AR Eletrônica exige biometria e detecção de deepfake para certificados digitais

Por Tech Central - Redação Técnica de Tecnologia

A digitalização da emissão de certificados digitais atinge um novo patamar no Brasil com a regulamentação da Autoridade de Registro Eletrônica (AR Eletrônica) pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). O modelo, estabelecido pela Instrução Normativa 36, elimina a necessidade de interação presencial ou intervenção humana, transferindo todo o fluxo para aplicativos móveis. A operação da AR Eletrônica depende de autorização prévia do ITI e está inicialmente restrita a certificados para pessoa física, excluindo Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) e autoridades do Judiciário e do Ministério Público, que devem utilizar outros métodos de identificação. A chave privada do certificado, um elemento de segurança crítica, deve ser gerada e armazenada exclusivamente por um Prestador de Serviço de Confiança (PSC) credenciado, reforçando a arquitetura de confiança da ICP-Brasil.

Autenticação Biométrica e Validação Automatizada

O cerne do processo da AR Eletrônica reside em um rigoroso protocolo de validação automática de identidade. A emissão do certificado só é autorizada após uma validação biométrica que atinja um nível de “altíssima probabilidade” de correspondência. Essa verificação é feita cruzando os dados biométricos fornecidos pelo usuário em tempo real com as bases oficiais da Carteira de Identidade Nacional (CIN), Identificação Civil Nacional (ICN), Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o próprio sistema biométrico da ICP-Brasil. Essa abordagem múltipla visa criar uma cadeia de confiança digital robusta e baseada em fontes primárias do governo.

Mecanismos de Detecção de Fraude (Liveness e Deepfake)

Para mitigar ameaças modernas de falsificação de identidade, a regulamentação impõe requisitos tecnológicos avançados. Os aplicativos da AR Eletrônica são obrigados a incorporar mecanismos de detecção de vivacidade (liveness). Esses sistemas são projetados para identificar tentativas de fraude que utilizem fotografias estáticas, vídeos pré-gravados ou deepfakes sofisticados, assegurando que a interação biométrica seja realizada por uma pessoa física real e presente no momento da solicitação. A integridade do dispositivo móvel do usuário também passa por verificações para detectar possíveis comprometimentos de segurança.

Criptografia e Rastreabilidade do Processo

A segurança da transmissão e do armazenamento de dados é garantida pela exigência de criptografia ponta a ponta em todas as comunicações. A captura de imagens de documentos e da biometria deve ocorrer em tempo real pelo aplicativo, impedindo o upload de arquivos manipulados. Paralelamente, a norma estabelece uma estrutura abrangente de rastreabilidade. Cada etapa do processo, desde a captura biométrica até a validação final, deve ser registrada, encadeada logicamente e armazenada em repositórios auditáveis. Essa trilha de auditoria digital detalhada é fundamental para a responsabilização e para investigações forenses em caso de incidentes.

Componente do SistemaFunção TécnicaBase de Validação / Tecnologia
Validação BiométricaConfirmação automatizada de identidade com altíssima probabilidade.CIN, ICN, CNH, Sistema Biométrico ICP-Brasil.
Detecção de Vivacidade (Liveness)Prevenção de fraudes com imagens, vídeos ou deepfakes.Análise em tempo real de movimentos, textura da pele e resposta a desafios.
Geração/ Armazenamento de Chave PrivadaGarantia da segurança criptográfica do certificado.Exclusivamente em ambiente seguro de Prestador de Serviço de Confiança (PSC).
Trilha de AuditoriaRegistro encadeado e imutável de todas as etapas do processo.Repositórios seguros e auditáveis conforme padrões da ICP-Brasil.
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Redação Técnica de Tecnologia
Equipe editorial da Tech Central, dedicada à cobertura técnica de assuntos na Overcentral.