A espera acabou para os usuários de placas de vídeo Radeon da geração anterior. A AMD confirmou oficialmente que o FSR Upscaling 4.1, a mais recente iteração de sua tecnologia de upscaling baseada em aprendizado de máquina, chegará às GPUs da série RX 7000 (RDNA 3) em julho deste ano. A novidade foi anunciada por Jack Huynh, vice-presidente sênior e gerente geral da divisão de Computação e Gráficos da AMD, que também revelou um plano ainda mais ambicioso: o suporte para as placas da série RX 6000 (RDNA 2) está agendado para o início de 2027. A confirmação põe fim a meses de silêncio da empresa, que vinha sendo pressionada pela comunidade desde o lançamento do FSR 4 junto com a série RX 9000, em março do ano passado. Até então, a única alternativa para os donos de placas RDNA 3 era recorrer a soluções não oficiais, como o mod OptiScaler, que já permitia rodar o FSR 4 em GPUs mais antigas, mas sem garantia de qualidade ou suporte.
FSR 4.1: o que muda para as placas RDNA 3 e RDNA 2
O anúncio divide o cronograma em duas fases bem definidas. A primeira, já para julho, habilita o FSR Upscaling 4.1 em todas as GPUs da arquitetura RDNA 3, que inclui desde a Radeon RX 7600 até a topo de linha RX 7900 XTX. De acordo com Huynh, serão mais de 300 jogos compatíveis no momento do lançamento, número que tende a crescer até a chegada do suporte para a geração anterior. A segunda fase, prevista para o início de 2027, estende o mesmo recurso às placas RDNA 2 (RX 6000), garantindo que usuários de GPUs como a RX 6600 e a RX 6900 XT também possam usufruir dos benefícios do upscaling por machine learning.

O desafio técnico por trás da compatibilidade
Huynh classificou como “um desafio empolgante” a adaptação do FSR 4.1 para arquiteturas que não contam com aceleração nativa para FP8 (ponto flutuante de 8 bits). As placas RDNA 4, da série RX 9000, foram projetadas com hardware dedicado para esse tipo de operação, o que facilita a execução de modelos de machine learning. Já as gerações RDNA 3 e RDNA 2 não possuem esse recurso. Para contornar a limitação, a AMD investiu tempo em otimizações profundas no acelerador INT8 (inteiro de 8 bits) já presente nas placas RDNA 3, conseguindo manter o mesmo nível de qualidade visual e desempenho esperado do FSR 4.1. A ausência de hardware FP8 nas RDNA 2 exigirá um esforço adicional, o que justifica o cronograma mais longo até 2027.
Do mod caseiro ao suporte oficial
O anúncio chega em um momento em que a insatisfação dos usuários crescia. Desde o lançamento do FSR 4, entusiastas recorreram ao OptiScaler, um mod desenvolvido pela comunidade, para ativar o upscaling em placas RDNA 3 e até mesmo em GPUs GeForce RTX 30. A existência de uma solução não oficial funcionando de forma razoável aumentou a pressão sobre a AMD para oferecer um suporte nativo e otimizado. Agora, com a confirmação oficial, a empresa promete uma experiência mais estável, com garantia de qualidade e integração direta com os drivers e jogos.
Cronograma e expectativas
Enquanto os proprietários de RX 7000 poderão testar o FSR 4.1 ainda neste semestre, os donos de RX 6000 terão que esperar pouco mais de um ano. A AMD não detalhou quantos títulos estarão disponíveis na segunda fase, mas é provável que o número ultrapasse a marca de 300 jogos, considerando o crescimento do ecossistema de títulos compatíveis. A empresa também não mencionou se o FSR 4.1 será a versão final ou se atualizações futuras continuarão a ser adaptadas para as gerações mais antigas.
Com essa movimentação, a AMD busca ampliar a base de usuários beneficiados pelo upscaling baseado em IA, reduzindo a defasagem entre as gerações e fortalecendo seu ecossistema de software. A decisão de levar o FSR 4.1 para RDNA 2, mesmo que tardiamente, sinaliza um compromisso de longo prazo com a longevidade das placas, algo que pode influenciar a decisão de compra de quem ainda está indeciso entre uma GPU nova ou usada.
