Lucro da Tenda salta 390% no quarto trimestre de 2025 com forte desempenho da divisão de concreto

Os resultados da Tenda (TEND3) no quarto trimestre de 2025 surpreenderam o mercado com um crescimento extraordinário. A companhia reportou um lucro líquido consolidado de R$ 104,6 milhões, representando um salto impressionante de 390% em comparação com os R$ 21,3 milhões registrados no mesmo período de 2024. A divulgação dos números foi recebida com entusiasmo pelos investidores, impulsionando as ações da empresa a uma alta de 7,79%, chegando a negociar a R$ 29,47 durante a tarde desta sexta-feira, com picos que ultrapassaram os 10% de valorização intraday.

Divisão de concreto lidera resultado recorde da Tenda

O desempenho excepcional da Tenda foi impulsionado principalmente pela sua divisão tradicional, focada em empreendimentos em concreto. Esta frente de negócios registrou um lucro robusto de R$ 154,9 milhões no período, demonstrando a força operacional e a eficiência do modelo de construção convencional da empresa. O setor de habitação de baixa renda, no qual a Tenda é uma das principais players, continua apresentando demanda consistente, especialmente em regiões metropolitanas onde o déficit habitacional permanece um desafio estrutural.

Desafios na divisão Alea impactam resultados consolidados

Enquanto a divisão de concreto apresentou números expressivos, a unidade Alea, baseada em estruturas pré-moldadas de madeira, enfrentou dificuldades significativas. A divisão registrou um prejuízo de R$ 50,2 milhões no quarto trimestre, resultado que reflete a antecipação de custos e a constituição de provisões adicionais para eventuais despesas futuras. Apesar do resultado negativo, a administração da empresa destaca que a dinâmica operacional da Alea vem apresentando melhorias progressivas, com um processo de redimensionamento em curso.

EBITDA ajustado cresce 37% no período

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) consolidado e ajustado da Tenda atingiu R$ 179,3 milhões no quarto trimestre de 2025, representando um crescimento de 37,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este indicador demonstra a solidez operacional da empresa e sua capacidade de geração de caixa, mesmo diante dos desafios enfrentados pela divisão Alea. A margem EBITDA ajustada se manteve em patamares saudáveis, reforçando a eficiência do modelo de negócios principal da companhia.

Lançamentos de empreendimentos totalizam R$ 5,3 bilhões em 2025

No acumulado do ano de 2025, a Tenda lançou 52 novos empreendimentos, com valor total de venda estimado em R$ 5,3 bilhões. O preço médio por unidade comercializada ficou em R$ 229,2 mil, registrando um aumento de 6% na comparação anual. Este crescimento no ticket médio reflete tanto a estratégia de diversificação geográfica da empresa quanto a incorporação de diferenciais construtivos que agregam valor aos projetos. A carteira de lançamentos demonstra o apetite da companhia por expandir sua presença em mercados estratégicos.

Itaú BBA mantém recomendação outperform para TEND3

O banco Itaú BBA reagiu positivamente aos resultados da Tenda, mantendo sua recomendação “outperform” (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia. Os analistas do banco destacaram que o lucro consolidado veio praticamente em linha com as estimativas, embora com uma composição diferente entre as divisões. A instituição financeira também reafirmou a Tenda como sua principal escolha no segmento de habitação de baixa renda, setor que continua apresentando fundamentos robustos no cenário econômico atual.

Preço-alvo de R$ 44 indica potencial de alta de 49%

Além de manter a recomendação positiva, o Itaú BBA reiterou seu preço-alvo de R$ 44 para as ações da Tenda (TEND3). Considerando o preço de fechamento próximo a R$ 29,47 no dia da divulgação dos resultados, este alvo representa um potencial de valorização de aproximadamente 49% no horizonte de tempo analisado pelo banco. A avaliação leva em consideração tanto os resultados recentes quanto as perspectivas de crescimento da empresa nos próximos trimestres.

Redução no consumo de caixa da Alea sinaliza melhora operacional

Um dos pontos destacados pelo relatório do Itaú BBA foi a redução sequencial no consumo de caixa da divisão Alea. Este movimento, juntamente com o redimensionamento das operações e o processo de verticalização em curso, deve contribuir para diminuir a volatilidade dos resultados desta unidade nos próximos períodos. A administração da empresa tem trabalhado para otimizar a estrutura de custos da Alea, buscando tornar o modelo de construção em madeira mais competitivo e eficiente.

Perspectivas para a operação principal continuam positivas

Os analistas do Itaú BBA mantêm confiança nas perspectivas para a operação principal da Tenda, enxergando espaço para novas surpresas positivas nos próximos trimestres. A divisão de concreto continua apresentando crescimento relevante nas vendas, com uma carteira de projetos que deve sustentar o ritmo de lançamentos nos próximos meses. O ambiente macroeconômico, com taxas de juros em trajetória de moderação, cria condições favoráveis para o setor habitacional como um todo.

Segmento de habitação de baixa renda mantém atratividade

O segmento de habitação de baixa renda, foco principal da Tenda, continua apresentando fundamentos sólidos. O déficit habitacional brasileiro, estimado em milhões de unidades, cria uma demanda estrutural que deve sustentar o mercado por anos. Programas governamentais de incentivo à habitação popular, como o Casa Verde e Amarela, complementam a demanda orgânica, criando um ambiente propício para empresas com expertise neste nicho específico do mercado imobiliário.

Estratégia de diversificação entre divisões mostra resiliência

Apesar dos desafios enfrentados pela divisão Alea, a estratégia da Tenda de manter duas frentes de negócios distintas demonstra resiliência. Enquanto a divisão de concreto apresenta resultados consistentes e crescimento robusto, a unidade de madeira trabalha em seu processo de maturação e otimização operacional. Esta diversificação permite que a empresa explore diferentes modelos construtivos e atenda a preferências variadas do mercado, além de mitigar riscos específicos de cada tecnologia.

Consolidação do setor pode beneficiar players estabelecidos

O cenário de consolidação que vem ocorrendo no setor de construção civil brasileiro tende a beneficiar empresas com escala e solidez operacional, como a Tenda. Players menores enfrentam dificuldades crescentes com o aumento dos custos de insumos e a complexidade regulatória, criando oportunidades para aquisições estratégicas ou crescimento orgânico para companhias com estrutura consolidada. A Tenda, com sua presença nacional e expertise comprovada, está posicionada para capitalizar esta tendência do mercado.

A trajetória da Tenda nos próximos trimestres dependerá da capacidade da empresa em sustentar o crescimento da divisão de concreto enquanto gerencia o processo de ajuste na unidade Alea. O desempenho recente, com um lucro que multiplicou por quase cinco vezes em base anual, demonstra o potencial operacional da companhia quando suas unidades trabalham em sinergia. Para investidores com horizonte de médio a longo prazo, a combinação de valuation atrativo, fundamentos sólidos do setor e posicionamento estratégico no mercado de habitação popular apresenta um conjunto de fatores que merece análise cuidadosa, especialmente considerando o cenário macroeconômico que se desenha para os próximos anos.

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