A MSCI, uma das principais provedoras de índices de ações do mundo, publicou nesta quinta-feira (13) um documento que propõe excluir a Strategy e outras empresas não operacionais de seus índices globais. A medida atinge diretamente a Strategy, maior empresa de tesouraria de Bitcoin do planeta, e a Metaplanet, terceira maior. A resposta da Strategy foi imediata e veio em tom mais duro do que no embate anterior.
MSCI propõe excluir Strategy: entenda a proposta
Essa não é a primeira vez que a MSCI ameaça a Strategy. Em 2025, a provedora já havia sinalizado que removeria empresas com mais de 50% do valor em Bitcoin ou outras criptomoedas. Na ocasião, a Strategy classificou a medida como perseguição política e pediu apoio público. Em janeiro, a MSCI decidiu manter as empresas ameaçadas em seus índices, mas prometeu abrir uma consulta mais ampla sobre o tema. Agora, essa consulta foi formalizada e volta a mirar a Strategy.
O documento define empresas não operacionais como companhias que:
- Criam valor acumulando e mantendo ativos não operacionais;
- Geram pouco caixa com a operação de um negócio real;
- Têm desempenho impulsionado pelos movimentos de mercado;
- Dependem de capital externo para crescer.
Segundo o texto:
“A MSCI está realizando uma consulta sobre uma proposta para definir e classificar empresas não operacionais (“Non-Operating Companies”) como inelegíveis para inclusão nos Índices Globais de Mercado Investível (GIMI) da MSCI.”
O que são empresas não operacionais para a MSCI?
São companhias cujo valor está concentrado em ativos mantidos fora da operação, como Bitcoin ou urânio, e não em produtos ou serviços. Elas têm fluxo de caixa operacional reduzido, desempenho atrelado à volatilidade dos ativos e dependem de captação externa para financiar suas compras. A proposta da MSCI é enquadrar essas empresas como inelegíveis para os índices GIMI.
Por que a MSCI quer excluir empresas como a Strategy?
A provedora entende que índices devem refletir o desempenho de companhias com atividade econômica sustentável, e não de tesourarias concentradas em ativos voláteis. Ao manter empresas não operacionais, os índices perdem precisão como instrumento de alocação e comparação para investidores institucionais. A decisão, portanto, é uma tentativa de preservar a integridade dos benchmarks.
Quem são as empresas afetadas?
A proposta, se aplicada à composição de maio de 2026 do índice MSCI ACWI IMI, resultaria na exclusão de três empresas. Além da Strategy e da Metaplanet, a Yellow Cake plc, que mantém estoques de urânio físico, também estaria na lista. A MSCI afirmou que outras três empresas seriam adicionadas a uma nova lista de observação pública.
“A aplicação do critério proposto ao índice MSCI ACWI IMI, com base na composição de maio de 2026, resultaria na exclusão de três empresas. Além disso, três empresas seriam incluídas em uma nova lista de observação pública criada para essa regra de elegibilidade.”
Atualmente, a Strategy mantém 840.447 bitcoins em caixa, o equivalente a US$ 53 bilhões. A Metaplanet, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto, possui 43.000 bitcoins, cerca de US$ 2,7 bilhões.
| Empresa | Bitcoin em tesouraria | Valor aproximado |
|---|---|---|
| Strategy | 840.447 BTC | US$ 53 bilhões |
| Metaplanet | 43.000 BTC | US$ 2,7 bilhões |
O MSCI ACWI IMI é um dos índices mais abrangentes da provedora, cobrindo ações de grande, médio e pequeno porte em mercados desenvolvidos e emergentes. A exclusão de uma empresa desse índice reduz sua visibilidade entre fundos passivos que gerenciam trilhões de dólares e pode encarecer o custo de capital.
A resposta da Strategy: “O Bitcoin não precisa da MSCI”
Em nota publicada nas redes sociais, a Strategy afirmou que a proposta da MSCI a coloca em desacordo com reguladores, mercados e seus próprios clientes. A empresa destacou que ativos digitais são ativos e que provedores de índices devem medir os mercados, não decidir quais ativos as empresas podem ter. A mensagem encerra com uma declaração direta:
“O Bitcoin não precisa da MSCI. A Strategy também não. $BTC $MSTR”
O tom mais duro em relação ao embate anterior indica uma mudança de postura da empresa. Em vez de pedir apoio público, a Strategy agora adota um discurso de independência, reforçando que sua relevância no mercado não depende do aval de uma provedora de índices. Mesmo assim, a exclusão pode ter efeitos práticos: fundos que replicam os índices da MSCI seriam forçados a vender as ações da empresa, reduzindo a exposição de investidores institucionais ao Bitcoin indiretamente.
O que está em jogo para o mercado de Bitcoin?
Se aprovada, a proposta cria um precedente para que outros provedores de índices adotem critérios semelhantes. Companhias de capital aberto com Bitcoin em tesouraria podem enfrentar dificuldades para atrair investidores institucionais que dependem de benchmarks tradicionais. Por outro lado, a decisão também pode acelerar a criação de instrumentos financeiros alternativos, como ETFs específicos para empresas de criptomoedas, diminuindo a influência dos índices convencionais sobre o setor.
Próximos passos da consulta
A MSCI está recebendo contribuições até o fim de setembro. Os resultados devem ser anunciados em 16 de outubro e, se a proposta for aprovada, as mudanças serão implementadas em novembro. A janela para as empresas afetadas apresentarem contra-argumentos é curta, e o desfecho dependerá da pressão pública e do posicionamento dos investidores.
A decisão da MSCI pode abrir precedente para que outros provedores de índices adotem critérios semelhantes, criando um ambiente menos favorável para empresas que usam Bitcoin como reserva de valor. Para a Strategy, porém, a mensagem é clara: sua tese de tesouraria em Bitcoin não depende de índices tradicionais. Resta saber se o mercado vai concordar.
