Alexander Otto vende 50% da sua participação na ALLOS em bloco de R$ 515 milhões

O grupo alemão Alexander Otto, segundo maior acionista da ALLOS com 6,8% do capital, realizou nesta quinta-feira uma venda expressiva de 17,1 milhões de ações, equivalente a 3,4% do capital total da companhia. A operação, classificada como um block trade, movimentou R$ 515 milhões, valor que representa aproximadamente 3,2 vezes o volume médio diário negociado das ações da ALLOS na Bolsa.

Detalhes da operação e estratégia do vendedor

O leilão foi coordenado pelo Itaú BBA, que ofereceu garantia firme para a transação. As negociações começaram com um preço inicial de R$ 29,65 por ação, representando um desconto de 3,47% em relação ao preço de referência de R$ 30,75. O bloco foi finalmente vendido a R$ 30 por ação para um grupo seleto de oito investidores, todos com perfil long only. Desse total, cinco fundos são de origem local e três são instituições internacionais.

Motivação por trás da venda parcial

De acordo com uma fonte envolvida diretamente na transação, o grupo Alexander Otto optou por uma venda de apenas 50% de sua posição por duas razões estratégicas principais. A primeira foi a intenção de manter um assento no conselho de administração da ALLOS, onde o grupo também faz parte do acordo de acionistas. A segunda razão foi uma avaliação interna de que o preço da ação, apesar da alta recente, ainda está descontado e tem potencial de valorização futura.

Contexto de valuation e desempenho do setor

A operação ocorre em um momento de forte valorização do papel. Nos últimos 12 meses, a ação da ALLOS acumula uma alta expressiva de 70%. Atualmente, a empresa negocia a 9 vezes seu FFO (Funds From Operations) estimado para o ano corrente e a 7,5 vezes o FFO projetado para o próximo ano. Esses múltiplos representam um desconto de cerca de 30% em relação aos da Multiplan, sua principal concorrente no setor.

Atração pelo yield e posicionamento no mercado

Além dos múltiplos de valuation considerados baixos, a ALLOS oferece atualmente um dividend yield de 12,5%. Essa combinação de fatores — múltiplos descontados e yield elevado — posiciona a administradora de shoppings como a empresa mais barata do setor entre as listadas na B3. O grupo Alexander Otto, que se tornou acionista da ALLOS durante o processo de fusão entre a Sonae Sierra e a BR Malls, é proprietário da maior rede de shoppings da Alemanha.

Perspectivas para o setor de fundos imobiliários

A venda acontece em um momento considerado positivo para o segmento de shoppings centers e fundos de investimento imobiliário (FIIs). O mercado projeta uma reabertura da janela de captação para esses fundos a partir de abril, o que poderia beneficiar diretamente a ALLOS. Essa abertura criaria oportunidades para a empresa vender ativos ou realocar parte de sua estrutura dentro de um FII, estratégia comum no setor para otimizar a gestão do capital.

Compromissos pós-venda e estrutura acionária

Como parte do acordo da operação, o grupo Alexander Otto aceitou um período de lock-up de 90 dias para a parte restante de sua participação na ALLOS, que agora corresponde a 3,4% do capital total. Com a conclusão desta venda, a ALLOS mantém uma valorização de mercado de R$ 15,2 bilhões na B3. A estrutura acionária da companhia é agora liderada pelo CPPIB, com 9% do capital, seguido pela Guepardo Investimentos (5,4%), Sonae Sierra (5,3%) e SPX (5,2%).

A movimentação de um acionista estratégico de peso como o grupo Alexander Otto, que optou por realizar ganhos após uma valorização significativa mas mantém parte expressiva de sua posição, sinaliza um cenário de avaliação cuidadosa sobre o futuro da empresa. A operação, ao mesmo tempo que proporciona liquidez ao acionista, atrai novos investidores institucionais de perfil conservador para o capital da ALLOS, em um momento em que os fundamentos do setor apontam para oportunidades de crescimento e reestruturação.

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