A Superintendência de Seguros Privados (Susep) publicou a edição de maio de 2026 do seu boletim estatístico, oferecendo um raio-x detalhado do desempenho do mercado de seguros, previdência complementar aberta e capitalização no Brasil. Os dados, que abrangem o acumulado dos primeiros cinco meses do ano, indicam uma ligeira retração nas receitas totais do setor, mas revelam crescimentos expressivos em segmentos específicos, como seguro de vida e seguro auto. Para o consumidor brasileiro, os números ajudam a entender para onde está indo o dinheiro dos prêmios pagos e como o mercado está se comportando em um cenário econômico desafiador.
Panorama geral: receitas e pagamentos em queda nominal
Nos cinco primeiros meses de 2026, o setor supervisionado pela Susep registrou receitas totais de R$ 172,89 bilhões. Esse montante representa uma redução nominal de 1,70% em comparação com o mesmo período de 2025. Em outras palavras, o volume de prêmios, contribuições e títulos de capitalização emitidos ficou ligeiramente abaixo do registrado no ano anterior.
Por outro lado, as indenizações, resgates, benefícios e sorteios pagos à sociedade somaram R$ 104,96 bilhões no período. Esse valor também apresentou queda nominal, de 5,06%, em relação aos cinco primeiros meses de 2025. Isso significa que, embora o setor tenha arrecadado menos, também pagou menos aos segurados e beneficiários, o que pode refletir tanto uma redução na sinistralidade quanto mudanças no perfil de resgates de produtos de acumulação, como o VGBL.
Seguros de danos e pessoas (excluindo VGBL) mostram fôlego
Quando se analisa exclusivamente os seguros de danos e pessoas, excluindo-se o VGBL, o cenário é de crescimento. O setor arrecadou R$ 93,69 bilhões de janeiro a maio de 2026, um aumento nominal de 6,37% frente ao mesmo período de 2025. Esse dado sugere que, apesar da retração no total geral, os seguros tradicionais de proteção patrimonial e pessoal continuam aquecidos, impulsionados pela percepção de risco e pela necessidade de proteção financeira.
Seguro auto cresce acima da inflação
Um dos destaques do boletim é o seguro auto, que alcançou R$ 25,41 bilhões em prêmios nos cinco primeiros meses do ano. O crescimento nominal foi de 5,82%, o que, descontada a inflação do período, resulta em um crescimento real de 1,48%. Esse avanço real indica que o mercado de seguro de veículos está conseguindo repassar os aumentos de custos com peças e mão de obra, ao mesmo tempo que mantém a demanda aquecida. Para o motorista brasileiro, isso significa que os prêmios podem continuar em trajetória de alta, mas o mercado segue competitivo e com oferta de coberturas.
Seguro de vida lidera em crescimento real
O seguro de vida individual foi o grande destaque entre os seguros de pessoas. O segmento registrou um crescimento nominal de 10,51% na comparação com os cinco primeiros meses de 2025. Descontada a inflação, o avanço real foi de 5,99%, o maior entre todos os ramos analisados. Esse desempenho reflete uma maior conscientização da população sobre a importância da proteção familiar e também a oferta de produtos mais flexíveis e acessíveis, com coberturas que vão além da morte, incluindo invalidez e doenças graves.
Produtos de acumulação: fluxo de caixa positivo
Nos produtos de acumulação, como planos de previdência (PGBL e VGBL), a arrecadação de contribuições superou o pagamento de benefícios e resgates em R$ 4,94 bilhões no acumulado até maio. Esse saldo positivo é um indicador de que, mesmo com resgates elevados em momentos de aperto financeiro, o fluxo de novas contribuições ainda é superior, mantendo a saúde do setor. Para quem investe nesses produtos, é um sinal de que o mercado de previdência complementar aberta continua sólido e com capacidade de honrar compromissos futuros.
Resseguro: R$ 12,19 bilhões cedidos
O boletim também aponta que, nos cinco primeiros meses de 2026, R$ 12,19 bilhões dos prêmios emitidos pelas seguradoras foram cedidos em resseguro. Esse mecanismo é fundamental para a estabilidade do mercado, pois permite que as seguradoras compartilhem riscos de grandes sinistros com resseguradoras nacionais e internacionais. Para o segurado, essa prática não altera a relação contratual com a seguradora, mas garante que a empresa tenha capacidade financeira para pagar indenizações em casos de eventos de grande magnitude.
O que esses dados significam para o consumidor?
Os números do boletim da Susep mostram um mercado de seguros resiliente, mas em transformação. A queda na receita total, ainda que pequena, pode sinalizar uma busca do consumidor por produtos mais baratos ou com menos coberturas, em um momento de renda pressionada. Por outro lado, o crescimento do seguro de vida e do seguro auto indica que a proteção essencial continua sendo prioridade.
Para o segurado, a principal lição é a importância de revisar periodicamente sua apólice. Verifique se as coberturas contratadas ainda fazem sentido para o seu momento de vida e se o prêmio está compatível com o mercado. No seguro auto, vale a pena cotar com diferentes seguradoras e avaliar se o aumento do prêmio corresponde a uma melhoria na cobertura ou apenas ao reajuste inflacionário. No seguro de vida, considere incluir coberturas para doenças graves e invalidez, que têm sido cada vez mais valorizadas.
