Depois de passar algumas horas com uma build de preview de Control Resonant, posso dizer com segurança: a Remedy Entertainment pode ter nas mãos um dos títulos mais fortes de 2026. A impressão inicial é de um jogo que não só honra o legado do primeiro Control, mas ousa reformular quase todos os seus pilares — da narrativa ao combate — e entrega uma experiência que já acumula argumentos sólidos para uma indicação ao GOTY. A build preview, com aproximadamente três horas de jogo, revelou um nível de criatividade, ambição técnica e refinamento de gameplay que coloca Control Resonant em um patamar raro entre as sequências.
Uma nova trama standalone no Remedyverse, mas com a porta aberta para novatos
Quem acompanha a Remedy sabe que a desenvolvedora finlandesa costura uma cronologia compartilhada entre seus títulos desde Alan Wake — com exceção de Max Payne e Quantum Break, IPs que não pertencem ao estúdio. Control Resonant segue essa tradição e expande o chamado Remedyverse, mas a boa notícia é que o jogo foi concebido como uma experiência completamente standalone. A Remedy garante que novos jogadores não ficarão perdidos, e a build confirma isso: antes de iniciar a campanha, há um resumo dos eventos anteriores que contextualiza o que aconteceu na Antiga Casa e o paradeiro de Jesse Faden.
Na trama, Dylan — irmão de Jesse e agora protagonista — deixa sua prisão na Antiga Casa enquanto Jesse desaparece em circunstâncias misteriosas. Tanto Jesse quanto o Conselho passam a depender de Dylan para conter uma quebra de quarentena que ameaça a região. A premissa soa densa para quem não jogou o primeiro Control, mas o jogo fornece contexto suficiente para que qualquer um embarque na história sem se sentir deslocado. Outra novidade importante: pela primeira vez em um título da Remedy, há opções de diálogo que influenciam a progressão — ainda não se sabe o impacto real dessas escolhas no enredo como um todo, mas a presença de elementos de RPG na narrativa é um passo significativo para o estúdio.
Na build testada, três seções distintas estavam disponíveis: o início da campanha com Dylan saindo para Manhattan, uma área já mais avançada na progressão e uma dungeon batizada de Sumidouro. Todas elas entregaram personagens cativantes, diálogos bem escritos e avanços na mitologia do Remedyverse que prometem amarrar pontas soltas dos títulos anteriores.
Gameplay reformulado: a Remedy abraça o RPG de ação com maestria
Historicamente, a Remedy sempre se apoiou em uma fórmula de shooter com um toque especial — seja a câmera bullet-time de Max Payne, os poderes temporais de Quantum Break ou as habilidades paranormais de Control. Em Control Resonant, essa fórmula é deixada de lado em favor de um sistema de RPG de ação completo. E, para surpresa de muitos, a transição parece natural.
Elmeri Raitanen, diretor de arte do jogo, explicou que uma das primeiras decisões da equipe foi liberar todos os poderes de travessia logo na primeira hora de jogo. Nada de campanha introdutória gradual: em pouco tempo, Dylan já possui todas as ferramentas de locomoção necessárias para explorar Manhattan livremente. Essa escolha de design é acertada, pois coloca o foco onde ele realmente importa — nas habilidades de combate, nas armas e na interação com o cenário.
O combate é fluido e extremamente satisfatório. Dylan dispõe de golpes fortes, fracos e um finalizador, cada um vinculado a diferentes tipos de armas que podem ser trocadas no menu. O sistema permite equilibrar táticas de ataques cortantes, contundentes e outras variações conforme a situação. A comparação com o reboot de Doom (2016) surge naturalmente: o jogador está constantemente em movimento, derrotando inimigos menores para recuperar vida e recursos, enquanto lida com oponentes mais fortes que exigem atenção extra. Quando um inimigo é atordoado, é possível executá-lo com animações rápidas e impactantes.
Em trechos bloqueados por barreiras, a progressão só é liberada após derrotar criaturas mais poderosas — os inimigos fracos ressurgem infinitamente, servindo como fonte de cura e recarga da barra de habilidades. Essa mecânica mantém o ritmo acelerado e a tensão constante, algo que funcionou muito bem na prática.
A árvore de habilidades é generosa e variada. Habilidades como o escudo de pedras, que não só protege Dylan mas pode ser combinado com a esquiva para gerar um ataque ofensivo, exemplificam o nível de profundidade do sistema. Esquivas perfeitas e outros elementos típicos de RPGs de ação estão presentes. A única ausência sentida foi a de um parry — um mecanismo que poderia adicionar ainda mais camadas ao combate corpo a corpo, mas que não chegou a comprometer a diversão.
Mundo aberto criativo e atividades secundárias promissoras
Fora do combate direto, Control Resonant oferece um mundo aberto ambientado na ilha de Manhattan. A build preview estava com diversas missões secundárias e conteúdos opcionais bloqueados, mas ainda assim foi possível sentir o potencial do mapa. A Remedy demonstra mais uma vez sua veia criativa: explorar as ruas de Nova York reserva surpresas inusitadas, como uma máquina de vendas fugitiva que, ao ser derrotada, concede um Objeto de Poder poderoso e completamente opcional — algo que sequer estava marcado no mapa, incentivando a exploração genuína.
Há lojas de runas para adquirir melhorias, missões paralelas e, segundo a desenvolvedora, o mapa final será ainda mais recheado, incluindo NPCs com quem interagir e mais atividades. A promessa de um mundo vivo e cheio de mistérios parece estar sendo cumprida.
O Sumidouro: uma dungeon que mescla gravidade invertida e atmosfera onírica
Um dos destaques do preview foi a dungeon chamada Sumidouro. Acessada por um elevador, a área simula uma descida ao fundo do mar — sem água, mas com uma estética que remete ao abismo. Mais do que um cenário bonito, o Sumidouro introduz mecânicas exclusivas, como a inversão de gravidade que evoca o Castelo do Infinito de Demon Slayer. A sensação de flutuar e reposicionar o cenário enquanto enfrenta inimigos é revigorante e mostra o nível de criatividade que a Remedy colocou no level design.
Durante a exploração do Sumidouro, também houve um breve momento musical — algo que remete às icônicas sequências de “Take Control” do primeiro Control e do “Capítulo 4 – Cantamos” de Alan Wake 2. Não chega a ser um ápice nos mesmos moldes, mas indica que a desenvolvedora reserva momentos especiais e surpreendentes ao longo de toda a campanha.
Gráficos impecáveis e tecnologia de ponta: path tracing e DLSS em cena
A build testada rodou em PC — o primeiro teste mundial da versão para computador, já que os previews da Summer Game Fest haviam sido realizados no PS5. Com uma configuração equipada com RTX 5080, Intel i9-13900K e 128 GB de RAM, foi possível observar o jogo em toda a sua glória técnica. Resolução 4K, DLSS ativo e path tracing habilitado entregam uma fidelidade gráfica impressionante.
Elmeri Raitanen comentou que uma das reclamações recorrentes sobre o primeiro Control era a estética brutalista e repetitiva da Antiga Casa — um estilo que, embora apreciado por muitos, cansava visualmente ao longo das horas. Em Control Resonant, a ambientação em Manhattan permite uma variedade muito maior de cenários, todos igualmente criativos e com influências declaradas do filme Origem, de Christopher Nolan, além de outras referências autorais. A forma como a Remedy representa entidades paranormais e efeitos de outros universos é única: a cidade de Nova York é distorcida, mas ainda reconhecível, criando uma tensão visual constante.
A dungeon do Sumidouro, mais uma vez, merece menção especial pela ambientação que emula o fundo do mar sem água, com criaturas e arquitetura que parecem saídas de um pesadelo submarino. A direção de arte da Remedy continua impecável e agora ganhou mais variedade — um acerto necessário para a sequência.
Potencial de GOTY e lançamento no Brasil com preço ajustado
Control Resonant tem data de lançamento marcada para 24 de setembro de 2026 e chegará para PC, PS5 e Xbox Series. A versão brasileira contará com localização completa em PT-BR, incluindo legendas e dublagem, além de preço adaptado para o mercado nacional — uma informação confirmada pela própria Remedy após ajustes no valor da PSN.
Se a build preview for um indicador confiável do produto final, Control Resonant é um jogo que merece toda a atenção do público e da crítica. A mudança de gênero para RPG de ação poderia ter sido arriscada, mas a Remedy mostra domínio absoluto da nova fórmula. Com combate viciante, mundo aberto criativo, direção de arte primorosa e tecnologia gráfica de ponta, o título reúne todos os ingredientes para figurar entre os melhores do ano — e, quem sabe, em algumas listas de GOTY. A expectativa é que o jogo final entregue ainda mais conteúdo e confirme tudo o que esse preview prometeu.

