A saúde suplementar brasileira atingiu um marco histórico em 2025: pela primeira vez, o setor realizou mais de 2 bilhões de procedimentos assistenciais em um único ano. O número foi divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) por meio do Mapa Assistencial 2025, consolidando dados de consultas, exames, terapias, internações e procedimentos odontológicos. O volume representa um crescimento de 3,7% em relação a 2024 e reforça a pressão sobre um sistema que hoje atende cerca de 53 milhões de beneficiários.
Na prática, foram realizados aproximadamente 5,5 milhões de procedimentos por dia, ou cerca de 230 mil atendimentos a cada hora. A marca evidencia a relevância dos planos de saúde na assistência à população brasileira, mas também acende um alerta sobre a sustentabilidade do modelo diante do aumento contínuo da utilização dos serviços.
Exames lideram o volume de atendimentos
Os exames diagnósticos continuam sendo o principal motor da assistência prestada pelos planos de saúde. Em 2025, foram 1,23 bilhão de exames realizados, alta de 3,9% em relação ao ano anterior. Esse montante representa mais de 60% de todos os eventos assistenciais registrados no período. As consultas médicas totalizaram 288,7 milhões de atendimentos, com crescimento de 1,5%, enquanto os demais atendimentos ambulatoriais somaram 205,7 milhões, avanço de 1,8%.
Internações crescem acima da média
Entre os indicadores que mais chamam a atenção está o aumento das internações hospitalares. Foram 9,9 milhões de ocorrências em 2025, uma elevação de 8,9% na comparação com 2024 – o maior crescimento percentual entre os principais procedimentos. As terapias somaram 71,8 milhões de atendimentos, com alta de 6%, e os procedimentos odontológicos chegaram a 203,7 milhões, crescimento de 6,7%.
Para a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), os números mostram a dimensão da contribuição do setor, mas também reforçam a urgência de medidas que promovam maior eficiência. “Esse cenário torna ainda mais importante investir em prevenção, acompanhamento contínuo dos pacientes, interoperabilidade de dados em saúde e inovação na gestão da assistência”, afirmou Bruno Sobral, diretor executivo da entidade. Segundo ele, o objetivo é oferecer um cuidado mais qualificado sem comprometer o acesso dos beneficiários e a sustentabilidade de longo prazo do sistema.
O que o recorde de procedimentos significa para o consumidor
O aumento expressivo no uso dos planos de saúde, especialmente nas internações, tende a pressionar os custos assistenciais das operadoras. Historicamente, esse movimento se reflete nos reajustes anuais aplicados às mensalidades, tanto nos planos individuais e familiares (regulados pela ANS) quanto nos coletivos empresariais e por adesão. Quanto maior a utilização, maior o desafio de equilibrar as contas sem repassar integralmente o custo ao beneficiário.
Para o consumidor, o cenário reforça a importância de conhecer bem as coberturas do seu plano e de adotar uma postura preventiva. Ações de promoção da saúde, como a realização de check-ups regulares e o acompanhamento de doenças crônicas, podem ajudar a evitar internações mais graves e caras. Além disso, vale a pena verificar se a operadora oferece programas de gestão de saúde, como acompanhamento de diabéticos ou hipertensos, que costumam melhorar os desfechos clínicos e reduzir a necessidade de procedimentos de alta complexidade.
O que verificar no seu plano de saúde
Diante do aumento da demanda e da pressão sobre os custos, o beneficiário deve ficar atento a alguns pontos na hora de avaliar a renovação ou a contratação de um plano:
- Rede credenciada: confira se os hospitais, laboratórios e clínicas da sua região têm boa cobertura e estão atualizados no site da operadora.
- Coparticipação: entenda se o plano cobra um percentual sobre cada procedimento. Em momentos de alta utilização, esse modelo pode onerar o bolso do consumidor.
- Carências: verifique os prazos para procedimentos específicos, especialmente cirurgias e internações, que devem ser cumpridos antes da cobertura completa.
- Programas de prevenção: operadoras que investem em acompanhamento contínuo tendem a oferecer melhor relação custo-benefício no longo prazo.
A marca de 2 bilhões de procedimentos é um retrato da relevância da saúde suplementar no Brasil, mas também um sinal de que o modelo precisa evoluir. Para o consumidor, a melhor estratégia continua sendo a informação: conhecer os direitos, as coberturas e as ferramentas disponíveis no plano para usar o sistema de forma consciente e sustentável.

