IA gera 10,2% mais empregos em seguradoras e 12% de alta entre juniores

Levantamento com 21 mil empresas mostra que IA acelera contratações juniores em seguradoras.

Dados indicam crescimento de 12% nas vagas para profissionais juniores em seguradoras que adotaram IA.
Destaques
  • Seguradoras que investem em IA registraram aumento de 10,2% no quadro de funcionários.
  • Contratações de profissionais juniores cresceram 12% nos dois anos seguintes à adoção da IA.
  • Vagas relacionadas à tecnologia em seguros cresceram 77,4% em 2025, segundo a PwC.

O impacto da inteligência artificial no setor de seguros tem sido tema de debates intensos, mas os números mais recentes contrariam o senso comum de que a tecnologia eliminaria postos de trabalho. Dados de uma pesquisa que analisou mais de 21 mil empresas nos Estados Unidos revelam que as seguradoras que mais investem em IA registraram um aumento de 10,2% no quadro de funcionários nos dois anos seguintes à adoção, com destaque para um salto de 12% nas contratações de profissionais juniores. Esse movimento indica que, em vez de substituir pessoas, a IA está acelerando o desenvolvimento de carreiras e remodelando funções dentro das operadoras e resseguradoras.

IA gera mais empregos em seguradoras, especialmente entre juniores

O levantamento conduzido pela Ramp e pela Revelio Labs mostra que as companhias com maior investimento em inteligência artificial não apenas mantiveram suas equipes, como as expandiram. O crescimento de 10,2% no total de empregados e de 12% em cargos de nível inicial sugere que a IA está sendo usada para alavancar a produtividade dos profissionais menos experientes, permitindo que eles assumam responsabilidades mais complexas em menos tempo. No setor financeiro e de seguros, que estão entre os que mais gastam com IA, as vagas relacionadas à tecnologia cresceram 77,4% em 2025, segundo a PwC. Desse total, 88% são voltadas para usuários da ferramenta, e não para desenvolvedores de modelos — um sinal claro de que o conhecimento do negócio e dos processos seguradores vale mais do que habilidades técnicas específicas em IA na formação das equipes.

Subscrição ganha agilidade com IA, e juniores se beneficiam

A adoção de IA na subscrição está se tornando um diferencial competitivo crítico. De acordo com Juan de Castro, presidente da Cytora, seguradoras que ainda não implementaram inteligência artificial nessa área já estão perdendo terreno — diferença que deve aparecer nos resultados financeiros em até um ano. Prazos de cinco dias para emissão de cotações, por exemplo, já não são mais aceitáveis no mercado atual. Na prática, a AXA XL passou a analisar as políticas de IA dos clientes, as escolhas de modelos, as práticas de dados e os protocolos de revisão humana antes de aceitar riscos cibernéticos, transformando a própria adoção da tecnologia em um critério de subscrição. Já na Scor, os subscritores foram liberados do processamento manual de dados para focar na análise qualitativa dos riscos. Nesse cenário, os profissionais juniores tendem a ser os mais beneficiados, pois suas trajetórias de carreira migram da revisão individual de riscos para a supervisão em nível de portfólio, apoiados por ferramentas de IA que ampliam sua capacidade analítica.

Gestores são os maiores usuários produtivos de IA; agentes ainda usam ferramentas de forma isolada

Apesar do investimento expressivo em IA, a adoção ainda é desigual dentro das organizações. Dados do Gartner mostram que 73% dos usuários classificados como altamente produtivos de IA são gestores ou executivos, enquanto a maioria dos agentes de seguros utiliza a tecnologia apenas para tarefas pontuais e desconectadas, sem integrá-la aos fluxos de trabalho. O relatório The Connective Thread, da Cake & Arrow, aponta que muitos agentes precisam conduzir sua própria adoção, sem suporte estruturado. Além disso, 19% dos funcionários relataram não ter ganhado tempo com IA no primeiro trimestre de 2026, e apenas 27% dos executivos afirmam ter uma estratégia abrangente de inteligência artificial. Apenas 20% consideram que suas equipes estão realmente preparadas. O Gartner alerta que, até 2027, organizações sem uma estratégia de IA centrada nas pessoas correm o risco de perder talentos para concorrentes. O caminho apontado é substituir métricas simples de adoção por indicadores de ROI que meçam a profundidade do uso e desenvolver ferramentas alinhadas aos fluxos reais de trabalho dos agentes.

Assistentes digitais em P&C se recuperam e atingem 83% de adoção

Após uma queda de 92% para 67% em 2025, a adoção de assistentes digitais entre 12 grandes seguradoras de propriedades e acidentes (Property & Casualty, ou P&C) voltou a subir para 83% em 2026, segundo o Scorecard de Seguro Online do Keynova Group. Esse padrão reflete um ajuste contínuo dos modelos de suporte: as seguradoras estão testando combinações entre atendimento humano, assistentes automatizados e autoatendimento, em vez de adotar uma única abordagem. Sessenta por cento dos assistentes em sites escalam para atendimento humano após no máximo duas tentativas fracassadas de resposta, e dois terços oferecem acesso direto a chat ao vivo. Progressive, Nationwide e USAA lideraram o ranking geral. A implementação de IA no back-end — especialmente em subscrição e sinistros — continua mais difundida do que as aplicações voltadas diretamente ao cliente.

Como agentes independentes podem medir o ROI de anúncios em TV com IA

Ferramentas de produção impulsionadas por IA e inventário de TV conectada sem compromisso tornaram a publicidade televisiva acessível para agentes e corretores independentes, com orçamentos comparáveis aos gastos com Google Search. No entanto, o principal desafio não é mais a acessibilidade, mas sim a atribuição correta dos resultados. Diferentemente da busca paga, a TV constrói reconhecimento de marca ao longo de semanas ou meses antes de o consumidor entrar em um ciclo ativo de compra, o que torna modelos de atribuição de último clique enganosos. O volume de buscas pela marca monitorado via Google Search Console é o sinal de curto prazo mais confiável, complementado por números de telefone ou landing pages dedicadas vinculadas a criativos específicos. Campanhas direcionadas a sinais comportamentais — como status de proprietário de imóvel, hipotecas recentes e renda familiar — aprimoram a atribuição. O alinhamento sazonal com períodos de matrícula aberta e temporada de impostos também melhora a atividade mensurável posterior.

O que essa tendência significa para o profissional de seguros no Brasil

Embora os dados sejam baseados no mercado norte-americano, as tendências apontam caminhos que já começam a se refletir no ecossistema segurador brasileiro. A incorporação gradativa de IA por seguradoras locais — como Porto Seguro, Bradesco Seguros e SulAmérica — em processos de subscrição, sinistros e atendimento ao cliente sugere que o movimento é global. Para profissionais em início de carreira, o recado é claro: dominar as ferramentas de IA e entender os processos de negócio será tão importante quanto a formação técnica. Para agentes e corretores, a recomendação é buscar integrar a IA aos fluxos de trabalho de forma estruturada e mensurar o retorno com métricas adequadas, em vez de usar a tecnologia de maneira isolada. Já para os consumidores, a tendência indica que, a médio prazo, a IA pode tornar os seguros mais ágeis e personalizados, com cotações mais rápidas e análise de riscos mais precisa — desde que as seguradoras invistam também na capacitação de suas equipes.

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