Mercado de seguros cresce 7,9% no Norte e Nordeste no primeiro trimestre

Desempenho contrasta com estabilidade nacional; segmento de Danos e Responsabilidades cresceu 10,1% na região.

Setor segurador nas regiões Norte e Nordeste movimentou R$ 10,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Destaques
  • Acre, Amapá e Roraima tiveram expansão próxima ou superior a 30% no mercado de seguros.
  • O seguro garantia cresceu 68,1% na região, impulsionado pela retomada econômica e gestão de riscos.
  • Seguradoras devolveram R$ 2,78 bilhões em indenizações e benefícios aos estados do Norte e Nordeste.

O mercado de seguros do Norte e Nordeste registrou um crescimento de 7,9% no primeiro trimestre de 2026, um desempenho que contrasta com a estabilidade observada no restante do país. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), indicam que a região, composta pelos 13 estados abrangidos pelo Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne) — exceto Bahia, Sergipe e Tocantins —, está acelerando a adoção de uma cultura de proteção financeira, tanto por parte de consumidores quanto de empresas.

O avanço foi puxado por todos os segmentos analisados, sinalizando um amadurecimento do setor na região. De acordo com Carlos Luna, presidente do Sindsegnne, os números refletem uma maior conscientização da população sobre a importância do seguro como ferramenta de planejamento e segurança patrimonial. Ele atribui parte desse movimento à capacitação dos corretores, que estão mais preparados para oferecer soluções que atendam às necessidades específicas de seus clientes.

Desempenho por segmento: Danos, Pessoas e Capitalização

O segmento de Danos e Responsabilidades foi um dos destaques, com crescimento de 10,1% na região, mais que o dobro do resultado nacional de 4,8%. Já as Coberturas de Pessoas, que incluem produtos como seguro de vida, apresentaram alta de 7,4%, enquanto o Brasil registrou uma retração de 2,6% no mesmo período. O setor de Capitalização também seguiu na contramão da média nacional, encerrando o trimestre com alta de 5,6%, ante uma queda de 4,6% observada no país.

Entre os estados com desempenho acima da média regional, destacam-se Acre, Amapá e Roraima, todos com expansão próxima ou superior a 30%. Piauí, Paraíba, Rondônia e Amazonas também apresentaram crescimento expressivo. No acumulado até março, a arrecadação do setor na área de atuação do Sindsegnne alcançou R$ 10,5 bilhões, o equivalente a 10% dos R$ 104 bilhões movimentados em todo o Brasil.

Mudança de comportamento: do custo ao investimento em proteção

Para Carlos Luna, os resultados revelam uma transformação na forma como consumidores e empresas enxergam o seguro. “Percebemos uma busca cada vez maior por soluções voltadas à proteção das famílias e dos negócios. O seguro deixou de ser visto apenas como uma despesa e passou a ser encarado como um instrumento de planejamento e segurança”, afirma.

Esse movimento é evidente em produtos específicos. O seguro de vida, por exemplo, cresceu 18,7% na região; o seguro viagem avançou 21,6%; e a previdência privada registrou expansão de 6%, contrastando com a retração verificada no cenário nacional. Outro destaque foi o seguro garantia, com crescimento de 68,1%, e o seguro de responsabilidade civil, que avançou 23,1%. Segundo o setor, esses indicadores acompanham a retomada da atividade econômica e a maior preocupação das empresas com a gestão de riscos.

O papel social do seguro: indenizações e benefícios

Além do impacto econômico, o mercado segurador exerce uma função social relevante. Nos três primeiros meses do ano, as seguradoras devolveram R$ 62,96 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios em todo o país. Desse montante, R$ 2,78 bilhões foram destinados aos estados do Norte e Nordeste abrangidos pelo Sindsegnne.

“Quando ocorre um sinistro, uma doença, um acidente ou uma perda patrimonial, é o seguro que permite a recuperação financeira das famílias e das empresas. Por isso, além de movimentar a economia, o setor desempenha uma importante função social ao devolver recursos à sociedade e contribuir para a estabilidade financeira das pessoas”, conclui o presidente do Sindsegnne.

O que esse crescimento significa para o consumidor

O avanço do mercado de seguros no Norte e Nordeste indica que mais pessoas estão buscando proteção para o patrimônio, a renda e a família. Para o consumidor, isso se traduz em um mercado mais competitivo, com maior oferta de produtos e, potencialmente, condições mais adequadas às suas necessidades. Ao contratar um seguro, é importante verificar se a apólice cobre os riscos mais relevantes para o seu dia a dia, como acidentes, doenças ou danos ao patrimônio, e entender os termos do contrato, como franquia, carência e coberturas inclusas.

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