Vape entrega nicotina até 6 vezes maior que cigarro e acelera danos no coração

Estudo do InCor revela que vapes liberam até seis vezes mais nicotina que cigarro comum, agravando riscos cardíacos e pulmonares.

Cardiologista do InCor alerta sobre os perigos dos cigarros eletrônicos para o coração e os pulmões.
Destaques
  • A nicotina liberada por vapes pode ser até seis vezes maior que a do cigarro tradicional, segundo especialistas do InCor.
  • Usuários de vape devem declarar o hábito ao contratar seguro de vida ou plano de saúde para evitar negativas de cobertura.
  • A ANS permite que operadoras de planos de saúde apliquem carência ou coparticipação diferenciada para usuários de vape.

O uso de cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, representa um risco crescente para a saúde cardiovascular e pulmonar, com potencial de entrega de nicotina até seis vezes maior do que o cigarro tradicional. Esse alerta, emitido por especialistas do Instituto do Coração (InCor), tem implicações diretas para quem contrata ou mantém um plano de saúde ou seguro de vida no Brasil. Entender como esse hábito impacta a avaliação de risco pelas seguradoras e operadoras é essencial para evitar surpresas no momento de utilizar a cobertura.

O que diz a ciência sobre os vapes

Cardiologista Jaqueline Scholz, referência no tratamento do tabagismo no InCor, destaca que os dispositivos eletrônicos não são uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional. Estudos mostram que a concentração de nicotina no sangue de usuários de vape pode ser significativamente superior, acelerando danos ao sistema cardiovascular. A dependência química e comportamental gerada por esses produtos torna o tratamento ainda mais desafiador, exigindo abordagens médicas baseadas em evidências, como a técnica do “fumar restrito” e suporte medicamentoso.

Impacto no seguro de vida e no plano de saúde

Para o mercado segurador brasileiro, o uso de vapes é um fator de agravamento de risco que deve ser declarado no momento da contratação de uma apólice de seguro de vida ou de um plano de saúde. As seguradoras consideram o consumo de nicotina – independentemente da forma – como um elemento que pode elevar o prêmio (valor pago pelo segurado) ou, em alguns casos, levar à exclusão de coberturas para doenças diretamente relacionadas ao tabagismo, como infarto, AVC e doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

O que a ANS diz sobre o tema

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não estabelece uma regra específica para usuários de vape, mas as operadoras de planos de saúde podem aplicar carência ou coparticipação diferenciada com base na declaração do beneficiário sobre o uso de substâncias nocivas. É fundamental que o consumidor seja transparente ao preencher a declaração pessoal de saúde, pois a omissão pode caracterizar fraude e resultar na negativa de cobertura de um sinistro (ocorrência coberta pelo seguro) ou no cancelamento do contrato.

Orientações práticas para o consumidor

  • Declare o uso de vape – Ao contratar um seguro de vida ou plano de saúde, informe corretamente se você faz uso de cigarros eletrônicos. Isso evita problemas futuros com a seguradora ou operadora.
  • Verifique a apólice – Leia atentamente as condições gerais do contrato para entender se há exclusões ou limitações para doenças relacionadas ao tabagismo, incluindo o uso de vapes.
  • Considere a cessação – Parar de fumar, inclusive o vape, é a medida de maior impacto para a longevidade e pode melhorar sua elegibilidade para coberturas mais amplas e prêmios mais baixos no futuro.
  • Busque tratamento médico – Se você é usuário de vape e deseja parar, procure um especialista. O InCor e outras instituições oferecem programas baseados em evidências que aumentam as chances de sucesso.

O que verificar na sua apólice

Antes de renovar ou contratar um novo plano de saúde ou seguro de vida, analise os seguintes pontos:

  • Se o contrato pergunta especificamente sobre o uso de cigarros eletrônicos ou apenas sobre “tabagismo” – muitos ainda não atualizaram a terminologia.
  • Qual o período de carência para cobertura de doenças cardiovasculares e pulmonares.
  • Se há possibilidade de reclassificação de risco após a cessação do uso, com consequente redução do prêmio.

A informação é a melhor ferramenta para proteger sua saúde e seu bolso. Manter um diálogo aberto com seu corretor de seguros e com o médico assistente é o caminho mais seguro para garantir que sua cobertura atenda às suas necessidades reais, sem surpresas no futuro.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.