A inovação portuguesa está em alta no cenário internacional. Dados preliminares do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) de Portugal, com base em informações do Escritório Europeu de Patentes (EPO), apontam que o país registrou um novo recorde no número de pedidos de patentes europeias em 2025. O crescimento sustentado, que já vinha sendo observado nos últimos anos, atingiu um novo patamar, consolidando Portugal como um polo emergente de tecnologia e desenvolvimento na Europa.
Crescimento sustentado impulsionado por universidades e PMEs
O desempenho recorde não é um fenômeno isolado, mas o ápice de uma trajetória ascendente. A análise dos dados revela que o crescimento tem sido puxado por dois vetores principais: o setor acadêmico e as pequenas e médias empresas (PMEs). Universidades e institutos politécnicos portugueses intensificaram sua colaboração com a indústria, transformando pesquisa de ponta em propriedade intelectual com potencial comercial. Paralelamente, PMEs em setores como biotecnologia, software, energias renováveis e indústria 4.0 têm demonstrado uma agressividade incomum na proteção de suas invenções, buscando competitividade no mercado único europeu.
Setores tecnológicos que lideram a inovação portuguesa
Um mergulho nos números desagregados mostra onde a criatividade portuguesa está mais fértil. Tradicionalmente forte, o setor das tecnologias médicas e de diagnóstico manteve sua posição de destaque. No entanto, os maiores crescimentos relativos foram observados em domínios como a inteligência artificial aplicada à agricultura de precisão e gestão de recursos, soluções digitais para cidades inteligentes e novos materiais sustentáveis para a construção civil e a indústria têxtil. Este leque diversificado indica uma economia do conhecimento que está se ramificando e amadurecendo.
O papel decisivo dos incentivos fiscais e do apoio estatal
Especialistas atribuem parte significativa deste sucesso às políticas públicas implementadas nos últimos anos. Programas de incentivo fiscal robustos, como a dedução fiscal em sede de IRC para despesas com Investigação e Desenvolvimento (I&D), e linhas de financiamento específicas para o depósito de patentes internacionais têm reduzido a barreira de custo para empresas, especialmente as de menor porte. Além disso, o INPI tem simplificado processos e oferecido serviços de mentoria, ajudando inventores e empresas a navegarem no complexo sistema de patentes europeu.
Desafios para consolidar a posição no ranking europeu
Apesar do recorde, o caminho para Portugal se equiparar aos grandes centros de inovação da Europa ainda é longo. O país continua numa posição intermediária no ranking geral do EPO, atrás de potências como Alemanha, França e Países Baixos. O principal desafio identificado por analistas é a escala: converter o volume crescente de patentes em produtos e empresas de alto impacto global. Para isso, é necessário fortalecer ainda mais a ponte entre a academia e o mercado, atrair mais investimento de risco (venture capital) especializado em deep tech e fomentar a cultura de spin-offs universitárias.
O recorde de 2025 não é apenas um número, mas um sinal claro de uma mudança de mentalidade na economia portuguesa. Ele demonstra que a aposta no conhecimento, na propriedade intelectual e na diferenciação tecnológica está a dar frutos. O próximo passo, crucial, será transformar esta propriedade intelectual protegida em crescimento económico sustentado, criação de empregos qualificados e uma marca “Portugal” sinónimo de inovação de qualidade no palco global. A capacidade de o país manter esta trajetória nos próximos anos definirá seu verdadeiro posicionamento na nova economia do conhecimento.

