O Google anunciou em 27 de maio uma atualização significativa em suas funcionalidades de busca com inteligência artificial. A partir de agora, as fontes de notícias que o usuário registra como preferidas nos resultados de pesquisa tradicionais também serão refletidas nas respostas geradas pelo AI Overviews e pelo AI Mode. A mudança representa um movimento estratégico da empresa para garantir que a IA não seja um beco sem saída informativo, mas sim um ponto de partida que direcione o tráfego para sites de confiança escolhidos pelo próprio usuário.
AI Overviews e AI Mode passam a exibir suas fontes favoritas
A funcionalidade Preferred Sources (Fontes Preferidas, em tradução livre) permite que o usuário cadastre manualmente sites e portais de notícias de sua preferência. Originalmente lançada em agosto de 2025 nos Estados Unidos e na Índia, a ferramenta priorizava esses veículos na seção “Principais notícias” dos resultados de busca. Em dezembro do mesmo ano, a funcionalidade foi expandida para todo o mundo anglófono, e em 30 de abril de 2026 passou a suportar todos os idiomas, incluindo o português.
Com o anúncio de maio, o Preferred Sources ganha uma nova camada de utilidade: as respostas geradas pelo AI Overviews e pelo AI Mode agora exibem um selo “Preferred” ao lado dos links que pertencem a sites registrados pelo usuário. Na prática, quem configurar suas fontes favoritas verá esses links destacados dentro do resumo de IA, facilitando a identificação do conteúdo que já considera confiável. De acordo com dados do Google, a taxa de cliques (CTR) em links marcados como “Preferred” chega a ser o dobro da média.
Como configurar as fontes preferidas no Google
O processo de configuração é direto e não exige conhecimento técnico. Ao realizar uma pesquisa no Google por um termo relacionado a notícias, o usuário encontra um ícone de estrela ao lado da seção “Principais notícias”. Basta tocar nesse ícone e buscar os sites desejados para adicioná-los à lista. Não há limite de cadastro — é possível incluir quantos veículos desejar. A partir desse momento, sempre que o Google gerar uma resposta de IA sobre aquele tópico, os links desses sites aparecerão com o selo “Preferred” e serão priorizados quando houver empate de relevância.
Novidades visuais: carrossel de artigos e selo “Highly Cited”
Além da expansão das fontes preferidas, o Google introduziu duas novidades na interface dos resultados de IA. Para tópicos em desenvolvimento ou com múltiplas fontes de informação, o AI Overviews agora pode exibir um carrossel de artigos logo após o resumo textual. Nesse carrossel, os links das fontes preferidas também são sinalizados. O Google ainda adicionou um carrossel complementar com perspectivas variadas, extraídas de fóruns, redes sociais e outras plataformas de discussão.
A segunda novidade é o selo “Highly Cited” (Altamente Citado). Esse selo aparece nos resultados de busca ao lado de reportagens que foram referenciadas por um grande número de outros artigos. A ideia é combater a proliferação de conteúdo de segunda mão, ajudando o leitor a identificar rapidamente a fonte primária de uma informação. Caso um artigo cite explicitamente uma fonte “Highly Cited”, o Google também exibe essa relação no resultado da busca.
O contexto do zero clique e a pressão da União Europeia
O momento do anúncio não é coincidência. O AI Overviews já ultrapassou a marca de 2,5 bilhões de usuários mensais, consolidando-se como uma das portas de entrada mais populares para a busca informacional. No entanto, o crescimento da IA gerou um fenômeno conhecido como “zero clique”: o usuário obtém a resposta completa no resumo da IA e não clica em nenhum link. Pesquisas indicam que o AI Overviews pode reduzir a taxa de cliques da primeira posição orgânica em até 60%. Para publishers e sites de notícias, isso representa uma queda brutal de tráfego, justamente no momento em que seu conteúdo é usado para treinar e alimentar os modelos de IA.
Paralelamente, a pressão regulatória sobre o Google aumentou na Europa. Em 26 de maio, o jornal alemão Handelsblatt noticiou que a Comissão Europeia prepara uma multa de vários bilhões de euros contra o Google por violação do Digital Markets Act (DMA). A acusação central é que o Google favorece seus próprios serviços nos resultados de busca. A introdução das fontes preferidas pode ser interpretada como uma resposta indireta a essa pressão: ao colocar nas mãos do usuário a escolha das fontes, o Google argumenta que não está favorecendo ninguém, apenas atendendo a uma preferência explícita do consumidor.
O que isso significa para usuários e publishers no Brasil
Para o usuário brasileiro, a mudança é positiva. O AI Overviews em português ganha um componente de curadoria pessoal que reduz o ruído informacional. Quem confia em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo, UOL, Estadão ou portais especializados em tecnologia poderá ver esses links destacados nas respostas de IA, aumentando a chance de acessar exatamente o conteúdo que considera relevante.
Por outro lado, o sistema ainda depende de uma ação ativa do usuário. Quem não configurar suas fontes preferidas não verá diferença alguma. O comportamento de “ler o resumo e seguir adiante” provavelmente continuará dominante. Para os publishers, o desafio se desloca: agora é preciso conquistar não apenas a relevância algorítmica, mas também o cadastro voluntário do leitor. O Google já disponibilizou um guia específico para webmasters sobre como otimizar seus sites para serem candidatos a fontes preferidas, indicando que a briga por um lugar na lista pessoal de cada usuário será o novo campo de batalha do SEO.
O embate com a União Europeia, combinado com a necessidade de manter publishers como parceiros na alimentação dos modelos de IA, deve empurrar o Google a continuar refinando esse equilíbrio. As regras da busca com inteligência artificial ainda estão sendo escritas — e o Brasil, como um dos maiores mercados de internet do mundo, será parte ativa dessa construção.
Linha do tempo da expansão das Preferred Sources
| Período | Evento |
|---|---|
| Junho de 2025 | Beta no Search Labs para usuários nos EUA |
| Agosto de 2025 | Lançamento oficial nos EUA e Índia (seção “Principais notícias”) |
| Dezembro de 2025 | Expansão global para inglês; aproximadamente 90 mil sites cadastrados |
| Abril de 2026 | Suporte a todos os idiomas, incluindo português; mais de 200 mil sites registrados |
| Maio de 2026 | Integração com AI Overviews e AI Mode; selo “Preferred”, carrossel e “Highly Cited”; 345 mil sites cadastrados |

