A Simpar, holding controlada pela família Simões, anunciou uma operação de aumento de capital que pode chegar a R$ 3,4 bilhões. O movimento tem como âncora a BNDESPar, braço de participações do BNDES, que fará investimentos diretos nas três principais companhias do grupo: Simpar, Movida e Vamos.
BNDESPar investe até R$ 1,35 bilhão como validação do modelo de negócio
O aporte da BNDESPar será de até R$ 1,35 bilhão, distribuído entre as três empresas. A Simpar receberá até R$ 680 milhões, a Movida até R$ 375 milhões e a Vamos até R$ 300 milhões. Para Fernando Simões, CEO da Simpar, a entrada do banco de desenvolvimento representa um “selo da nossa governança e da geração de valor do nosso negócio”. As negociações começaram há quase um ano e o acordo inclui direitos que permitem à BNDESPar manter participação relevante em futuras operações do grupo.
Preços das ações oferecidas com desconto significativo
A emissão será realizada com descontos em relação aos preços de fechamento do mercado. A Simpar oferecerá ações a R$ 11,24 cada, representando desconto de 5%. Já a Movida colocará papéis a R$ 11,72 (desconto de 12%) e a Vamos a R$ 3,85 por ação (desconto de 10%). Os valores totais da captação são de até R$ 2 bilhões para a Simpar, entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões para a Movida, e entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões para a Vamos.
Diluição controlada da família Simões entre 10% e 18%
O saldo do aumento de capital além do aporte da BNDESPar será contribuído pela JSP Participações, veículo de investimento da família Simões, e por investidores institucionais que ainda não participam do capital da empresa. Estes últimos ficarão abaixo do nível de 5% que exigiria disclosure obrigatório. A participação dos Simões, que hoje detêm 76% do capital da Simpar, será diluída entre 10% e 18% após a operação.
Operação visa reduzir alavancagem após ciclo de investimentos
A necessidade de capital surge após um ciclo intensivo de investimentos entre 2020 e 2024, que elevou significativamente a alavancagem do grupo. Em junho, a agência de rating Fitch rebaixou os ratings globais da Simpar, JSL, Movida e Vamos de BB para BB-, enquanto o rating nacional caiu de AA+(bra) para AA(bra). A alavancagem líquida/Ebitda da Simpar estava em 3,5x no terceiro trimestre, queda de 0,2x em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ainda acima dos níveis considerados confortáveis pelo mercado.
Venda da Ciclus Ambiental já contribuiu para redução de dívida
Antes desta operação, a Simpar já havia iniciado medidas para reduzir sua alavancagem. Em agosto, o grupo vendeu a Ciclus Ambiental para a Aegea por um enterprise value de R$ 1,9 bilhão. Segundo cálculos de analistas do mercado, essa transação deverá ajudar a reduzir a alavancagem da Simpar para cerca de 3,1x. A empresa mantém covenants que estabelecem teto máximo de alavancagem de 4x.
Capital novo reduzirá custos financeiros e acelerará desalavancagem
Embora Fernando Simões afirme que a desalavancagem “poderia acontecer com o tempo, de forma orgânica, com geração de valor”, reconhece que “esse movimento traz capital novo e reduz custos financeiros”. O aumento de capital permitirá não apenas reduzir a dívida da holding, mas também capitalizar diretamente a Movida e a Vamos, duas empresas do grupo que também enfrentam pressões de alavancagem após expansões recentes.
A operação representa um alívio significativo para o grupo em um momento de preocupação do mercado com os níveis de endividamento após o ciclo de alta da taxa Selic. O Bradesco BBI está assessorando a empresa na transação, que deve fortalecer a estrutura financeira da Simpar e suas controladas, proporcionando maior flexibilidade para navegar no atual cenário econômico.

