A crise do agronegócio, que já dura praticamente três anos, pode estar prestes a acabar. Entre desastres climáticos, guerras e juros altos, o cenário parece mais positivo para 2027. O JP Morgan já indicou qual a sua ação preferida para ganhar com essa retomada: a gigante de grãos SLC Agrícola (SLCE3).
Uma das maiores produtoras brasileiras de commodities agrícolas, a empresa tem foco no cultivo de soja, algodão e milho, além de atuar na produção de sementes e na criação de gado de forma integrada à lavoura. Nos últimos 12 meses, a ação subiu quase 27% e, desde o início do ano, já se valorizou 27,7%, ante 31,64% e 15,70% do Ibovespa, principal índice da bolsa de valores.
O banco elevou a recomendação para as ações, de neutro para compra, e também elevou o preço-alvo para o final de 2027, de R$ 18 para R$ 23, o que representa um potencial de alta de 36,5% em relação ao último fechamento, que foi de R$ 16,85.
O que pode impulsionar a rentabilidade da SLC Agrícola, segundo o JP Morgan
Para o JP Morgan, há uma mudança relevante no mercado da SLC Agrícola que os investidores ainda não precificaram: o aumento recente dos preços dos grãos. Isso vem de uma oferta global mais apertada e redução no nível de estoque de algumas commodities, enquanto a demanda volta a se fortalecer e mantém esses preços elevados por mais tempo.
No caso da soja, o estoque do grão nos Estados Unidos está ficando cada vez mais apertado, e uma perda de produtividade decorrente do El Niño poderia ter impacto relevante nos preços. Apenas 58% das plantações de soja nos Estados Unidos estão com uma classificação de qualidade boa ou excelente, versus 61% no ano passado, o que abre espaço para empresas brasileiras aumentarem as exportações. Já a China tem aumentado o esmagamento do grão, que voltou a ter margem positiva. Essa commodity é usada em ração animal e na alimentação humana, além do uso em biocombustíveis. Isso também abre espaço para um aumento no apetite chinês por importações. Globalmente o nível de estoques ainda está confortável, mas o aumento dos preços da soja sinaliza que o novo ponto de atenção é ter excedente para exportação. Por isso, a soja está sendo negociada com um prêmio climático e de disponibilidade.
O cenário é parecido ao olhar para o milho: os estoques nos Estados Unidos também estão apertados, e as condições das lavouras estão piores que no ano anterior. Se a safra realmente vier abaixo do esperado, os estoques poderiam minguar rapidamente. Globalmente, os estoques de milho fora da China já estão bastante enxutos. Esse é o indicador de disponibilidade que os importadores costumam acompanhar quando a oferta dos grandes exportadores parece restrita.
Para o próximo ano, o banco vê uma possibilidade relevante de déficit de produção no Brasil, já que é esperado um calendário de plantio apertado nos estados do Norte. Com a demanda doméstica aumentando devido à expansão da produção de etanol de milho, a disponibilidade para exportação deve ser limitada, aumentando o preço. Segundo os cálculos do JP Morgan, essa alta poderia resultar em uma alta de até 10% no Ebitda ajustado do ano que vem. As projeções indicam que o Ebitda deve ser de R$ 3,2 bilhões no ano que vem, alta de 11%, e margem Ebitda ajustada de 34,2%, 3,10 pontos percentuais acima do projetado para 2026.
Custos sob controle melhoram a rentabilidade
Para a SLC Agrícola, um dos seus principais gastos está na compra de fertilizantes e pesticidas: juntos, esses insumos respondem por 40% da SLC, considerando todas as culturas. Nos últimos meses, desde o início da guerra no Oriente Médio, esses custos se tornaram um ponto de preocupação para o agro. A redução global da oferta de petróleo não afeta apenas o custo dos combustíveis; muitos fertilizantes também são feitos a partir desta matéria-prima. No entanto, o susto passou: o JP Morgan destaca que os custos desses insumos já caíram para o patamar anterior ao início da guerra.
Mais do que isso, a SLC adotou uma estratégia que a ajudou a manter os custos sob controle, o que torna a estratégia de compra desses insumos um fator-chave para a rentabilidade da companhia. A empresa comprou esses insumos aos poucos, o que fez com que os custos crescessem abaixo da inflação e as margens avançassem para níveis acima da média histórica. Para a próxima safra, a empresa já adquiriu a maior parte de fertilizantes nitrogenados, potássio e fertilizantes fosfatados que irá precisar, além de 96% dos defensivos agrícolas.
Além da relação entre oferta e demanda, o banco aponta dois fatores que ainda afetam a companhia, um interno e outro externo. Internamente, o endividamento da empresa deve cair nos próximos meses. A alavancagem deve recuar em 2027, voltando para 2,0 vezes ao final do ano. O aumento do Ebitda e a redução dos investimentos devem colaborar para isso e melhorar o fluxo de geração de caixa. Além disso, o risco do El Niño já está precificado, ou seja, os investidores já consideraram possíveis perdas de produtividade com o fenômeno climático ao avaliar o preço da ação da empresa.
Com a combinação de preços mais altos de grãos, custos de insumos controlados e desalavancagem financeira, a SLC Agrícola se posiciona como a escolha preferencial do JP Morgan para capturar a retomada do setor. O potencial de alta de 36,5% indicado pelo banco reflete a expectativa de que o mercado ainda não incorporou totalmente esses fatores positivos, abrindo uma janela de oportunidade para investidores que acreditam na virada do ciclo do agronegócio brasileiro.

