O radialista e humorista Nelson Francisco Alexandre, conhecido artisticamente como Tatá, faleceu na noite de quinta-feira, 12 de março, aos 84 anos. Ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, mas a causa específica da morte não foi divulgada pela família ou pela equipe médica. A informação do óbito foi confirmada pelo locutor Weber Lagana Pinfari, colega de longa data de Tatá, que utilizou suas redes sociais para compartilhar a triste notícia.
Carreira marcada pelo rádio e pela televisão
Com uma trajetória que atravessou décadas, Nelson Tatá Alexandre construiu seu nome como uma das vozes mais carismáticas da comunicação paulista. Iniciando sua jornada no rádio, ele trabalhou em emissoras consagradas como Record, Jovem Pan, Globo e Excelsior, onde desenvolveu seu estilo único que misturava formalidade jornalística com um humor espontâneo e afiado. Sua transição para a televisão foi natural, consolidando-o como uma figura familiar nas casas dos brasileiros.
O sucesso no programa Perdidos na Noite
O ápice de sua popularidade veio com a participação no programa “Perdidos na Noite”, da TV Gazeta, na década de 1980. Foi neste espaço que Tatá formou uma dupla histórica com Carlos Roberto Escova, criando esquetes e quadros de humor que se tornaram icônicos. O programa também é lembrado por ter revelado ao grande público o então jovem Fausto Silva, o Faustão. A química entre Tatá e Escova era tão notável que os levou a realizar apresentações ao vivo por todo o Brasil, conquistando fãs de diferentes gerações.
Passagem por diversas emissoras de TV
Além da Gazeta, o humorista deixou sua marca em outras redes de televisão. Teve passagens pela Record, Bandeirantes e, posteriormente, pelo SBT. No canal de Silvio Santos, integrou a equipe do programa “Viva a Noite”, comandado por Augusto Liberato, o Gugu. Sua versatilidade permitia que transitasse entre o humor puro e a apresentação de quadros mais tradicionais, demonstrando um profundo conhecimento dos meios de comunicação nos quais atuava.
Velório e homenagens póstumas
O corpo de Nelson Tatá Alexandre foi velado na tarde de sexta-feira, 13 de março, no Cemitério Vila Mariana, na zona oeste da capital paulista. Após a cerimônia de despedida, seguiu para cremação no Crematório Vila Alpina, na zona leste da cidade. Ele deixa três filhos: Marisa, Marina e Leandro. A despedida foi acompanhada por familiares, amigos e colegas de profissão, que relembraram não apenas o profissional talentoso, mas o homem de personalidade afável.
Repercussão e legado no meio artístico
A notícia de sua morte gerou uma onda de comoção e homenagens nas redes sociais e na imprensa especializada. O apresentador Milton Neves, colega de profissão, definiu Tatá como “uma figura doce” e lembrou os momentos compartilhados. “O céu ganhou uma figura doce, um humorista que encantou com seu talento e carisma nos icônicos ‘Show de Rádio’ e ‘Perdidos na Noite'”, escreveu Neves em uma publicação emocionada.
Reconhecimento de instituições culturais
O Museu Brasileiro do Rádio e Televisão (MBRTV) também se manifestou, destacando a importância do legado deixado pelo humorista. Em uma postagem no Instagram, a instituição afirmou: “O imenso legado de Tatá para o rádio e para a TV jamais será esquecido. Um dos gigantes do humor e da comunicação, Tatá marcou a história da nossa radiodifusão.” A mensagem reforça o papel do artista não apenas como um entertainer, mas como parte fundamental da memória afetiva e cultural do país.
A partida de Nelson Tatá Alexandre fecha um capítulo significativo da história do humor e da comunicação brasileira. Sua voz, seu timing cômico e sua presença cativante em programas que marcaram época permanecem registrados em arquivos e, principalmente, na lembrança do público que cresceu acompanhando seu trabalho. Em um meio muitas vezes efêmero, sua contribuição demonstra o poder duradouro do talento genuíno aliado à simpatia pessoal, elementos que o transformaram em uma referência para as gerações que o sucederam no rádio e na televisão.

