Ciclo atual do Bitcoin rende menos, e fundador da CryptoQuant espera alta de 3x a 5x

Fundador da CryptoQuant explica por que o Bitcoin não deve repetir altas parabólicas de 10x, mas projeta ganhos entre 3 e 5 vezes no ciclo atual.

Destaques
  • Ki Young Ju projeta retorno de 3 a 5 vezes para o Bitcoin neste ciclo, bem abaixo dos 10x ou mais de ciclos anteriores.
  • O Índice de Lucros e Prejuízos (PnL Index) mostra que a volatilidade extrema do Bitcoin está sendo suavizada.
  • O MVRV do Bitcoin nunca caiu abaixo de 1 neste ciclo, indicando que o mercado como um todo não entrou em prejuízo global.

O Bitcoin não é mais aquele ativo volátil que explodia 10x em questão de meses para depois despencar 80%. O mercado amadureceu, a capitalização de mercado já ultrapassa US$ 1,7 trilhão e a participação de instituições financeiras, bancos e governos mudou a dinâmica dos ciclos — para o bem e para o mal. O lado positivo é que o risco de quedas catastróficas diminuiu; o negativo é que os retornos extraordinários dos ciclos passados também ficaram para trás. Essa é a tese central do fundador da CryptoQuant, Ki Young Ju, que projeta para o atual ciclo de alta um ganho de 3 a 5 vezes, bem abaixo dos padrões históricos de 10x ou mais.

De 10x para 3–5x: a nova matemática dos retornos do Bitcoin

Ki Young Ju publicou uma análise detalhada em suas redes sociais nesta terça-feira (22) explicando por que acredita que o Bitcoin não repetirá os movimentos parabólicos de ciclos anteriores. “Espero que este ciclo de alta do Bitcoin entregue um retorno de 3–5x, em vez de outra alta parabólica de mais de 10x, seguida por um mercado de baixa mais brando”, afirmou. Considerando a máxima recente de US$ 126 mil como referência, isso coloca os alvos entre US$ 378 mil e US$ 630 mil — ou, em valores aproximados para o mercado brasileiro, entre R$ 2 milhões e R$ 3,4 milhões (dependendo da cotação do dólar).

A justificativa do analista não é um palpite solto, mas sim uma leitura de dados on-chain que mostram uma mudança estrutural no comportamento do mercado. “Quando o Bitcoin era menor e dominado pelo varejo, o dinheiro especulativo alimentava altas explosivas e quedas de 80%. Hoje, um mercado muito maior e a crescente participação institucional estão reduzindo ambos os extremos”, escreveu Ju.

O que o PnL Index e o MVRV dizem sobre o ciclo atual

Para sustentar seu argumento, Ju recorreu ao Índice de Lucros e Prejuízos (PnL Index), um indicador que mede a rentabilidade agregada dos detentores de Bitcoin em relação ao preço de aquisição das moedas. O gráfico do PnL Index mostra que tanto os topos quanto os fundos de ciclo estão se formando em níveis de rentabilidade mais elevados, o que indica que a volatilidade extrema está sendo suavizada. “As mesmas forças que limitam a alta também suavizam a queda”, resumiu o fundador da CryptoQuant.

Outra métrica citada é o MVRV (Market Value to Realized Value), que compara o valor de mercado atual com o valor realizado (preço médio de compra de todas as moedas). Ju observou que, neste ciclo, o MVRV nunca caiu abaixo de 1, ou seja, o mercado como um todo jamais entrou em prejuízo global — algo que ocorria com frequência nos ciclos anteriores durante os bear markets. Isso reforça a tese de que a base de investidores está mais sólida e menos propensa a pânicos em massa.

Resposta direta: o que é o PnL Index?

O Índice de Lucros e Prejuízos (PnL Index) é uma ferramenta de análise on-chain que calcula a relação entre o lucro não realizado e o prejuízo não realizado de todos os endereços de Bitcoin. Quando o índice está em níveis elevados, significa que a maioria dos detentores está com lucro expressivo; quando cai, indica que muitos estão no vermelho. No ciclo atual, os picos e vales do PnL Index estão menos extremos do que em 2013, 2017 e 2021, sinalizando que o mercado está mais maduro e menos suscetível a manias especulativas.

A visão contrastante e o futuro do Bitcoin como dinheiro

Nem todo mundo no mercado enxerga o cenário com a mesma moderação. Ric Edelman, renomado gestor de patrimônios nos Estados Unidos, já afirmou que o Bitcoin pode chegar a US$ 500 mil em 2030. Embora as projeções sejam diferentes, ambas convergem em um ponto: o ativo está se consolidando como reserva de valor legítima e o horizonte de longo prazo continua promissor.

Ki Young Ju, no entanto, vai além da simples projeção de preço. Para ele, a redução da volatilidade pode ser o passaporte para o Bitcoin atingir um novo patamar de utilidade. “É justamente isso que atrai capital paciente e de longo prazo, em vez de dinheiro especulativo”, argumentou. “Quando o Bitcoin crescer o suficiente para servir como dinheiro de verdade, o capital nativo da internet poderá transformar o mundo de maneiras que vão muito além do que você imagina.”

A ideia de o Bitcoin se tornar um meio de troca estável o suficiente para ser usado no dia a dia é antiga, mas sempre esbarrou na volatilidade. Se a tendência de suavização dos ciclos se confirmar, o caminho para uma adoção mais ampla como moeda — e não apenas como ativo de investimento — pode se tornar viável. Para o investidor brasileiro, isso significa menos ansiedade com quedas abruptas, mas também a necessidade de ajustar as expectativas: o próximo grande ciclo não vai pagar a aposentadoria em uma única jogada, mas pode construir patrimônio de forma mais consistente ao longo dos anos.

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