O avanço da inteligência artificial no mercado de seguros tem gerado debates sobre o futuro de diversas profissões do setor, mas, segundo executivos do segmento de insurtechs, o corretor de seguros não apenas mantém sua relevância como se torna um profissional ainda mais estratégico. Em participação no programa Bate Bola, Marcos Watanabe, co-founder da SUTHUB, destacou que o profissional de seguros continua sendo o elo fundamental na jornada do cliente, especialmente em um momento em que a tecnologia avança rapidamente.
O corretor como tradutor de riscos e necessidades
Em um mercado cada vez mais impactado por dados e automação, a capacidade de interpretar o contexto específico de cada cliente — seja uma pessoa física, uma empresa ou uma operação de grande porte — segue sendo uma habilidade exclusivamente humana. Watanabe reforça que é o corretor quem compreende as nuances de cada situação, identifica riscos reais e consegue conectar o cliente às melhores soluções disponíveis no mercado. A tecnologia, nesse cenário, atua como uma aliada para potencializar esse trabalho, e não como uma substituta.
Inteligência artificial como ferramenta de apoio, não como ameaça
Uma das principais preocupações dos profissionais do setor é a possibilidade de serem substituídos por algoritmos. No entanto, a visão apresentada é oposta. “O corretor não precisa saber tudo sozinho. O mais importante é manter o relacionamento com o cliente, entender suas necessidades e saber usar a tecnologia para entregar uma solução melhor”, avaliou Marcos Watanabe. Isso significa que o diferencial do corretor não está em deter todo o conhecimento técnico de forma isolada, mas sim em saber combinar sua experiência de mercado com o suporte oferecido pela inteligência artificial. A ferramenta, quando bem utilizada, permite análises mais rápidas e precisas, liberando o profissional para se concentrar no que realmente importa: o aconselhamento estratégico e a construção de confiança.
O relacionamento como ativo central no mercado segurador
Diferentemente de setores onde a automação pode substituir a interação humana, o mercado de seguros lida diretamente com a proteção de patrimônios, a gestão de responsabilidades e a tomada de decisões que podem impactar significativamente a vida financeira de pessoas e empresas. Nesse contexto, o relacionamento continua sendo um ativo central. “Os grandes negócios do mercado de seguros, hoje e no futuro, continuam passando pelo corretor. Ele é mais indispensável do que nunca”, concluiu Watanabe. A afirmação reforça que, mesmo com o avanço das plataformas digitais e dos canais diretos, as contratações de maior complexidade e valor ainda dependem da mediação de um profissional capacitado.
O que a inteligência artificial significa para o consumidor final
Para o consumidor brasileiro que contrata um seguro de vida, um plano de saúde ou uma apólice automotiva, a tendência é positiva. Com o suporte da inteligência artificial, o corretor pode oferecer cotações mais personalizadas, comparar coberturas com mais agilidade e até mesmo antecipar riscos que antes passariam despercebidos. Na prática, isso se traduz em um atendimento mais eficiente e em soluções mais alinhadas às reais necessidades do cliente. O profissional, longe de desaparecer, ganha ferramentas para entregar um serviço de maior valor agregado.
Critérios para avaliar a atuação do seu corretor na era digital
A transformação do mercado traz também novos parâmetros para o consumidor avaliar a qualidade do serviço prestado pelo seu corretor de seguros. Alguns pontos merecem atenção:
- Atualização tecnológica: o corretor utiliza ferramentas digitais para agilizar cotações e comparar apólices de diferentes seguradoras?
- Transparência na comunicação: ele explica de forma clara as coberturas, as exclusões e os termos técnicos do contrato, como franquia, carência e coparticipação?
- Capacidade de aconselhamento: o profissional busca entender o contexto específico da sua vida ou do seu negócio antes de recomendar um produto, ou simplesmente oferece a opção mais genérica?
- Suporte contínuo: ele permanece disponível após a contratação, auxiliando em renovações, endossos e, principalmente, na hora de acionar o seguro em caso de sinistro?
Esses critérios ajudam o consumidor a identificar um corretor que, de fato, usa a tecnologia a seu favor, sem perder o toque humano que faz a diferença em momentos de vulnerabilidade.
O papel estratégico do corretor no futuro do setor
O mercado de seguros brasileiro, regulado pela SUSEP e pela ANS, continua evoluindo com a digitalização e o surgimento de novas insurtechs. No entanto, a mensagem central deixada por especialistas como Marcos Watanabe é clara: a tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas o corretor de seguros, com sua capacidade de construir relacionamentos e interpretar necessidades complexas, permanece como o principal canal de distribuição e aconselhamento. Para o consumidor, isso significa que, ao buscar proteção financeira, contar com um profissional qualificado e atualizado continuará sendo o caminho mais seguro para uma contratação consciente e adequada ao seu perfil.

