A BYD confirmou que vai lançar seu primeiro robô humanoide em agosto. A novidade foi adiantada em um teaser publicado no WeChat pelo perfil do BYD Zhengzhou Di Space, um espaço que funciona como um museu científico onde a montadora apresenta seus lançamentos. O comunicado não detalha especificações técnicas, mas indica que o robô será voltado para interação com o público.
A confirmação não chega de surpresa. Em junho, a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, já havia mencionado a entrada da empresa no segmento de robôs humanoides. O projeto começou em 2024, com uma equipe dedicada exclusivamente a inteligência artificial e robótica. Agora, a montadora se prepara para mostrar o resultado desse trabalho.
O mercado chinês de robôs humanoides vive um momento de aquecimento intenso. Mais de 150 fabricantes disputam espaço no país, incluindo outras montadoras como Li Auto, Xpeng, Geely e a própria BYD. Em novembro do ano passado, uma porta-voz do governo chinês alertou sobre o risco de formação de uma bolha no setor. Até aqui, a maior parte dos robôs tem sido desenvolvida para atuar em fábricas ou em demonstrações de veículos elétricos, mas as empresas também miram aplicações no varejo e em serviços.
Montadora deve pular etapa de protótipo conceitual
De acordo com o site CnEVPost, a BYD pretende usar o evento de agosto para demonstrar um robô funcional, e não apenas apresentar um conceito. O Di Space é justamente o local onde a marca leva suas novidades para que a imprensa e consumidores possam interagir com os produtos. A ideia é que o robô já saia do papel e mostre suas capacidades reais.
Stella Li revelou que o plano da empresa é ter dois ou três robôs humanoides operando em suas lojas na China em até dois anos. A função inicial será interagir com o público e ajudar na apresentação dos carros elétricos. A executiva fez questão de ressaltar que a IA não substituirá a conexão emocional proporcionada pelos vendedores humanos — os robôs atuarão como complemento, não como substituição.
A BYD já utiliza robôs humanoides em suas fábricas, em parceria com a UBTech Robotics. Li também afirmou que a montadora pretende fabricar não apenas seus próprios modelos, mas também produtos desenvolvidos com parceiros. Isso indica que a empresa enxerga a robótica como um novo braço de negócios, e não apenas como uma ferramenta interna.
Carros elétricos caminhando junto às IAs físicas
O segmento de veículos elétricos e NEVs (New Energy Vehicles) tem avançado lado a lado com a robótica de inteligência artificial. Montadoras como Hyundai, Tesla e BMW também investem na área. Para Stella Li, a indústria automotiva carrega uma vantagem natural: o desenvolvimento de hardware e software para carros elétricos tem bases que se encaixam perfeitamente na construção de robôs humanoides.
Os robôs humanoides ganharam destaque desde o começo de 2026, com várias fabricantes apresentando protótipos na CES. Empresas como a chinesa Unitree e a americana Figure AI já emplacaram usos práticos: há unidades operando no aeroporto de Tóquio e em um centro de distribuição de encomendas, trabalhando 24 horas por dia. O movimento da BYD reforça a tendência de que a linha entre automóveis e robôs está cada vez mais tênue, especialmente na China.
A experiência da BYD no desenvolvimento de baterias, motores elétricos e sistemas de percepção para condução autônoma cria uma base técnica sólida para a robótica. A expectativa é que o robô apresentado em agosto aproveite essas tecnologias, especialmente em áreas como visão computacional, controle de movimento e integração com sistemas de IA.
Para o consumidor brasileiro, a novidade pode parecer distante, mas não é irrelevante. A BYD é uma das marcas de veículos elétricos que mais cresce no Brasil, com fábrica em construção na Bahia e presença forte em capitais. Caso a estratégia de usar robôs humanoides nas lojas se consolide na China, é possível que o modelo seja replicado em outros mercados, incluindo o brasileiro, em um horizonte de alguns anos.
O lançamento de agosto será um marco para a BYD e para o setor. A montadora não apenas entra em um novo mercado, mas também sinaliza que a robótica humana pode se tornar um canal direto de comunicação com o público, transformando a experiência de compra de carros elétricos em algo mais imersivo e tecnológico.
