Brasil e já vendeu 200 mil unidades em julho, seu primeiro mês completo.

O medicamento, que custa a partir de R$ 452, é uma alternativa mais barata ao Ozempic para diabetes tipo 2.
Destaques
  • O Ozivy da EMS vendeu 200 mil unidades em julho, seu primeiro mês nas farmácias brasileiras.
  • A semaglutida sintética do Ozivy é produzida por síntese química, diferente do processo biológico do Ozempic.
  • Com preço até 50% menor que o concorrente importado, o Ozivy promete ampliar o acesso a tratamentos para diabetes tipo 2.

O Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética fabricada e aprovada no Brasil, comercializada pela farmacêutica EMS, vendeu 200 mil unidades em julho, seu primeiro mês completo nas farmácias. O medicamento chega com a proposta de oferecer uma alternativa de custo significativamente menor que o Ozempic, mantendo a mesma molécula, porém produzida por síntese química em vez de processo biológico. A rápida aceitação reflete a demanda reprimida por tratamentos acessíveis para diabetes tipo 2 e, indiretamente, para controle de peso.

O que é o Ozivy e como funciona?

O Ozivy é um medicamento injetável de uso semanal, via subcutânea, indicado em bula para adultos com diabetes tipo 2 que não atingem controle glicêmico adequado com outras terapias. Sua molécula ativa, a semaglutida, é um análogo do hormônio GLP-1, que estimula o pâncreas a secretar insulina em resposta à glicose, retarda o esvaziamento gástrico e atua no sistema nervoso central para aumentar a sensação de saciedade. Esse mecanismo reduz os níveis de açúcar no sangue e, como efeito secundário, promove perda de peso.

Diferente do Ozempic, que é um medicamento biológico produzido a partir de células vivas (tecnologia de DNA recombinante), o Ozivy é classificado como um análogo sintético de semaglutida. Sua produção inteiramente por síntese química elimina a necessidade de bioreatores e processos de fermentação, o que reduz custos e permite maior controle de pureza. A Anvisa o registrou como um medicamento novo, não como genérico ou similar, exatamente por essa diferença de processo produtivo.

Qual a diferença entre Ozivy e Ozempic?

Além do preço – o Ozivy custa a partir de R$ 452 por caneta, enquanto o Ozempic (apresentação 0,25/0,5 mg) sai por cerca de R$ 975 – há diferenças técnicas relevantes. O Ozempic é um biológico original, cuja patente expirou em março de 2026, permitindo que outros laboratórios desenvolvessem versões próprias. A EMS optou por um caminho distinto: em vez de copiar o processo biológico, construiu uma plataforma de síntese química de peptídeos, com investimento superior a R$ 1,2 bilhão ao longo de uma década. Isso resultou em uma molécula com estrutura idêntica à semaglutida, mas obtida por rota sintética, o que tecnicamente a enquadra como um análogo sintético e não como um biossimilar.

Na prática, o efeito clínico é o mesmo, mas a classificação regulatória e a produção são distintas. Para o paciente, a diferença se reflete no preço final e na disponibilidade. A EMS oferece ainda um programa de desconto chamado Vida + Leve, onde três canetas de 1 mg saem por R$ 999, o equivalente a R$ 333 por unidade.

Comparativo de preços e apresentações

MedicamentoDosePreço médio (caneta)Produção
Ozivy (EMS)0,25 mg / 0,5 mg / 1 mgR$ 452 (cheio) / R$ 333 (com desconto)Síntese química
Ozempic (Novo Nordisk)0,25 mg / 0,5 mg~R$ 975Biológico (DNA recombinante)

Como usar e quais os efeitos colaterais?

A aplicação é feita uma vez por semana, no abdômen, coxa ou braço, sempre no mesmo dia, independentemente das refeições. O tratamento começa com dose baixa e aumenta gradualmente conforme resposta e tolerância. Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, dores abdominais e sensação de plenitude. Em geral, são transitórios e atenuados com a progressão das doses. Casos de pancreatite, problemas na vesícula biliar ou reações alérgicas graves são raros, mas exigem atenção médica imediata.

O impacto da produção nacional

A fábrica de peptídeos da EMS, em Hortolândia (SP), inaugurada em agosto de 2024 com investimento de R$ 70 milhões, é a responsável pela produção do Ozivy. A empresa já produzia a liraglutida sintética e agora amplia seu portfólio com a semaglutida. A capacidade industrial permite atender a demanda interna e reduzir a dependência de importações de análogos de GLP-1, que movimentam bilhões de reais no mercado brasileiro. A venda de 200 mil unidades em apenas um mês indica que a aceitação foi imediata, e a tendência é que o Ozivy pressione os preços do segmento, beneficiando consumidores e o sistema de saúde.

Com a expiração da patente da semaglutida, outros laboratórios devem entrar no mercado com versões biossimilares ou sintéticas, mas a EMS sai na frente com uma tecnologia que, além de mais barata, oferece escalabilidade. A síntese química tende a ser mais previsível e menos sujeita a variações de lote do que processos biológicos, o que pode ser um diferencial competitivo.

Perspectivas para o mercado brasileiro

O Ozivy não é apenas mais um medicamento; ele representa a consolidação de uma plataforma tecnológica nacional de peptídeos. Em um cenário onde a obesidade e o diabetes tipo 2 atingem proporções epidêmicas no Brasil, ter uma opção de tratamento com preço cerca de 50% menor que o concorrente importado pode transformar o acesso a essas terapias. A expectativa é que as vendas continuem crescendo nos próximos meses, especialmente com a ampliação da cobertura por planos de saúde e o possível uso em programas de saúde pública. O desafio imediato é garantir o abastecimento e monitorar a segurança a longo prazo, já que se trata de um medicamento novo em termos de processo produtivo.

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