Em um trimestre marcado por números impressionantes, a Krafton reportou um crescimento recorde no segundo trimestre de 2026, com uma receita de ₩1,29 trilhão (aproximadamente US$ 889,1 milhões), um salto de 94,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O motor desse desempenho financeiro excepcional não é segredo: a gigante sul-coreana colhe os frutos de duas franquias de peso. De um lado, o fenômeno de sobrevivência submarina Subnautica 2, desenvolvido pela subsidiária Unknown Worlds, que atingiu a marca de cinco milhões de unidades vendidas em apenas 22 dias. Do outro, o veterano battle royale PUBG, que continua sua trajetória de sucesso, registrando um aumento de 25% na receita ano a ano. O lucro operacional também disparou, subindo 67% para ₩410,9 bilhões (US$ 283,1 milhões).
Subnautica 2: o fenômeno que resolveu uma briga judicial bilionária
O impacto de Subnautica 2 nos cofres da Krafton vai além dos números de venda. A franquia Subnautica como um todo, incluindo o título original e Subnautica: Below Zero, gerou uma receita combinada de ₩232,5 bilhões (US$ 160,2 milhões) apenas no primeiro semestre de 2026. Esse sucesso comercial é ainda mais notável quando se considera o conturbado histórico recente entre a Krafton e a Unknown Worlds. Semanas antes da divulgação deste balanço, as empresas encerraram uma longa disputa judicial envolvendo justamente a produção de Subnautica 2. O acordo, que resultou no pagamento de bônus para toda a equipe que trabalhou no jogo e na saída do CEO Ted Gill, mostra como um lançamento de peso pode redefinir a dinâmica entre uma publisher e seu estúdio.
O que torna Subnautica 2 um case de sucesso?
Diferente de sequências que apenas repetem fórmulas, Subnautica 2 expandiu o conceito de exploração oceânica com mecânicas de sobrevivência mais refinadas, um ciclo dia-noite dinâmico e um ecossistema marinho agressivo e imprevisível. A resposta do público foi imediata, e o título rapidamente se consolidou não apenas como um best-seller, mas como um fenômeno cultural entre jogadores de PC e consoles, especialmente em mercados emergentes como o Brasil, onde a demanda por experiências imersivas de mundo aberto tem crescido exponencialmente.
PUBG: o veterano que não dá sinais de cansaço
Enquanto Subnautica 2 brilha como a nova aposta, o PUBG continua sendo o pilar inabalável da Krafton. O crescimento de 25% na receita ano a ano não é trivial para um jogo lançado em 2017. A empresa conseguiu manter a base de jogadores engajada com atualizações constantes de conteúdo, eventos sazonais e a integração de novas tecnologias, como suporte a ray tracing em mapas selecionados. A estratégia de expandir o universo PUBG com novos títulos também está em andamento, apesar de alguns percalços, como o fechamento repentino do spin-off PUBG: Blindspot após apenas dois meses em early access.
Cinco novos jogos até 2027: a Krafton já tem o roadmap
De olho no futuro, a Krafton não pretende descansar sobre os louros. Durante a Gamescom deste ano, a empresa revelou um plano ambicioso de lançar cinco novos títulos até 2027. O portfólio inclui um novo projeto baseado no IP do PUBG, além de uma leva de jogos originais com propostas bem distintas:
- No Law: um título que promete explorar um cenário de caos e liberdade total.
- Project ZETA: envolto em mistério, mas com especulações sobre mecânicas de tiro tático.
- Age Twisters: um título que sugere manipulação temporal e ação frenética.
- Tarae: The Unbound: um RPG de fantasia com um mundo aberto, mirando o público que consome títulos como Elden Ring e Black Myth: Wukong.
Esse movimento sinaliza uma diversificação ousada, buscando reduzir a dependência excessiva do PUBG e apostar em gêneros variados.
O dilema da transformação: recordes, demissões e inteligência artificial
O cenário, no entanto, não é de estabilidade. A Krafton vive um paradoxo interessante: enquanto registra receitas recordes, a empresa implementa medidas de reestruturação que geram apreensão no mercado. Em novembro do ano passado, a companhia delineou planos para se transformar em uma empresa “AI First”, priorizando a aplicação de inteligência artificial em seus processos. Dias depois, iniciou um programa de demissão voluntária, mesmo após divulgar outro “recorde histórico” de receita trimestral.
De games a robótica e defesa: a Krafton quer ir além
A visão de futuro da Krafton vai muito além dos games. A empresa tem avaliado como sua tecnologia de jogos pode ser aplicada em áreas como “IA física e robótica”, um campo que mira a automação de máquinas e sistemas complexos. Como parte desse movimento, a Krafton investiu US$ 1 bilhão em uma empresa sul-coreana de defesa que possui parceria com a Marinha dos Estados Unidos. Essa diversificação, embora promissora em termos de negócios, levanta questões sobre o foco principal da companhia e como isso impactará o desenvolvimento de novos jogos.
Contexto brasileiro: o que isso significa para o jogador local?
Para o mercado brasileiro, a notícia é duplamente relevante. Subnautica 2 e PUBG são títulos extremamente populares no país, e o sucesso financeiro da Krafton tende a se traduzir em mais investimento em localização, servidores dedicados na América do Sul e, possivelmente, preços mais competitivos em futuros lançamentos. A promessa de cinco novos jogos até 2027 abre uma janela de oportunidades para que o público brasileiro tenha acesso a títulos com dublagem e legendas em português desde o lançamento, algo que a Krafton vem fazendo de forma consistente com seus principais IPs.
A trajetória da Krafton mostra uma empresa que aprendeu a equilibrar inovação explosiva, como o lançamento de Subnautica 2, com a gestão madura de um gigante como PUBG. Ao mesmo tempo, a aposta em IA e setores não relacionados a jogos revela uma ambição que pode tanto impulsionar a tecnologia dos games quanto desviar recursos de sua essência. Para o jogador, o recado é claro: a Krafton está mais forte financeiramente do que nunca, e isso significa que os próximos anos serão recheados de lançamentos e experimentos.

