Claro compra controle da Desktop em negócio de R$ 4 bilhões

A Claro anunciou a aquisição do controle da operadora de banda larga Desktop, em uma transação que avalia a empresa em R$ 4 bilhões. A operadora mexicana vai adquirir 73% do capital, que estava nas mãos da HIG Capital e dos fundadores, pagando R$ 20,82 por ação. Este valor representa um prêmio de 45% sobre o preço que a ação tinha no mercado antes do anúncio.

Detalhes da transação e próximos passos

A negociação, que havia sido antecipada pelo Brazil Journal em outubro de 2025, ainda precisa passar por etapas regulatórias. É necessário o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Além disso, será realizada uma assembleia de acionistas para alterar o estatuto da Desktop. O pagamento será feito integralmente em dinheiro na conclusão do negócio, com ajustes relacionados à dívida líquida da empresa até o momento do closing. Uma parcela de cerca de R$ 175 milhões ficará retida em uma conta escrow, sendo liberada gradualmente ao longo de cinco anos para cobrir eventuais contingências.

OPA pelos 27% restantes e valorização do equity

Como parte do processo, a Claro também terá que realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelos 27% das ações que ainda estão em circulação no mercado. A transação foi estruturada considerando uma dívida líquida de R$ 1,6 bilhão para a Desktop. Com isso, o equity value – o valor correspondente apenas ao capital dos acionistas – chega a R$ 2,4 bilhões. O múltiplo implícito na operação é de 6,2 vezes o EBITDA da Desktop, um valor significativamente acima dos 4,5x em que a empresa negociava antes. Este novo benchmark pode influenciar a referência de preço para outras operadoras regionais de telecomunicações.

Interesse de outros players e estratégia dos vendedores

Fontes próximas ao negócio relatam que o processo de negociação foi prolongado, principalmente devido à falta de pressa dos vendedores para concluir a saída. tanto os fundadores quanto a HIG Capital não estavam urgentemente buscando desfazer-se do controle. Durante o processo, houve interesse manifestado por outros players do setor, como a Vivo, evidenciando o valor estratégico da Desktop no mercado.

História e crescimento da Desktop

A Desktop foi fundada em 1996 por Denio Alves Lindo, um ex-funcionário da IBM que identificou o potencial de expansão da internet fora dos grandes centros urbanos. A empresa se tornou a maior provedora de serviços de internet (ISP) no interior do estado de São Paulo, cobrindo mais de 200 cidades. Em 2025, a Desktop registrou um faturamento de R$ 1,2 bilhão, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior.

Expansão acelerada com entrada do HIG Capital

O crescimento da empresa acelerou substancialmente em 2020, com a entrada do fundo de investimentos HIG Capital. A Desktop saiu de aproximadamente 100 mil clientes para atingir a marca de 1,2 milhão de clientes nas 200 cidades onde opera. Este crescimento foi alcançado através de uma combinação de expansão orgânica e diversas aquisições estratégicas. Em 2021, aproveitando uma janela favorável para IPOs, a Desktop foi listada na Bolsa de Valores, com sua ação valendo inicialmente R$ 23,50 – um valor, portanto, superior ao preço unitário pagado pela Claro nesta aquisição. Mesmo assim, a HIG Capital sai da operação com um retorno estimado de cerca de 6 vezes o capital que investiu na companhia em 2020.

Consolidação do mercado de banda larga no Brasil

A aquisição da Desktop pela Claro representa um passo significativo no processo de consolidação do mercado de banda larga fixa no Brasil. Grandes operadoras nacionalmente consagradas estão avançando sobre ISPs regionais que, como a Desktop, conseguiram ganhar escala e construir bases sólidas de clientes no interior do país. Este movimento reflete uma estratégia de ampliação da capilaridade e do alcance geográfico das grandes telcos. Nos últimos doze meses, a ação da Desktop acumulou uma alta de 77% no mercado, um movimento que ganhou força especialmente após as primeiras notícias sobre uma possível venda para a Claro.

O Bank of America foi o assessor financeiro da Desktop nesta operação, enquanto a assessoria jurídica foi conduzida pelo escritório Pinheiro Neto. A Claro, por sua parte, não trabalhou com assessores financeiros específicos para este negócio, tendo contado apenas com a assessoria jurídica do escritório Veirano Advogados. Esta aquisição fortalece a posição da Claro em um segmento competitivo e reforça a tendência de que a infraestrutura de conectividade, especialmente em regiões fora dos grandes centros, será cada vez mais dominada por grupos com grande capacidade de investimento e integração nacional.

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