O estúdio ZA/UM, responsável pelo aclamado Disco Elysium e pelo recente Zero Parades: For Dead Spies, protocolou documentação de redução de quadro que pode resultar na demissão de até 32 funcionários, abrangendo todos os departamentos da empresa. O anúncio foi feito nas redes sociais oficiais do estúdio, que também publicou um apelo para que outras desenvolvedoras considerem contratar os profissionais afetados. Segundo a ZA/UM, embora Zero Parades tenha sido recebido com críticas positivas, o desempenho comercial do jogo não foi suficiente para sustentar a estrutura atual da companhia.
Os números da demissão e o desempenho de Zero Parades
O comunicado da ZA/UM afirma que, apesar da aclamação crítica, as vendas de Zero Parades: For Dead Spies ficaram aquém do esperado. A empresa não divulgou números exatos de faturamento, mas deixou claro que a receita gerada pelo título não permite manter a equipe no tamanho atual. A demissão de até 32 pessoas representa cerca de um terço dos aproximadamente 100 funcionários que o estúdio tinha globalmente em outubro de 2025, quando os trabalhadores formalizaram sua união sindical, a ZA/UM Workers’ Alliance. A empresa afirmou que continua consultando e trabalhando com representantes do sindicato durante o processo.
A ZA/UM também destacou que o trabalho dos funcionários demitidos “fez uma diferença duradoura” e “deixou sua marca” tanto em Zero Parades quanto no estúdio como um todo. O tom do comunicado foi de reconhecimento, mas também de necessidade financeira, algo que se tornou recorrente na indústria de games nos últimos anos.
O histórico de turbulências na ZA/UM desde Disco Elysium
Essas demissões pós-lançamento são apenas o capítulo mais recente de uma série de crises que o estúdio enfrenta desde a saída forçada de dois dos cocriadores de Disco Elysium. Robert Kurvitz e Aleksander Rostov, respectivamente diretor do jogo e diretor de arte, foram afastados após um processo que ambos classificaram como uma “tomada de controle fraudulenta” por parte dos executivos. O CEO Ilmar Kompus, por outro lado, acusou a dupla de ter criado um ambiente de trabalho tóxico. Investigações de veículos como Gamesindustry.biz e People Make Games sugeriram que ambas as acusações podem ter fundamento, pintando um quadro complexo de disfunção interna.
Após a saída, os fundadores e outros funcionários veteranos fundaram estúdios concorrentes: Darkmath Games, Longdue Games e Summer Eternal. A ZA/UM já havia realizado demissões em fevereiro de 2024, quando cortou cerca de 25% de sua equipe após o cancelamento de um projeto não revelado. Na época, o número exato de funcionários não foi divulgado, mas a nova leva de cortes aprofunda ainda mais a redução da força de trabalho.
A sindicalização como resposta
Em outubro de 2025, os funcionários remanescentes decidiram se sindicalizar formalmente, criando a ZA/UM Workers’ Alliance, uma das primeiras iniciativas do tipo em estúdios de grande visibilidade no Reino Unido. A decisão veio após meses de instabilidade e cortes anteriores. A existência do sindicato pode ter influenciado a forma como a empresa conduziu o anúncio atual, já que o comunicado menciona explicitamente a consulta contínua com os representantes dos trabalhadores.
O que esperar do futuro da ZA/UM
Com a redução de um terço do quadro, o estúdio perde capacidade de produção e corre o risco de comprometer seus próximos projetos. A ZA/UM não detalhou quais áreas serão mais afetadas, mas a menção a “todos os departamentos” sugere que o impacto é transversal. A empresa também não anunciou se há novos títulos em desenvolvimento ou se pretende focar em updates e suporte para Zero Parades.
Do ponto de vista do mercado, a situação da ZA/UM ilustra o abismo cada vez maior entre aclamação crítica e sucesso comercial no segmento de jogos narrativos e experimentais. Disco Elysium foi um fenômeno cult e de vendas, mas seu sucesso não se repetiu com o spin-off, mesmo com avaliações positivas. A tendência é que o estúdio precise se reestruturar profundamente, possivelmente reduzindo escopo ou buscando parcerias editoriais para sobreviver.
Para os fãs brasileiros, que abraçaram Disco Elysium com entusiasmo, a notícia é mais um capítulo melancólico na história de um dos estúdios mais criativos da última década. Enquanto isso, os profissionais demitidos levam consigo uma expertise rara em design de RPG e escrita literária para jogos, o que pode beneficiar outros estúdios interessados nesse tipo de produção.
