Faturamento do Fleury atinge R$ 2 bilhões no trimestre com crescimento de 12%

O Fleury, um dos maiores grupos de medicina diagnóstica do Brasil, apresentou resultados financeiros sólidos no último trimestre, mantendo a trajetória de crescimento que tem caracterizado sua performance nos últimos anos. A holding de laboratórios registrou receita líquida de R$ 2 bilhões entre outubro e dezembro, um aumento de 12% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho anual também foi positivo, com faturamento total alcançando R$ 9 bilhões, alta de 8%.

EBITDA trimestral sobe 12,5% impulsionado por eficiência operacional

O indicador de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) do Fleury atingiu R$ 455,9 milhões no quarto trimestre, crescimento de 12,5% na comparação anual. No acumulado do ano, o EBITDA chegou a R$ 2,1 bilhões, com alta de 7,7%. A CEO Jeane Tsutsui destacou que a consistência nos resultados trimestrais é uma obsessão da gestão da empresa. “Apresentar consistência trimestre após trimestre é uma obsessão para a gestão,” afirmou Tsutsui em comunicado aos analistas e investidores.

Lucro líquido supera expectativas do mercado com ajuda de incentivos fiscais

O lucro líquido do Fleury no trimestre foi de R$ 96,3 milhões, aumento de 14,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este foi o único indicador que superou as expectativas do mercado financeiro. Segundo o CFO José Antonio Filippo, a diferença se explica principalmente pelo reconhecimento da Lei do Bem, um incentivo fiscal para empresas que investem em inovação. “Todo ano a gente reconhece a Lei do Bem no quarto trimestre, mas neste ano o efeito foi um pouco maior,” explicou Filippo. “Mas também tivemos ganhos de eficiência que ajudaram o lucro.”

Unidades de atendimento são o principal motor de crescimento com alta de 13,4%

As unidades de atendimento do Fleury foram o grande destaque do trimestre, com crescimento de 13,4% na receita bruta. No ano, o avanço foi de 11,1%. As regiões que mais se destacaram foram São Paulo (excluindo a marca Fleury) com crescimento de 25,5% e Minas Gerais com 21,3%. Este desempenho foi impulsionado pelas aquisições recentes realizadas pela companhia, incluindo a Confiance na região de Campinas, o Hemolab em Minas Gerais, o LSL em Rio Claro e o Femme, uma rede focada em saúde feminina em São Paulo – esta última ainda aguardando aprovação do CADE.

Marca Fleury mantém crescimento sólido às vésperas de completar 100 anos

A marca Fleury, que completará um século de existência em 2026, cresceu 8,6% no trimestre. “Mesmo já estando consolidada, é uma marca onde a gente faz muita diferenciação e inovação,” afirmou a CEO Jeane Tsutsui. Em contraste, o braço de lab to lab – o segmento B2B herdado do Hermes Pardini – cresceu apenas 4%, um resultado que Tsutsui atribui ao fim do contrato que a companhia mantinha com o Hospital Sírio Libanês.

Vertical de Novos Elos avança 24% com medicamentos de alto custo

A vertical de Novos Elos, que reúne serviços como clínicas de infusão de medicamentos, ortopedia e fertilidade, registrou crescimento de 24% no trimestre, alcançando faturamento de R$ 217 milhões. Este desempenho foi impulsionado principalmente pela aplicação de medicamentos de alto custo, como o Zolgensma, utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal. A expansão desta vertical representa uma estratégia da empresa para diversificar suas fontes de receita e oferecer serviços de maior valor agregado.

Disciplina financeira permite conversão de quase todo EBITDA em caixa

O Fleury demonstrou rigor na gestão financeira durante o ano, convertendo praticamente todo o EBITDA em caixa operacional. O CFO José Antonio Filippo atribui este resultado à gestão rigorosa do capital de giro. “A gente olha muito de perto as contas a receber, fornecedores e estoques,” explicou Filippo. Com alavancagem em torno de 1 vez o EBITDA, o grupo afirma ter espaço para continuar investindo tanto em expansão orgânica quanto em novas aquisições.

Estratégia mantida apesar de cenário macroeconômico incerto

Diante de um cenário macroeconômico que inclui eleições no Brasil e tensões geopolíticas globais, a companhia não pretende alterar sua estratégia. “A saúde tende a ser resiliente nesses momentos,” afirmou a CEO Jeane Tsutsui. Para 2026, o foco continuará sendo crescimento orgânico, aquisições oportunísticas e disciplina financeira. Esta abordagem conservadora tem sido recompensada pelo mercado, com a ação do Fleury registrando valorização de 41% nos últimos doze meses, elevando o valor de mercado da empresa para R$ 8,7 bilhões na Bolsa de Valores.

A trajetória do Fleury nos últimos trimestres demonstra como uma combinação de expansão estratégica, gestão financeira rigorosa e foco em eficiência operacional pode gerar resultados consistentes mesmo em ambientes desafiadores. A capacidade da empresa de converter rentabilidade em geração de caixa, mantendo espaço para investimentos futuros, posiciona-a favoravelmente para continuar crescendo e consolidando sua liderança no setor de medicina diagnóstica brasileiro nos próximos anos.

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