A Lojas Renner fechou o último trimestre de 2025 com resultados que destacam uma performance sólida frente a um mercado desafiador para o varejo de vestuário. Enquanto concorrentes sentiram o impacto de condições climáticas desfavoráveis, a empresa reportou crescimento na receita líquida e, mais significativamente, aceleração nos indicadores de rentabilidade, um feito atribuído diretamente aos ganhos de eficiência operacional obtidos com a plena operação do seu centro de distribuição em Cabreúva, São Paulo.
Resultados financeiros superam expectativas de mercado
A receita líquida consolidada da Renner, que inclui varejo e serviços financeiros, atingiu R$ 4,8 bilhões no quarto trimestre, representando uma alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de doze meses, o valor chegou a R$ 15,8 bilhões, com crescimento de 9,2%. No entanto, os números que mais chamaram a atenção foram os de lucratividade. O EBITDA ajustado do trimestre subiu 9%, alcançando R$ 1,1 bilhão, com a margem expandindo 1,1 ponto percentual para 25,6%, superando as projeções do consenso do mercado em 5%.
Eficiência operacional freia crescimento de despesas
De acordo com Fabio Faccio, CEO da companhia, o segredo para a expansão das margens reside no controle rigoroso dos custos. Enquanto a receita cresceu 4%, as despesas operacionais aumentaram apenas 2%. “Esse resultado positivo vem do nosso modelo, dos investimentos que fizemos nos últimos anos e ganhos de eficiência no modelo, que nos trazem mais assertividade de coleção e melhor gestão de estoque”, explicou Faccio em comunicado. Esse descolamento entre crescimento de receita e custos é um indicador claro de ganhos de produtividade.
O papel central do centro de distribuição de Cabreúva
O principal motor dessa eficiência é o mega centro de distribuição de R$ 1,8 bilhão, localizado em Cabreúva, que após começar a operar em 2023 e se estabilizar em 2024, passou a gerar ganhos concretos no último ano. A infraestrutura permite um modelo de execução de moda “end-to-end”, revolucionando a logística da empresa. Em vez de despachar pacotes padronizados de 12 peças para as lojas, o sistema agora distribui “peça a peça, loja a loja”, com base em algoritmos de predição de demanda.
Algoritmos aumentam assertividade e reduzem necessidade de promoções
Essa inteligência operacional, alimentada pelos dados do centro de Cabreúva, aprende continuamente qual produto tem melhor performance em cada localidade. O resultado é uma gestão de estoque muito mais precisa, coleções mais alinhadas com o desejo do consumidor e, consequentemente, uma menor dependência de markdowns. O CFO Daniel Martins confirmou que no último trimestre a empresa conseguiu efetivamente reduzir o peso das promoções e vender mais itens a preço cheio, refletindo diretamente na margem bruta do varejo, que subiu 0,7 ponto percentual para 56,5%.
Desempenho superior no setor em um trimestre difícil
O contexto torna a performance da Renner ainda mais notável. O quarto trimestre foi particularmente desafiador para o varejo de vestuário, com temperaturas mais amenas em outubro atrapalhando as vendas de itens de verão. Enquanto a C&A registrou uma variação de vendas em lojas comparáveis (same-store sales) negativa de 0,3%, a Renner conseguiu um crescimento positivo de 3,3% no mesmo indicador. Analistas como Danniela Eiger, da XP, destacaram que a venda por metro quadrado da Renner ficou 45% acima da média dos concorrentes diretos.
Braço financeiro mostra crescimento com ressalvas contábeis
O braço financeiro da companhia, a Realize, também apresentou crescimento, com receita avançando 11,6% para R$ 495,4 milhões. O segmento, no entanto, registrou um aumento de 18,7% nas perdas com crédito. A administração esclareceu que o número reflete um impacto puramente contábil da Resolução 4.966 do Banco Central, que alterou as regras para instituições financeiras. Em base comparável, ajustando esse efeito, as perdas da carteira na verdade caíram 2,3%.
Confiança no cumprimento das metas de longo prazo
Diante dos resultados, a administração demonstrou confiança no cumprimento do plano estratégico para o ciclo 2026-2030, apresentado no último Investor Day. As metas incluem a abertura de até 60 novas lojas das marcas Renner e Youcom, expansão contínua da margem através da redução de despesas gerais e administrativas (SG&A) e geração de fluxo de caixa com maior retorno sobre o capital investido. A empresa projeta uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) para as vendas líquidas entre 9% e 13% no período.
Com a ação valorizando 31% nos últimos doze meses e a empresa valendo R$ 15 bilhões na Bolsa, o caso da Renner ilustra como investimentos pesados em tecnologia e logística, quando bem executados e maduros, podem se transformar em uma vantagem competitiva duradoura, capaz de proteger margens e gerar crescimento mesmo em cenários macroeconômicos e setoriais adversos. A maturação de Cabreúva não é apenas uma história de eficiência operacional, mas um caso claro de como a transformação digital no varejo físico se traduz em resultados financeiros superiores.

