A Ubisoft, após um período turbulento de reestruturações e cortes de custos, vê mais um de seus projetos AAA em risco. Segundo relatos recentes, o próximo título da franquia Ghost Recon, conhecido internamente pelo codinome ‘OVR’ e planejado para ser um retorno às origens do jogo em perspectiva em primeira pessoa, está sendo significativamente reduzido em escopo. A decisão segue uma nova rodada de demissões que afetou diretamente a equipe de desenvolvimento.
Demissões na Red Storm impactam desenvolvimento do Ghost Recon OVR
A Ubisoft confirmou a demissão de 105 funcionários de seu estúdio Red Storm Entertainment, conhecido por seu histórico de trabalho em títulos táticos e de tiro. A Red Storm estava profundamente envolvida no suporte ao desenvolvimento do Ghost Recon OVR. Com a remoção dessa equipe chave do projeto, o desenvolvimento foi inevitavelmente desacelerado e seu escopo, reduzido. Fontes internas indicam que o jogo, antes considerado “crítico para o sucesso” da empresa no próximo ano fiscal, agora terá seu lançamento adiado ou seu conteúdo final substancialmente alterado em relação à visão original.
Mudança para primeira pessoa e cenário no Vietnã
O projeto OVR representava uma mudança de rumo ambiciosa para a série Ghost Recon. Após anos com jogos em terceira pessoa, como Ghost Recon Wildlands e Breakpoint, a Ubisoft planejava retornar à perspectiva em primeira pessoa, uma característica dos primeiros títulos da franquia no início dos anos 2000. Vazamentos sugerem que o jogo se passaria durante a Guerra do Vietnã, um cenário histórico inédito para a série, prometendo uma experiência tática mais imersiva e intensa. A proposta incluía modos campanha para um jogador e multijogador.
Corte de custos de 200 milhões de euros pressiona lançamentos AAA
A medida faz parte de um plano agressivo de redução de custos anunciado pela Ubisoft, que busca economizar cerca de 200 milhões de euros nos próximos dois anos. A empresa, que possui uma carteira extensa de jogos AAA em produção simultânea, tem enfrentado pressão dos investidores para equilibrar suas finanças após alguns lançamentos abaixo das expectativas e atrasos recorrentes. Neste contexto, projetos considerados arriscados ou com desenvolvimento problemático são os primeiros a sofrer revisões.
Futuro do catálogo da Ubisoft no próximo ano fiscal
Com o Ghost Recon OVR em apuros, a projeção de lançamentos da Ubisoft para o próximo ano fiscal, que se inicia em abril de 2026, fica mais escassa. O relatório do Insider Gaming aponta que apenas dois grandes lançamentos estariam firmes no planejamento: o aguardado remake de Assassin’s Creed Black Flag e, agora de forma incerta, o próprio Ghost Recon OVR. Esta situação deixa a empresa dependente do sucesso contínuo de títulos de serviço, como Rainbow Six Siege e XDefiant, e do desempenho de seus próximos lançamentos de Assassin’s Creed.
Reação da comunidade e expectativas dos fãs
A notícia foi recebida com frustração pela comunidade de fãs de Ghost Recon, que aguardava há mais de uma década um retorno à fórmula tática e imersiva dos primeiros jogos. Muitos viam a mudança para primeira pessoa e o cenário histórico como um sopro de ar fresco necessário para a franquia. O temor agora é que, com o downsizing, o jogo perca sua ambição original e se torne um produto menor, ou que seu desenvolvimento seja cancelado, como ocorreu com outros projetos da Ubisoft nos últimos anos, como o sucessor de Immortals Fenyx Rising.
Impacto nas operações da Red Storm Entertainment
As demissões na Red Storm não afetam apenas o Ghost Recon. O estúdio, fundado pelo lendário autor Tom Clancy, também estava trabalhando em uma versão 2.0 ou director’s cut de Watch Dogs: Legion. Esse projeto também deve sofrer atrasos ou alterações. A redução da equipe marca mais um capítulo na consolidação dos estúdios da Ubisoft na América do Norte, onde a empresa tem centralizado operações para ganhar eficiência, muitas vezes em detrimento de estúdios menores com identidades próprias.
O cenário atual na Ubisoft é de cautela extrema. Enquanto a empresa tenta se reerguer com sucessos recentes, a sombra dos cortes e reavaliações permanece sobre seu pipeline de produção. O destino do Ghost Recon OVR serve como um símbolo deste momento de transição: uma tentativa ousada de inovar uma IP clássica que esbarra nas duras realidades financeiras do mercado de games moderno. A esperança dos fãs é que a Ubisoft consiga encontrar um caminho para entregar a experiência prometida, mesmo que em um escopo mais modesto, em vez de enterrar mais uma proposta ambiciosa em seus arquivos.

