O Bitcoin voltou a testar níveis críticos de suporte, e o economista e conhecido crítico da criptomoeda, Peter Schiff, voltou a provocar investidores ao projetar quedas ainda mais severas. Para Schiff, a maior criptomoeda do mercado pode recuar para a faixa dos US$ 50.000, e, caso esse patamar não se sustente, o próximo alvo seria em torno de US$ 20.000 — uma queda que representaria uma retração de mais de 60% em relação aos níveis atuais.
As projeções de Peter Schiff para o Bitcoin
Em uma série de publicações no X (antigo Twitter), Peter Schiff afirmou que o suporte atual do Bitcoin, na região dos US$ 58.000, dificilmente se sustentará. “Quando esse nível ceder, o Bitcoin pode despencar abaixo de US$ 50.000, testando a mínima de agosto de 2024. Se esse suporte também falhar, o próximo nível fica em torno de US$ 20.000”, escreveu o economista. Schiff ainda provocou os bitcoiners ao questionar por que consideram improvável que o Bitcoin volte a US$ 20.000, lembrando que o ativo foi negociado abaixo desse valor há apenas três anos e meio. “Não é incomum ações atingirem mínimas de 3,5 anos, então por que o Bitcoin não faria o mesmo, ainda mais considerando que ele é mais volátil do que a maioria das ações?”, argumentou.
O papel da Strategy no mercado de criptomoedas
Schiff também voltou sua artilharia contra a Strategy, empresa de Michael Saylor conhecida por acumular grandes quantidades de Bitcoin. O economista, que no mês passado classificou o modelo de negócios da empresa como um esquema Ponzi, agora alerta que a Strategy “terá de vender muito mais Bitcoin para manter sua reserva em dólares”. Para Schiff, a mudança de postura da empresa, que recentemente anunciou alterações em sua estratégia de monetização de Bitcoin, sinaliza que a companhia deixou de ser a maior compradora para se tornar a maior vendedora do ativo. “A importância disso para o Bitcoin é que o Saylor basicamente se rendeu”, disparou Schiff. “Ele pode se esconder e dizer que ‘ainda somos compradores líquidos’. Não são. Agora ele vai ser vendedor líquido.”
O crítico ainda destacou que o mercado pode antecipar essa mudança, gerando um efeito cascata: “Muita gente comprou sabendo que a Strategy ia comprar. Agora os mercados estão antecipando a Strategy como vendedora. Vai ser o inverso. A Strategy vai vender, então deixa eu sair primeiro.”
Histórico de previsões e o contexto do investidor
Vale lembrar que Peter Schiff acumula um histórico de previsões pessimistas para o Bitcoin que não se concretizaram. No início de 2022, ele projetou que a criptomoeda cairia para US$ 10.000 — o ativo chegou a bater em US$ 20.000, mas depois iniciou um ciclo de alta que o levou a superar US$ 126.000. Em 2023, Schiff chegou a afirmar que o Bitcoin poderia cair abaixo de US$ 3.800, o que também não ocorreu. Ainda assim, suas análises seguem repercutindo, especialmente por sua consistente defesa do ouro como reserva de valor.
O que o investidor brasileiro deve acompanhar
Para o investidor pessoa física no Brasil, a trajetória do Bitcoin segue sendo um ponto de atenção. Embora projeções como as de Schiff devam ser colocadas em perspectiva — dado seu histórico de erros —, os movimentos recentes de preço e a possível mudança de postura de grandes players como a Strategy podem influenciar a liquidez e a volatilidade do mercado. É recomendável que o investidor monitore os níveis técnicos de suporte (US$ 58.000 e US$ 50.000) e fique atento aos comunicados oficiais da Strategy e de outras grandes detentoras de Bitcoin. Além disso, para quem possui criptomoedas, é sempre válido revisar a estratégia de alocação e considerar os riscos de curto prazo, sem se deixar levar por pânico ou euforia. No Brasil, a declaração correta de criptoativos à Receita Federal também deve ser mantida em dia, independentemente das oscilações de mercado.

