Os Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais (Fiagros) seguem em ritmo acelerado de crescimento no mercado brasileiro. Dados da Anbima mostram que a classe captou R$ 5,8 bilhões entre janeiro e maio deste ano, um avanço expressivo de 226,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reforça a tendência de recuperação do segmento após um ciclo mais desafiador e já supera marcos importantes de adesão por parte dos investidores.
Atualmente, os Fiagros contam com mais de 600 mil investidores ativos, número que deve crescer com a recente regulamentação do Fiagro Multimercado, que permite a combinação de diferentes ativos em um único fundo. Para efeito de comparação, a classe fechou 2025 com captação total de R$ 9,1 bilhões e patrimônio líquido de R$ 21,6 bilhões. O desempenho de 2026 já sinaliza que o ano pode superar esses números com folga.
O que são Fiagros e como funcionam?
Os Fiagros são fundos de investimento que reúnem recursos de pessoas físicas e jurídicas para aplicação em ativos ligados ao agronegócio. Entre os principais ativos que compõem as carteiras estão:
- Terras e imóveis rurais;
- Títulos do agronegócio, como CRAs, LCAs e CPRs;
- Participações societárias em empresas do setor;
- Direitos creditórios do agronegócio e cotas de FIDCs;
- Créditos de Carbono do Agronegócio e CBIOs.
A maior parte dos Fiagros negociados na B3 está concentrada em títulos de crédito, o que significa que o retorno do investidor está atrelado à capacidade de pagamento de produtores, cooperativas ou empresas do agronegócio. O principal título utilizado é a Cédula de Produto Rural (CPR), mas os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são os mais presentes nas carteiras atualmente.
Vantagens e riscos dos Fiagros para o investidor brasileiro
Entre as vantagens de investir em Fiagros, destacam-se a diversificação da carteira com exposição ao setor agropecuário — que tem dinâmica própria e baixa correlação com outros mercados — e a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, desde que respeitadas as regras específicas (fundos com mais de 50 cotistas e que distribuam ao menos 95% do resultado). Além disso, os fundos contam com gestão profissional, que define a estratégia de alocação e busca gerar retornos consistentes.
Por outro lado, o investidor precisa estar atento à volatilidade inerente ao agronegócio, influenciada por fatores climáticos, oscilações de preços de commodities e cenário internacional. Apesar disso, a criação do Fiagro Multimercado ampliou as possibilidades de mitigação de riscos ao permitir a combinação de diferentes classes de ativos em um mesmo veículo.
BTG Pactual libera relatório gratuito sobre Fiagros
Para quem deseja se aprofundar no funcionamento e nas estratégias dos Fiagros, o analista Caio Araújo, da Empiricus Research (casa de análise do grupo BTG Pactual), preparou um relatório completo sobre a classe. O material aborda:
- Como os Fiagros funcionam na prática;
- Principais estratégias de investimento;
- Ativos mais comuns nas carteiras;
- Evolução da indústria;
- Desempenho recente da classe.
O relatório está disponível gratuitamente na plataforma BTG Content, e pode ser acessado por qualquer investidor interessado.
O que o investidor brasileiro deve acompanhar daqui para frente
O avanço dos Fiagros em 2026 reflete não apenas a recuperação do apetite por risco, mas também a maturidade regulatória do produto. A ampliação do número de investidores e o aumento da captação indicam que a classe está se consolidando como alternativa relevante de diversificação ao lado dos Fundos Imobiliários (FIIs).
Para o investidor pessoa física, vale acompanhar de perto a evolução dos spread dos CRAs e CPRs, a qualidade dos originadores e a política de distribuição de rendimentos de cada fundo. Como em qualquer investimento, não existe garantia de retorno, e a análise criteriosa da estratégia e do gestor continua sendo o ponto de partida antes de alocar recursos.
