WEG mira 25% do leilão de baterias do governo para esgotar capacidade de nova fábrica

A WEG está preparando sua nova fábrica em Itajaí para uma corrida histórica pelo mercado de armazenamento de energia. Com inauguração prevista para o terceiro trimestre de 2027, a unidade dedicada a sistemas de baterias (BESS) tem sua capacidade produtiva já disputada por clientes, enquanto a empresa mira uma fatia ambiciosa no leilão federal programado para abril.

Meta da WEG é capturar 25% da capacidade do leilão de BESS

O diretor Harry Schmelzer Neto revelou ao Brazil Journal que a estratégia da companhia é garantir 2 gigawatts/hora dos 8 GW/h que o mercado espera serem contratados no leilão do Ministério de Minas e Energia. “Eu quero pegar 2 GW/h nesse leilão, 25%. It’s enough, dá pra encher nossa fábrica,” afirmou o executivo. O certame, ainda sem edital publicado, deve viabilizar projetos com início de fornecimento em agosto de 2028.

Conteúdo local é a principal vantagem competitiva contra rivais chineses

Enquanto fabricantes globais como Tesla, CATL, BYD e Huawei se preparam para a disputa, a WEG aposta no financiamento via BNDES como diferencial decisivo. “Nosso grande trunfo é o conteúdo local,” destacou Schmelzer. Com linhas do Finame, os clientes da empresa catarinense acessam taxas de juros substancialmente mais baixas, uma vantagem crucial com a Selic em patamares elevados.

Financiamento do BNDES viabiliza produção antecipada antes do leilão

A multinacional já obteve R$ 280 milhões do banco de desenvolvimento através da linha “Mais Inovação”, permitindo que comece a entregar sistemas com baterias antes mesmo da conclusão da fábrica. Um acordo de “nacionalização progressiva” com o BNDES autoriza o financiamento via Finame para equipamentos produzidos durante a fase de implantação da unidade industrial.

Mercado corporativo forma fila por sistemas de armazenamento

“Tem uma fila de empresas negociando orçamentos com a WEG e até disputando sua capacidade fabril,” relatou o diretor. O interesse vem principalmente do setor comercial e industrial, que busca reduzir custos energéticos e aumentar a segurança no abastecimento. Projetos pioneiros já estão em operação, incluindo sistemas que combinam geração solar com baterias.

Projeto em Fernando de Noronha será um dos maiores microgrids do mundo

Entre as iniciativas emblemáticas, a WEG está implementando um sistema que permitirá a Fernando de Noronha operar exclusivamente com energia renovável. A tecnologia combina geração solar fotovoltaica com armazenamento em baterias, criando uma rede elétrica independente que servirá como modelo para ilhas e comunidades remotas.

Sistemas em garagens de ônibus elétricos solucionam gargalo de recarga

Em São Paulo, a empresa instalou BESS em terminais de ônibus elétricos, resolvendo um desafio operacional crítico. As baterias permitem a recarga simultânea de múltiplos veículos sem sobrecarregar a rede elétrica convencional, viabilizando a expansão da frota de transporte público sustentável.

Expansão global coloca WEG em mercados da Finlândia à Austrália

Enquanto prepara a ofensiva no Brasil, a companhia já opera internacionalmente com vendas nos Estados Unidos, contratos na Austrália e Porto Rico, e presença em mercados como Colômbia, México, África do Sul e Finlândia. “Estamos trabalhando em nível global. Conseguimos usar basicamente os escritórios do mundo inteiro,” explicou Schmelzer sobre a estratégia de exportação.

Executivo projeta que negócio de baterias superará divisão solar

“Eu acho que o BESS vai ser ainda maior que o negócio de solar para a WEG,” afirmou o diretor, indicando uma transformação estratégica na empresa tradicionalmente conhecida por motores e equipamentos elétricos. A confiança reflete não apenas as oportunidades domésticas, mas o crescimento global acelerado do mercado de armazenamento energético.

Com capacidade produtiva garantida por financiamento público e demanda aquecida em múltiplos segmentos, a aposta da WEG em baterias representa mais que uma diversificação – é um reposicionamento estratégico para liderar a transição energética brasileira. O sucesso no leilão de abril poderá definir não apenas o futuro da fábrica de Itajaí, mas o papel da indústria nacional em um setor que combina tecnologia de ponta com soberania energética.

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