São Martinho (SMTO3) divulga balanço do 1T27 com projeções de queda

Citi e XP projetam queda no 1T27 da São Martinho, com receita e EBITDA pressionados por preços baixos de açúcar e etanol.

São Martinho pode postergar vendas de etanol em meio a preços baixos, enquanto açúcar oferece potencial de alta.
Destaques
  • Citi estima receita líquida de R$ 1,6 bilhão e EBITDA ajustado de R$ 513 milhões para o 1T27 da São Martinho.
  • XP projeta volume de etanol vendido de 199 mil metros cúbicos, queda de 14% em relação ao 1T26.
  • Citi e XP mantêm recomendação neutra para SMTO3, com preços-alvo de R$ 16 e R$ 14,80 respectivamente.

A São Martinho (SMTO3) divulga nesta segunda-feira (10), após o fechamento do mercado, os resultados do primeiro trimestre do ano-safra 2026/27 (1T27), em um período marcado pela queda dos preços de açúcar e etanol com o avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul. As projeções de Citi e XP Investimentos apontam para um trimestre mais fraco na comparação anual, principalmente devido aos preços mais baixos das commodities e à possibilidade de a companhia ter postergado parte das vendas de etanol diante da piora das cotações no início da safra.

O Citi estima receita líquida de aproximadamente R$ 1,6 bilhão e EBITDA ajustado de R$ 513 milhões, queda de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a XP projeta receita líquida de R$ 1,58 bilhão, recuo de 15% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 571 milhões, queda de 29%. Para a XP, a receita deve ser pressionada principalmente pela redução dos volumes de etanol de cana vendidos, estimados em 199 mil metros cúbicos, ante 230 mil metros cúbicos no 1T26, queda de 14%. O banco também projeta preço médio do açúcar de R$ 1.928 por tonelada, contra R$ 2.396 por tonelada um ano antes.

A menor rentabilidade deve ser refletida nas margens. A XP estima margem EBITDA ajustada de 36,1%, ante 43,3% no 1T26, enquanto o EBIT deve ficar em R$ 200 milhões, com margem de 12,6%, contra 16,3% um ano antes.

SMTO3: etanol em foco

Um dos principais pontos de atenção para o balanço será a estratégia comercial da São Martinho para o etanol. A companhia pode ter optado por estocar parte da produção e postergar vendas diante da forte queda dos preços do biocombustível com a entrada da nova safra no mercado. A XP também trabalha com a hipótese de postergação de vendas, o que contribuiria para uma comparação anual ainda mais fraca no trimestre.

O Citi, porém, pondera que a São Martinho possui uma capacidade relevante de armazenagem de etanol, o que permite à companhia aguardar melhores condições de mercado para comercializar os volumes. Apesar disso, o banco não vê grande probabilidade de uma recuperação relevante dos preços do etanol no curto prazo, diante do excedente de oferta no mercado doméstico.

Açúcar pode ser o principal ponto positivo

Embora o cenário de curto prazo seja mais desafiador para o etanol, o açúcar aparece como uma das principais possíveis fontes de alta para a tese da São Martinho. O Citi mantém uma visão positiva para os preços do açúcar, principalmente diante dos riscos climáticos associados ao El Niño e de possíveis impactos sobre a oferta global. Uma safra de cana potencialmente mais curta no Brasil também poderia incentivar uma maior produção de açúcar, especialmente em um cenário de preços internacionais mais favoráveis. Para o banco, portanto, uma eventual alta do açúcar é o principal risco positivo para a tese da companhia.

Custos e alavancagem

Do lado dos custos, a XP espera algum benefício da diluição dos custos fixos diante da recuperação dos indicadores de produtividade no campo e do avanço da colheita. A companhia havia sinalizado anteriormente uma redução de aproximadamente 15% nos custos caixa. No entanto, a alta dos preços dos combustíveis após o pico relacionado ao conflito entre Estados Unidos e Irã pode limitar parte desses ganhos. O Citi, por sua vez, espera aumento da alavancagem da São Martinho no trimestre, refletindo principalmente os investimentos na segunda fase do projeto de etanol de milho e as necessidades de capital de giro.

Balanço deve ter pouco poder de reprecificação

Apesar da expectativa de recuperação operacional no campo, os bancos não veem o 1T27 como um grande catalisador para as ações. A XP avalia que o mercado ainda carece de visibilidade sobre a magnitude das possíveis perdas na produção de açúcar no Sudeste Asiático. Enquanto não houver uma avaliação mais clara sobre um eventual déficit de oferta, o potencial de alta dos preços das commodities deve permanecer limitado.

O Citi, assim como a XP Investimentos, também mantém recomendação neutra para São Martinho, com preço-alvo de R$ 16 por ação, citando os preços ainda fracos de açúcar e etanol e uma geração recorrente de fluxo de caixa livre pouco atrativa. A XP tem preço-alvo de R$ 14,80 para a ação.

Projeções dos bancos para o 1T27 da São Martinho (SMTO3)

IndicadorCitiXP Investimentos
Receita LíquidaR$ 1,6 bilhãoR$ 1,58 bilhão
EBITDA AjustadoR$ 513 milhões (-36%)R$ 571 milhões (-29%)
Margem EBITDA Ajustada36,1% (vs 43,3% no 1T26)
EBITR$ 200 milhões (margem 12,6%)
Volume de Etanol Vendido199 mil m³ (-14% a/a)
Preço Médio do AçúcarR$ 1.928/t (vs R$ 2.396/t no 1T26)
Preço-Alvo (SMTO3)R$ 16R$ 14,80
RecomendaçãoNeutraNeutra

O balanço do 1T27, portanto, chega em um momento de pressão dupla sobre as duas principais commodities da companhia. A estratégia de estocar etanol pode atenuar o impacto imediato, mas não elimina a incerteza sobre o ritmo de recuperação dos preços. No açúcar, o potencial de alta existe, mas depende de variáveis climáticas e da oferta global que ainda não estão totalmente precificadas. Para o investidor de SMTO3, o trimestre deve confirmar a tendência de margens mais apertadas, sem oferecer gatilhos claros para uma reprecificação significativa das ações no curto prazo.

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