Zerospace é o sucessor de Starcraft II que todos esperavam

Com facções modulares, mercenários e modo cooperativo, Zerospace promete reviver o RTS competitivo e cooperativo.

Zerospace é um RTS desenvolvido pela Ironward e Starlance Studios, com consultoria de veteranos de Starcraft II.
Destaques
  • Zerospace oferece três facções e cinco grupos mercenários, totalizando 65 unidades jogáveis na demo.
  • O modo Guerra Galáctica adiciona uma camada estratégica cooperativa que pode definir o sucesso do jogo.
  • Apesar de bugs e localização inconsistente, a demo já convence pelo potencial estratégico e diversão.

A nova demo de Zerospace, disponibilizada durante a Steam Next Fest de junho de 2026 pela Ironward e Starlance Studios, reacendeu a esperança dos fãs de RTS: finalmente um título parece pronto para herdar o trono deixado por Starcraft II. Enquanto Stormgate tropeçou e perdeu o multiplayer, Zerospace chega com uma proposta clara, desenvolvida com participação ativa de membros da comunidade de Starcraft II e consultoria de youtubers especializados no jogo da Blizzard. A demo, focada no PVE e no novo modo Guerra Galáctica, entrega uma experiência que, apesar de bugs e uma localização inconsistente, já convence pelo potencial estratégico e pela diversão pura.

O que torna Zerospace um sucessor à altura de Starcraft II?

O grande diferencial de Zerospace está no sistema de facções combinado com grupos de mercenários. No modo escaramuça (base do PVP), o jogador não escolhe apenas uma facção – cada uma com cerca de 13 unidades – mas também um grupo de mercenários, que oferece cinco unidades adicionais e habilidades especiais. Essas habilidades são projetadas para suprir fraquezas da facção principal ou potencializar seus pontos fortes, criando uma profundidade tática rara no gênero. Com três facções e cinco grupos mercenários na demo (e uma facção extra e dois mercenários novos já anunciados), o total chega a impressionantes 65 unidades, sem contar heróis. A sobreposição de arquétipos (como cinco variações de fuzileiros e oito tanques) é justificada pela necessidade de dar opções reais de estratégia, algo que mesmo Command and Conquer não consegue com menos facções. Essa diversidade promete dificultar o balanceamento do PVP, mas torna cada partida única.

Painel unificado e macro simplificada: acessibilidade sem perder profundidade

Outra mudança significativa em relação a Starcraft e Warcraft é o painel unificado de produção, já adotado por Stormgate e outros títulos recentes. Nele, todas as construções e unidades são acessadas em painéis padronizados, eliminando a necessidade de decorar atalhos específicos para cada facção. O jogador pode enfileirar produções – ou seja, ordenar uma unidade ou construção que será executada automaticamente assim que houver recursos disponíveis. Isso simplifica a macro sem reduzir a complexidade tática. Na prática, a interface integrada também exibe todas as habilidades das unidades selecionadas, facilitando o microgerenciamento. Para quem vem de Starcraft II, a adaptação exige algum tempo – a memória muscular pode pregar peças –, mas o jogo oferece dificuldades baixas justamente para isso. A sensação é de um RTS que respeita o veterano, mas estende a mão para novatos.

Guerra Galáctica: o modo cooperativo que pode definir o jogo

O centro da demo é o modo Guerra Galáctica, um metajogo cooperativo que lembra o modo cooperativo de Starcraft II, mas com uma camada extra de estratégia global. O jogador se afilia a uma das três alianças em disputa, completa missões cooperativas (oito mapas na demo) e ganha recursos para investir no mapa da Galáctica, gerando bônus para as próximas missões. A dinâmica é similar a Helldivers II, mas com foco em construir vantagens para a aliança escolhida. Entretanto, há uma limitação importante: na demo, os jogadores não podem usar as unidades dos mercenários no cooperativo, a não ser quando recebem como recompensa de objetivos secundários. Isso contrasta com os inimigos, que utilizam os mercenários livremente, criando uma assimetria que reduz a variedade de estratégias do lado do jogador. Para que o modo realmente brilhe, os desenvolvedores precisam integrar os mercenários aos comandantes jogáveis, além de adicionar mais unidades aéreas e garantir que cada novo comandante ofereça uma experiência de jogo distinta.

Preocupações e expectativas para o lançamento em acesso antecipado

Apesar do entusiasmo, a demo revela problemas que precisam ser endereçados antes do acesso antecipado em 20 de julho. Unidades presas em cenários, IA desligando, unidades flutuando e menus com falhas foram relatados, além de uma localização em português inconsistente que levou muitos a jogar em inglês. Ainda assim, o autor da prévia afirma que, por R$ 50, compraria o jogo imediatamente – sinal de que a diversão supera os bugs. O roadmap pós-lançamento é ambicioso: mais uma facção, dois mercenários adicionais, múltiplos finais para a campanha, sistema de guildas e temporadas para a Guerra Galáctica. A grande preocupação é se o modo cooperativo conseguirá entregar conteúdo variado o suficiente para sustentar o jogo a longo prazo. Hoje, o título tem potencial para oito facções no cooperativo, mas o risco é ter repetição de facções ou deixar os mercenários de fora, o que seria um desperdício. Se a Ironward e a Starlance Studios conseguirem integrar todos os elementos e polir a experiência, Zerospace pode, de fato, tornar-se o sucessor que a comunidade de Starcraft II tanto espera.

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