Pesquisa revela que 74% dos brasileiros rejeitam Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher

Uma pesquisa de opinião do PoderData, realizada entre 21 e 23 de março, revela que a escolha da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados é rejeitada por 74% dos eleitores brasileiros. O levantamento, que ouviu 2,5 mil pessoas em todos os estados, mostra que apenas 12% dos entrevistados concordam com a decisão, enquanto 14% não souberam ou não quiseram responder. A pergunta feita aos entrevistados foi direta: “Você concorda com a escolha da deputada federal Erika Hilton, que é uma pessoa trans, para presidir a Comissão da Mulher?”.

Rejeição é majoritária em todos os segmentos da população

Os dados da pesquisa indicam que a discordância com a nomeação da parlamentar transgênero é um sentimento predominante, cortando transversalmente diferentes grupos demográficos. Entre os homens, 76% disseram não concordar com a escolha, contra 11% que apoiam. No grupo das mulheres, a rejeição também é alta, com 72% se declarando contra e 14% a favor. A pesquisa demonstra que a opinião contrária não se concentra em um único gênero, mas é um fenômeno amplamente disseminado.

Faixa etária e região geográfica não alteram predominância da reprovação

A análise por faixa etária mostra que a rejeição permanece acima de 70% em todas as categorias, variando de 71% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, a 75% entre adultos de 25 a 44 anos e também entre pessoas com 60 anos ou mais. Regionalmente, os índices mais elevados de discordância aparecem no Sul do país (81%) e no Centro-Oeste (79%). A região Norte apresentou o menor índice, que ainda assim é majoritário: 69% dos entrevistados discordam da escolha. As taxas de concordância são um pouco mais altas no Norte (17%) e no Nordeste (15%).

Renda e avaliação do governo federal não influenciam percepção do tema

O cruzamento dos dados com a renda familiar revela que a rejeição atinge seu pico, de 81%, entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos. Entre os que ganham até dois salários, 70% discordam, e na faixa de mais de cinco salários, a discordância é de 77%. Curiosamente, a pesquisa do PoderData mostra que a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cria uma divisão clara de opiniões sobre o tema. Tanto entre os que aprovam o governo (74%) quanto entre os que desaprovam (74%), a taxa de discordância com a escolha de Erika Hilton é idêntica. Os percentuais de concordância também são similares: 12% entre apoiadores do governo e 13% entre críticos.

Contexto da eleição e reações políticas ao resultado

Erika Hilton foi eleita para o cargo no dia 11 de março, com 11 dos 21 votos do colegiado da comissão, tornando-se a primeira congressista transgênero a comandá-la na história do Congresso Nacional. A eleição, contudo, não foi pacífica e gerou reações imediatas no meio político. No dia 18 de março, um grupo de deputadas protocolou um recurso contra a escolha junto à Mesa Diretora da Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos críticos mais veementes, divulgando um vídeo sobre o tema e lançando um abaixo-assinado contrário à nomeação.

Resposta da deputada Erika Hilton e consequências éticas

A parlamentar reagiu publicamente às críticas através de suas redes sociais. Em uma publicação na plataforma X, Erika Hilton escreveu: “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, com um destaque na sílaba “cis” – termo que designa pessoas cuja identidade de gênero coincide com o sexo atribuído ao nascimento. A deputada encerrou a mensagem afirmando: “Podem espernear, podem latir”. As declarações, por sua vez, geraram novas ações. Os partidos Novo e Missão protocolaram representações contra Erika Hilton no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Esses processos podem, em última instância, resultar na abertura de procedimentos que levem à cassação do seu mandato.

A pesquisa do PoderData, com margem de erro de dois pontos percentuais e um intervalo de confiança de 95%, oferece um retrato quantitativo da controvérsia. Os números mostram que, para a maioria dos eleitores, a identidade de gênero da deputada é um fator decisivo na avaliação de sua aptidão para liderar uma comissão temática historicamente ocupada por mulheres cisgêneras. O debate transcende alinhamentos políticos tradicionais e aponta para uma discussão profunda sobre representatividade, identidade e os limites da aceitação social de mudanças institucionais simbólicas. O resultado é um dado concreto que alimentará as discussões no Congresso e na sociedade, definindo os contornos de um dos debates mais polarizados da atual agenda política nacional.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.