O Deftones dominou o primeiro dia do Lollapalooza Chile com uma apresentação que equilibrou brutalidade e delicadeza, um marco que deixou os fãs brasileiros ainda mais ansiosos para a sexta-feira (20), quando a banda se apresenta na edição nacional do festival. O setlist executado em Santiago serve como um roteiro preciso do que o público pode esperar no Autódromo de Interlagos, revelando uma curadoria que navega por toda a carreira da banda com ênfase especial no mais recente trabalho, private music, lançado em 2025.
A estrutura do show mescla novo material e hinos consagrados
A jornada sonora iniciou com o clássico “Be Quiet and Drive (Far Away)”, uma abertura estratégica que conecta gerações de fãs. A transição para o novo álbum foi imediata, com “my mind is a mountain” e “locked club”, demonstrando a confiança da banda no material fresco. Essa alternância entre eras definiu o ritmo do espetáculo, com pesados riffs de “Diamond Eyes” e “Rocket Skates” contrastando com a atmosfera etérea de “Sextape” e “Rosemary”.
O álbum private music ocupa posição central no repertório
Com cinco faixas presentes – “my mind is a mountain”, “locked club”, “ecdysis”, “infinite source” e “cut hands” –, o álbum de 2025 não é tratado como um simples complemento, mas como a espinha dorsal do setlist atual. A performance dessas músicas em Santiago mostrou que elas já foram assimiladas ao cânone da banda, recebendo reações tão intensas quanto os clássicos. A inclusão de “milk of the madonna” no corpo principal do show, antes do bis, reforça essa centralidade.
O bis foi uma sequência poderosa de hinos definitivos
Após encerrar o set principal com a intensidade de “Genesis” e “milk of the madonna”, o Deftones retornou ao palco para um triplo final arrasador. “Cherry Waves” trouxe a melancolia característica, servindo como uma respiração antes da avalanche final. “My Own Summer (Shove It)” elevou a energia ao ápice, com o público cantando cada palavra. O fechamento com “7 Words”, um dos hinos mais agressivos e icônicos do catálogo, foi uma declaração de força, deixando claro que a banda mantém toda a ferocidade das origens.
A expectativa para o Lollapalooza Brasil atinge novo patamar
O setlist do Chile funciona como um blueprint quase certo para o show no Brasil. Fãs que acompanharam a transmissão ou os vídeos nas redes sociais agora têm a oportunidade de se preparar, revisando tanto os novos temas quanto os clássicos. A presença de músicas como “Hole in the Earth” e “Change (In the House of Flies)” garante que o lado mais melódico e atmosférico do Deftones também terá seu espaço ao lado dos momentos mais pesados.
A performance no Chile destacou a evolução sonora da banda
Mais do que uma simples lista de músicas, a apresentação no Lollapalooza Chile evidenciou a maturidade do Deftones como grupo ao vivo. A transição entre os diferentes registros sonoros – do metal alternativo à ambientação shoegaze – foi executada com fluidez, demonstrando o domínio técnico e a coesão da formação atual. A voz de Chino Moreno navegou com precisão entre os sussurros e os gritos desgarrados, enquanto a base instrumental, liderada por Stephen Carpenter e Sergio Vega, construiu paredes de som tanto densas quanto detalhadas.
A curadoria do setlist reflete um equilíbrio cuidadoso
Analisando a ordem das músicas, é possível perceber uma construção narrativa. A banda evita aglomerar todas as novidades ou todos os clássicos em um único bloco, preferindo uma montanha-russa emocional que mantém o público engajado do início ao fim. A colocação de “Rosemary”, uma faixa progressiva e expansiva de Koi No Yokan, antes de mergulhar nas texturas mais experimentais de “ecdysis” e “infinite source”, foi um exemplo desse cuidado. Essa dinâmica promete ser reproduzida no Brasil, oferecendo uma experiência completa.
A apresentação do Deftones no Lollapalooza Brasil se configura não apenas como um dos pontos altos da sexta-feira do festival, mas como um evento essencial para fãs de rock alternativo e metal. O setlist testado e aprovado no Chile, rico em nuances e potência, é a promessa de um espetáculo que honra o legado da banda enquanto afirma sua relevância e vitalidade criativa no cenário musical atual. A combinação de nostalgia e novidade, executada com a intensidade característica do grupo, transforma a expectativa em certeza de um show histórico.

