A NVIDIA apresentou o RTX Spark durante a COMPUTEX TAIPEI 2026, e os primeiros benchmarks independentes já começaram a circular. Os resultados mostram que o novo chip da empresa verde supera o Apple M5 em 54,1% em um teste de compilação de código com Clang, mas fica atrás do M5 Pro – um desempenho que, embora esperado, revela nuances importantes sobre a estratégia da NVIDIA para o mercado de PCs.
Força bruta de 20 núcleos: RTX Spark contra o Apple M5
O RTX Spark é um superchip para Windows PC que leva o silício do DGX Spark (o GB10) para laptops. Ele integra uma CPU Grace de 20 núcleos (10 Cortex-X925 + 10 Cortex-A725, co-projetada com a MediaTek), uma GPU Blackwell com 6.144 núcleos CUDA e até 128 GB de memória unificada, tudo em um único pacote fabricado em 3 nm da TSMC. No benchmark específico de compilação – que mede o tempo para construir um interpretador Lua com musl libc – o resultado foi direto: RTX Spark: 43.149 pontos (212,5 Klines/segundo). O Apple M5 (10 núcleos) marcou 27.996 pontos, uma diferença de 54,1%.
Essa vantagem, no entanto, não vem de uma superioridade intrínseca de cada núcleo. A Apple projeta seus próprios núcleos desde 2012, com microarquitetura proprietária baseada no conjunto de instruções ARM, que tradicionalmente oferece maior IPC (instruções por ciclo). A NVIDIA, por sua vez, utiliza núcleos ARM Cortex de catálogo – o X925 de alto desempenho e o A725 de eficiência – e compensa com o dobro de threads: 20 contra 10 do M5. É um caso clássico de força bruta vencendo eficiência pura em workloads altamente paralelizáveis como compilação.
Onde o RTX Spark se encaixa: M5 Pro, Intel e AMD no páreo
A comparação com o M5 Pro revela um cenário mais equilibrado. A Apple oferece duas configurações do M5 Pro: 15 núcleos (5 performance + 10 eficiência) e 18 núcleos (6 + 12). No mesmo teste, o M5 Pro de 15 núcleos alcançou 46.374 pontos – apenas 6,95% acima do RTX Spark. Já a versão de 18 núcleos disparou para 55.165 pontos, abrindo uma vantagem de 21,78%. O RTX Spark fica, portanto, claramente acima do M5 básico, praticamente empata com o M5 Pro de entrada e perde para o topo da linha Pro.
Outros concorrentes também aparecem no comparativo. O Intel Core Ultra 9 285HX (24 núcleos, 8 Performance + 16 Eficiência) marcou 45.657 pontos, ligeiramente acima do RTX Spark, mas com consumo energético muito maior. O AMD Ryzen AI Max+ 395 (16 núcleos) ficou com 42.128 pontos, um pouco atrás. Isso sugere que, em CPU, o RTX Spark está no pelotão de frente dos notebooks de alto desempenho, mas não é líder absoluto.
| Processador | Núcleos | Score (Clang) | Diferença vs RTX Spark |
|---|---|---|---|
| Apple M5 | 10 | 27.996 | -54,1% |
| AMD Ryzen AI Max+ 395 | 16 | 42.128 | -2,4% |
| NVIDIA RTX Spark | 20 (10+10) | 43.149 | – |
| Intel Core Ultra 9 285HX | 24 (8+16) | 45.657 | +5,8% |
| Apple M5 Pro (15 núcleos) | 15 (5+10) | 46.374 | +7,5% |
| Apple M5 Pro (18 núcleos) | 18 (6+12) | 55.165 | +27,8% |
O verdadeiro valor do RTX Spark está na GPU e no ecossistema
Reduzir o RTX Spark a um processador de compilação seria ignorar seu propósito real. O grande trunfo da NVIDIA é empacotar uma GPU com 6.144 núcleos CUDA – a mesma contagem da RTX 5070 desktop – em um chip que cabe em laptops finos. Isso significa que, para jogos, a promessa é de mais de 100 fps em WQHD com ray tracing e DLSS ativados. Para IA, o chip entrega 1 petaflop em FP4, e os 128 GB de memória unificada são suficientes para rodar localmente modelos de 120 bilhões de parâmetros, como um LLaMA 3 de grande porte.
Há, porém, um gargalo potencial: a largura de banda da memória. O RTX Spark oferece aproximadamente 273–300 GB/s, enquanto o Apple M5 Max alcança cerca de 614 GB/s. Isso pode impactar a velocidade de geração de tokens em inferência de LLMs, tornando o chip da NVIDIA mais lento nesse aspecto específico. Nos workloads que combinam CPU e GPU – renderização, edição de vídeo, simulações – o equilíbrio entre os componentes será o diferencial.
O que significa esse benchmark para o mercado brasileiro?
Laptops e desktops compactos com RTX Spark devem chegar ao mercado internacional no outono do hemisfério norte de 2026, o que corresponde à primavera brasileira. ASUS, Dell, HP, Lenovo, Microsoft (Surface) e MSI já confirmaram modelos, com Acer e GIGABYTE prometendo lançamentos posteriores. Para o consumidor brasileiro, a grande questão será o preço em reais. A NVIDIA não divulgou valores oficiais, mas considerando que o chip compete diretamente com Apple M5 Pro e Intel Core Ultra 9, é razoável esperar que os notebooks equipados com RTX Spark cheguem ao Brasil na faixa dos R$ 12.000 a R$ 20.000, dependendo da configuração e dos impostos.
O benchmark de compilação com Clang serve como um primeiro termômetro: mostra que a CPU Arm da NVIDIA não é um elo fraco. Ela supera o M5 com folga, empata com o M5 Pro de 15 núcleos e fica atrás apenas do modelo mais potente da Apple e de alguns Intel de ponta. Mas a verdadeira batalha será vencida ou perdida no conjunto GPU + software + ecossistema CUDA. Enquanto os testes de games, renderização e IA não chegarem, o RTX Spark continua sendo uma aposta promissora, mas ainda não totalmente comprovada.
O dado mais relevante, por ora, é que a NVIDIA conseguiu criar um SoC para PC que não decepciona em CPU e tem potencial para revolucionar o segmento de notebooks voltados a criação de conteúdo e inteligência artificial. A era dos PCs com GPU poderosa e CPU apenas suficiente parece ter encontrado um novo protagonista.

