O Citi reforçou sua aposta no mercado brasileiro para julho, mesmo diante de um cenário externo marcado por juros elevados nos Estados Unidos, novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros e incertezas na economia global. O banco mantém a visão de que o Brasil é uma das bolsas mais atrativas entre os mercados emergentes, e acaba de divulgar sua carteira recomendada de ações para o mês, com destaque para Petrobras (PETR4), Multiplan (MULT3) e Embraer (EMBR3).
Em relatório, o Citi aponta que a bolsa brasileira negocia com um dos maiores descontos em relação aos mercados desenvolvidos dos últimos anos, a 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Para o banco, esse valuation descontado, combinado com fatores específicos da economia doméstica, torna o Brasil uma oportunidade relevante para investidores globais.
Por que o Citi considera o Brasil atrativo?
O banco lista três motivos principais que sustentam essa visão positiva. O primeiro é a menor exposição da economia brasileira aos impactos da inteligência artificial — a composição do mercado de trabalho local tem menos participação de atividades altamente qualificadas, o que reduz o risco de disrupção tecnológica em larga escala. O segundo motivo é a distância geográfica dos principais focos de tensão geopolítica, o que torna o Brasil um porto mais seguro para alocação de capital. O terceiro fator é a resiliência das exportações brasileiras, que seguem fortes mesmo com a escalada protecionista dos Estados Unidos.
Além disso, o Citi avalia que o Banco Central se aproxima de iniciar um novo ciclo de cortes da Selic, o que tende a beneficiar os ativos de risco. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a inflação pressionada deve manter o Federal Reserve (Fed) com juros elevados por mais tempo, fortalecendo o dólar e favorecendo empresas brasileiras exportadoras.
Quais são as ações preferidas do Citi para julho?
A carteira recomendada do banco para julho reúne empresas exportadoras, companhias defensivas e histórias domésticas consideradas resilientes. As principais mudanças do mês foram o aumento do peso de Petrobras (PETR4) e Multiplan (MULT3), que passaram de 5% para 10% da carteira.
Na composição atual, Petrobras (PETR4), Multiplan (MULT3), Cury (CURY3), Embraer (EMBR3), Equatorial (EQTL3) e RD Saúde (RADL3) têm peso de 10% cada. Já Itaú Unibanco (ITUB4), Caixa Seguridade (CXSE3), Prio (PRIO3), Axia (AXIA3), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3) representam 5% cada.
O banco mantém ainda a preferência por nomes como Embraer, Petrobras e Prio, além de companhias domésticas menos dependentes do ritmo da atividade econômica. A Multiplan, administradora de shopping centers, ganhou destaque por sua resiliência operacional em um cenário macroeconômico mais desafiador. O Citi avalia que a Multiplan está bem posicionada para ampliar o custo de ocupação dos lojistas, capturar ganhos reais nas renovações de contratos de aluguel e entregar resultados mais consistentes que seus pares, reiterando a empresa como sua principal escolha entre as brasileiras do setor.
Tarifas dos EUA: impacto seletivo sobre as empresas
No dia 15, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos manufaturados e bens de capital brasileiros. O Citi afirma que a medida pesa principalmente sobre empresas com forte exposição às exportações para o mercado americano. A WEG (WEGE3) aparece entre as companhias mais vulneráveis, dada a relevância dos Estados Unidos para suas vendas. Além disso, uma investigação paralela relacionada ao uso de trabalho forçado pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a tributação total para até 37,5% em alguns produtos.
A exceção é a Embraer (EMBR3), já que produtos da aviação civil ficaram de fora das novas medidas. O Citi destaca que a fabricante brasileira permanece protegida desse risco, o que reforça sua posição na carteira recomendada.
O que o investidor brasileiro deve monitorar
Com a aproximação de um novo ciclo de cortes da Selic e a manutenção de juros altos nos EUA, o mercado brasileiro deve continuar oferecendo oportunidades seletivas para investidores com visão de longo prazo. A recomendação do Citi reforça a importância de acompanhar de perto os desdobramentos das tarifas americanas, a trajetória da inflação doméstica e a capacidade das empresas de manterem resultados resilientes. A diversificação entre exportadoras, empresas defensivas e histórias domésticas sólidas, como a Multiplan, pode ser um caminho para capturar valor em meio às incertezas globais, sem perder de vista os riscos cambiais e regulatórios. O investidor brasileiro deve manter atenção aos próximos passos do Banco Central e aos balanços do segundo trimestre, que devem confirmar ou ajustar as expectativas para o segundo semestre.
