Brasil atinge recorde de 4,475 milhões de barris/dia em junho

Com pré-sal em alta, Brasil alcança novo marco histórico na produção de petróleo, impulsionado por Búzios, Tupi e Mero.

Brasil bateu recorde de 4,475 milhões de barris por dia em junho, com destaque para o pré-sal.
Destaques
  • O pré-sal respondeu por 3,699 milhões de bpd em junho, puxado por Búzios, Tupi e Mero.
  • Búzios consolidou a liderança nacional com 1,29 milhão de boe/d, alta de 36%.
  • A Petrobras registrou produção de 3,44 milhões de boe/d em junho, alta de 14,5%.

O Brasil acaba de registrar um novo recorde histórico na produção de petróleo, atingindo 4,475 milhões de barris por dia (bpd) em junho. O número representa um avanço de 4% em relação a maio e impressionantes 19,1% na comparação com junho de 2025, consolidando a trajetória de crescimento impulsionada pelos campos do pré-sal. Com a entrada de novas unidades de produção, o país reforça sua posição como um dos protagonistas globais no setor de óleo e gás.

Pré-sal: o motor do novo recorde

A camada do pré-sal respondeu por 3,699 milhões de bpd na produção de petróleo em junho, puxada principalmente pelos gigantes Búzios, Tupi e Mero. A marca supera o recorde anterior de abril, quando o país havia produzido 4,340 milhões de bpd. O crescimento acelerado reflete a maturação dos investimentos da Petrobras e de suas parceiras em sistemas de produção cada vez mais eficientes na Bacia de Santos.

Entre os fatores técnicos que explicam o desempenho estão a interligação de novos poços, a otimização de plataformas FPSO e a gestão avançada de reservatórios. O pré-sal brasileiro, com seu óleo de alta qualidade e baixo teor de enxofre, continua sendo um dos ativos mais competitivos do mundo em termos de custo de extração.

Os três gigantes que dominam a cena

O campo de Búzios consolidou a liderança nacional ao produzir cerca de 1,29 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em junho, um crescimento de 36% sobre o mesmo mês de 2025. Tupi, segundo maior, elevou sua produção em 4,7%, atingindo 1,10 milhão de boe/d. Já Mero registrou uma das maiores expansões entre os ativos do pré-sal, com um salto de 45,3%, superando também a marca de 1 milhão de boe/d.

Somados, esses três campos responderam por aproximadamente 3,47 milhões de boe/d, quase 60% de toda a produção brasileira de petróleo e gás natural no mês. Para efeito de comparação, o volume extraído apenas por esses três ativos supera a produção total de países como o Canadá.

Produção dos principais campos do pré-sal em junho

CampoProdução (mil boe/d)Variação vs. jun/25
Búzios1.290+36,0%
Tupi1.100+4,7%
Mero>1.000+45,3%
Total (3 campos)3.470—

Petrobras e Shell na vanguarda

A Petrobras registrou produção de 3,44 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em junho, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi impulsionado justamente pela expansão de Búzios e Mero, onde a estatal detém participação majoritária e opera as plataformas. A companhia vem acelerando a entrada em operação de novos FPSOs, como o Almirante Barroso e o Duque de Caxias, que adicionaram capacidade ao sistema.

A Shell manteve-se como a segunda maior produtora entre os consorciados do país, com produção atribuída de 561,6 mil boe/d em junho, avanço de 7,4% na comparação anual. A empresa britânica tem participação relevante em Mero e Tupi, além de outros blocos do pré-sal da Bacia de Santos. O crescimento reflete tanto a maior eficiência operacional quanto a contribuição de novos poços perfurados em áreas de alta produtividade.

Gás natural também atinge novo recorde

A produção de gás natural no Brasil alcançou 217,3 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) em junho, outro recorde histórico. Desse volume, apenas 64,4 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado — um aumento de 4,2% frente a junho de 2025. O restante foi reinjetado nos reservatórios para apoiar a recuperação de petróleo, uma prática comum em campos do pré-sal que maximiza o fator de recuperação dos poços.

A reinjeção de gás é uma estratégia técnica que permite manter a pressão dos reservatórios e, consequentemente, prolongar a vida útil dos campos. No curto prazo, isso reduz a oferta de gás para o mercado interno, mas garante maior eficiência na extração de petróleo — o principal motor econômico do setor.

Produção total e perspectivas

A produção combinada de petróleo e gás natural do país atingiu 5,84 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em junho, crescimento de 4,38% ante maio e de 19,2% na comparação anual. Os números indicam que o Brasil não apenas sustenta o ritmo de expansão, como o acelera, amparado por uma carteira de projetos robusta.

A tendência é de novos recordes nos próximos meses, com a entrada de mais unidades de produção previstas para o segundo semestre, como o FPSO Alexandre de Gusmão (campo de Mero) e o FPSO Maria Quitéria (Jubarte). Além disso, leilões futuros de áreas exploratórias e a conclusão de projetos de revitalização de campos maduros podem adicionar ainda mais capacidade. O pré-sal brasileiro, com seu perfil de baixo declínio e alta produtividade por poço, continuará sendo o principal vetor de crescimento da indústria nacional de óleo e gás.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.