A Capcom finalmente trouxe de volta uma de suas franquias mais queridas do período do PlayStation 2, mas que estava em um hiato de duas décadas. Onimusha: Way of the Sword foi anunciado como o novo capítulo canônico da série, e uma demo surpresa, lançada durante o State of Play de junho, já está disponível para o público. Após passar algumas horas com esta amostra no PC, fica claro que o título tem DNA de sobra e mecânicas promissoras, mas um aspecto preocupante pode minar a experiência: a dificuldade excessivamente baixa.
O legado de uma das franquias mais importantes da Capcom
Para entender o peso do retorno de Onimusha: Way of the Sword, é preciso recapitular a origem da série. Tudo começou em 2001 com Onimusha: Warlords, estrelado por Samanosuke Akechi, cujo rosto e voz pertenciam ao ator Takeshi Kaneshiro. A jogabilidade ainda carregava forte influência dos Resident Evil clássicos, com cenários fixos e uma câmera cinematográfica, mas substituía zumbis por um Japão feudal mitológico repleto de criaturas do folclore local, como os Genmas e os Onis.
O sucesso foi imediato, gerando uma franquia que, em um curto espaço de tempo, entregou Onimusha 2: Samurai’s Destiny (2002) e o aclamado Onimusha 3: Demon Siege (2004). Este último é lembrado por contar com a participação do ator francês Jean Reno ao lado de Kaneshiro, consolidando a tendência da Capcom de usar rostos famosos do cinema para alavancar suas produções. Em 2006, Onimusha: Dawn of Dreams encerrou o ciclo da era de ouro, mas suas mudanças visuais e mecânicas mais focadas em elementos de RPG dividiram a base de fãs, resultando em um longo silêncio para a série principal.
Agora, após 20 anos, Onimusha: Way of the Sword assume a responsabilidade de revitalizar a marca, e o fez com uma demonstração que respeita o passado mas olha para o futuro.
Miyamoto Musashi e uma jogabilidade de ação cadenciada
A demo coloca o jogador no controle de um jovem Miyamoto Musashi, cujo rosto é inspirado no lendário ator Toshiro Mifune, e a dublagem fica por conta de Yoshimasa Hosoya, conhecido por dar voz a Reiner Braun em Attack on Titan. A proposta aqui é clara: a Capcom retorna ao estilo cinematográfico dos três primeiros jogos, abandonando a estética de anime que marcou Dawn of Dreams.
A jogabilidade de Way of the Sword é um ponto alto. Ela evolui as mecânicas clássicas de ação com uma camada moderna de profundidade, sem cair nas armadilhas dos soulslike. Não há barra de stamina para limitar ataques ou esquivas, e o ritmo é mais lento e cadenciado, priorizando o posicionamento e o timing preciso dos golpes. O protagonista utiliza o Estilo de Duas Espadas (Niten Ichi-Ryu), katana e wakizashi simultaneamente, permitindo combos rápidos e maior área de dano.
A demo disponibiliza um conjunto robusto de mecânicas, incluindo:
- Issen clássico: O tradicional contra-ataque fatal da série, que exige um timing perfeito para desferir o golpe no último milissegundo antes do ataque inimigo.
- Break Issen: Uma nova variação focada em quebrar a postura de chefes e inimigos com armadura pesada.
- Aparo Perfeito: Um bloqueio preciso que atordoa o oponente, abrindo brecha para finalizações.
- Esquiva Direcional: Um movimento ágil de desvio lateral, substituindo a rolagem pesada.
- Absorção Dinâmica de Almas: A Manopla Oni pode sugar almas vermelhas, azuis e amarelas enquanto Musashi se movimenta.
- Mecânica de Embate (Clash): Um minijogo de “pedra, papel e tesoura” em tempo real, acionado quando os ataques colidem, para quebrar a guarda do oponente.
- Execuções em Cadeia: Permite emendar múltiplos ataques fatais em sequência após atordoar um grupo de inimigos.
Gráficos e otimização na RE Engine: um espetáculo técnico
Rodando na versátil RE Engine, o jogo apresenta uma otimização exemplar no PC. Em uma máquina equipada com AMD Ryzen 7 9800X3D, 32 GB de RAM DDR5 e uma NVIDIA GeForce RTX 5070 Ti, foi possível rodar a demo em 4K com todas as opções gráficas no máximo, incluindo Ray Tracing ativado.
Com DLSS 4.5 no preset Equilibrado e Frame Generation em 2x, a taxa de quadros manteve-se estável em 120 FPS. Mesmo sem a “muleta” da geração de quadros, o jogo não caiu abaixo dos 80 FPS, demonstrando um polimento técnico digno dos melhores lançamentos recentes da Capcom, como Resident Evil: Requiem e PRAGMATA.
O calcanhar de Aquiles: uma dificuldade que preocupa
Se no aspecto técnico a demo impressiona, no balanceamento da dificuldade ela levanta um alerta vermelho. A franquia Onimusha nunca foi conhecida por ser extremamente punitiva como Devil May Cry em seus modos mais difíceis, mas a demo de Way of the Sword apresenta inimigos com uma passividade e baixa vida que chegam a ser preocupantes.
Os Genmas comuns, sejam os menores ou os maiores, morrem com um ou dois golpes de Musashi e raramente oferecem resistência. Mesmo o chefe final da demo, Ganryu Sasaki, que exige o uso de todas as mecânicas ensinadas, não representa um desafio significativo para jogadores experientes em ação. É possível ficar parado esperando ataques que nunca vêm com a agressividade esperada.
A “dificuldade” desta demonstração é ridícula e preocupante. É tão baixa que chega, no meu ponto de vista, a subtrair alguns pontos da aventura.
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A Capcom já se pronunciou, afirmando que o feedback sobre a dificuldade foi ouvido e que a versão final será mais desafiadora. Contudo, o risco de lançar um jogo com um modo “Normal” excessivamente fácil, forçando o jogador a zerar uma vez para liberar um modo mais difícil, é um tiro no pé para uma franquia que precisa reconquistar seu espaço.
Expectativas para setembro e a cronologia oficial
Mesmo com a preocupação central, Onimusha: Way of the Sword tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2026. A demo é curta, com cerca de uma hora, mas mostra um sistema de combate rico, com armas Oni e itens de exploração que prometem adicionar camadas de personalização ao personagem. A trama se passa na década de 1610, no início do Período Edo, posicionando-se cronologicamente logo após os eventos de Dawn of Dreams.
A cronologia oficial da série agora fica assim:
| Jogo | Ano Cronológico | Período Histórico | Protagonista |
|---|---|---|---|
| Onimusha: Warlords | 1560 | Período Sengoku | Samanosuke Akechi |
| Onimusha 2: Samurai’s Destiny | 1573 | Período Sengoku | Jubei Yagyu |
| Onimusha 3: Demon Siege | 1582 / 2004 | Sengoku / Era Moderna | Samanosuke / Jacques Blanc |
| Onimusha: Dawn of Dreams | 1597 – 1598 | Período Azuchi-Momoyama | Soki |
| Onimusha: Way of the Sword | década de 1610 | Início do Período Edo | Miyamoto Musashi (Jovem) |
A expectativa é que o jogo final, previsto para setembro, entregue uma duração de 12 a 15 horas em uma primeira campanha, alinhando-se com outros títulos de ação recentes da Capcom. A base para um grande retorno está aqui, com visuais impressionantes, gameplay refinado e o peso de um legado de 20 anos. Resta saber se a gigante japonesa ouvirá o clamor dos fãs e ajustará a dificuldade para que este novo capítulo não seja apenas uma bela homenagem, mas sim um desafio à altura do nome Onimusha.

